O leitor escreve
Deficiência na educação
Inclusão é uma das palavras da moda. Tem sido usada sempre que entra em pauta a necessidade de garantir a todos iguais oportunidades de educação e trabalho, em qualquer espécie de discriminação, e com respeito às diferenças individuais. Mas, apesar desse princípio constar da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição de várias nações, a luta para torná-lo uma realidade ainda é travada por inúmeros grupos que, por alguma circunstância, não se encaixam nos padrões globais de normalidade. E talvez para nenhum grupo essa luta seja tão dura quanto para os portadores de deficiência. Mesmo tendo alcançado vitórias importantes nos últimos anos, eles ainda vivem numa sociedade que parece ter sido criada de modo a barrar todos os seus avanços.
Porém, só agora mergulhamos nos estudos e debates que vêm sendo travados há décadas mundo afora, especialmente sobre como promover a inclusão desses indivíduos nos primeiros anos escolares. A idéia é que se crianças normais conviverem com as deficientes desde cedo, aprenderão a respeitar as suas peculiaridades e descobrirão que elas não só têm talentos como qualquer outra pessoa, mas até habilidades muito especiais que compensam sua deficiência, ou seria melhor dizer, sua diferença? Isso ocorreria numa fase em que os preconceitos, se existirem, ainda não estão cristalizados e, assim, podem ser trabalhados pela escola e pelas famílias dos alunos. A experiência é enriquecedora para todos.
Não se trata apenas de matricular os deficientes numa escola comum e forçar sua adaptação. Se fosse fácil assim, não teria sido criado o sistema paralelo de escolas especiais, ou classes especiais dentro do sistema regular de ensino, a partir da década de 50. Não teria sentido obrigar esses alunos a frequentarem um ambiente onde a todo momento seriam provados em suas limitações, e tendo como professores pessoas sem o menor preparo para lidar com suas necessidades. Para que não sofra nenhum tipo de constrangimento, é a escola que deve se adaptar a eles: facilitando o acesso ao espaço físico, providenciando recursos educacionais específicos (livros, computadores etc.), e capacitando o corpo docente. Adaptar nossas escolas às crianças portadoras de deficiência é o primeiro passo para sua inserção na sociedade. O fim do preconceito e a abertura de oportunidades do mercado de trabalho serão consequências naturais da filosofia da inclusão que, desde já, deve permear o sistema educacional brasileiro.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, Rio de Janeiro
Novo tempo
Não se pode tardar a hora de adquirirmos consciência da vida que habita em cada um de nós, nós que somos filhos de Deus inquestionavelmente vivo e em eterna expansão, para podermos então promover e entender melhor as microscópicas e macroscópicas vidas que nos rodeiam, que adentram e saem no nosso finito e ilimitado universo.
Seria até redundante se iluminássemos sem antes termos construído a luz. É imprescindível que construamos a vida em nós para promovê-la fora de nós. E isso só se consegue interiorizando valores novos, abdicando de defeitos, desvencilhando-se do egoísmo, vencendo mediocridades. A construção que falo é a fôrma de determinará o comportamento das formas.
Os nossos pesquisadores, cientistas, políticos e até as crianças como formadores de opinião e sucessores no mundo precisam saber disso. O mundo não vai bem porque o ser humano não vai bem, porque a essência deu espaço para a aparência que nem nutre nem satisfaz. A verdade sai do cenário e a mentira para a ser uma fato social normal.
Quando os homens de boa vontade e fé se levantarem, o mundo se levantará e entenderá que interiorizando a vida ela será construída em nossa consciência e assim todos faremos ciência para a vida. Por quê? Porque aí sim manifestaremos fora de nós o que já vive e habita abundantemente dentro de nós. E quando vejo uma instituição séria como o Embrapa-DF, organizando a segunda edição do Ciência para a Vida e contando com a participação da instituições sérias do País inteiro, como Iapar. Aí já sinto a brisa que antecede a chegada da aurora do tão decantado e sonhado novo tempo.
- CLAUDOMIR ANTONIO DA SILVA, Londrina
Paz
Pequena, mas linda palavra. Em todas as línguas: pax, pace, paix, paz, pieces, eirene, shallon... Celebrada em todas as artes. Desejada por todos os povos. Procurada por todos os corações. Cantada pelos anjos. Prometida e trazida pelo Cristo Salvador. Hoje, porém, não é fácil conseguí-la. Menos fácil possuí-la. Dificílimo difundí-la. Doá-la parece simples: com palavras, gestos, sorrisos, presentes. Colocá-la lá dentro da alma, no momento preciso, na hora certa, de forma definitiva, aí o problema ou como dizia o poeta (Virgílio, 70-19 a.C.), hoc opus, hic laaborw est Aqui a dificuldade, isto é, com grande e perseverante trabalho.
Sabemos, no entanto, que tudo é possível a quem realmente quer. Dias atrás, Walmor Macarini escreveu um de seus melhores textos na Folha. Com seu jeito peculiar, ele nos mostrou como procurar e obter a paz: construí-la lá dentro, na cabeça, no coração, na vontade. É o óbvio: ninguém poderá passá-la se a não possuir. Quem a tem e dela desfruta tem olhares de paz, tem palavras pacificadoras, tem gestos serenos e tranquilizantes. Tenhamos branca nossa alma, vistamos de branco nossa vida e, sem dúvida, sem alarde e sem foguetes espontânea e generosamente derramaremos paz, em ondas benéficas ao derredor de nós.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Cigarros
Um fiscal de tributos alagoano, dizendo haver fumado dos 13 aos 40 anos de idade, de 60 a 80 cigarros por dia, quer que a Souza Cruz seja condenada a indenizá-lo pelo câncer pulmonar que contraiu, custeando-lhe inclusive o tratamento médico a que se submete. Jornais de 27 de junho fizeram, com repercussão histérica em apresentadores de noticiário, grande estardalhaço em torno da decisão preliminar de um juiz substituto, em favor da pretensão do autor. Os Estados do Rio de Janeiro e Goiás já movem ações semelhantes nos Estados Unidos, reivindicando indenizações bilionárias pelo que alegam gastar no tratamento das vítimas inocentes desse crime organizado que, segundo eles, domina a indústria fumageira.
Alguma fábrica ou algum comerciante de armas já teve que indenizar os autores de tentativa de suicídio ou a familiares do suicida ou de vítimas de homicídios praticados com essas armas de fabricação e venda legais? Pois o caso é exatamente igual. Enquanto for legal a comercialização de cigarros, não haverá fundamento para a responsabilização criminal ou civil das pessoas que o fabricam ou vendem. No caso inicialmente referido, a culpa é do Estado e do usuário, mais daquele do que deste, vez que ao Poder público cumpre proteger os cidadãos contra sua própria incúria, proibindo-lhes o acesso ao que lhes possa tirar a vida ou a saúde. Se o Estado arrecada tributos escorchantes sobre o cigarro (no Brasil, uns R$ 4 bilhões), não tem como alegar inocência.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





