Agricultura
A produção agrícola do nosso País é um dos pilares para o nosso desenvolvimento econômico, apesar dos preços internacionais dos produtos estarem baixos. A longo prazo, com o crescimento populacional da humanidade, a demanda por alimentos é crescente, tendendo à elevação dos preços agrícolas. Esta análise preliminar é otimista para o Brasil, um dos países que possuem maior quantidade de terras agricultáveis do Planeta.
Devemos, portanto, conservar nossas terras sadias. Ou seja, a forma de exploração deve seguir critérios de conservação que propiciem uma longa vida útil à terra. A larga utilização de produtos químicos nas lavouras causa sérios danos ao meio ambiente, danificando o solo. Deve o governo, portanto, incorporar a idéia de uma agricultura sustentável, introduzindo políticas públicas que visem a absorção deste objetivo pelos agricultores.
Agricultura sustentável pode ser definida pela busca da maior produtividade possível com maior grau de preservação da natureza, incluído aí a preservação do solo, da água e do ar entre os ciclos produtivos. A rotação de culturas é basilar neste processo. Se em determinado ano se planta milho, esta cultura vai alimentar-se de determinados nutrientes do solo; deve-se plantar no ano seguinte a soja, que irá repor nutrientes que foram consumidos pelo milho, como o nitrogênio. Desta forma, cai o custo de preparação do solo, pois está sendo naturalmente preservado, evitando-se a utilização de pesadas cargas de fertilizantes sintéticos. As técnicas de conservação do solo entretanto devem ser observadas, para evitar-se a erosão, que pode ocorrer através dos ventos formando redemoinhos gigantes que carregando a parte fértil do solo, a superficial.
Uma forma de se evitar e de se preservar o solo da ação da natureza é conservá-lo sempre plantado. A natureza no estado virgem, cobre o solo com a vegetação, devem os agricultores preservar esta característica. Uma das maneiras que podem proceder é utilizar o plantio direto, ou seja, antes de colher milho, por exemplo, pode-se plantar aveia, cultura de inverno; então, quando se colhe o milho,a aveia já está nascendo, proporcionando uma constante massa verde na superfície do solo, evitando-se a ação da erosão. O custo da produção também cai, pois esta técnica extermina as constantes remexidas da terra por tratores, além de evitar-se sua compactação. Conforme os anos vão passando, a quantidade de massa verde não incorporada ao solo também vai crescendo, como vantagem adicional. Esta camada mantém a umidade do solo por muito mais tempo, evitando-se os nefastos efeitos de possíveis veranicos.
O conceito de propriedade produtiva deveria ser ampliado para propriedade ecologicamente produtiva e só estas não seriam passíveis de desapropriação para reforma agrária. É uma forma de impor aos proprietários rurais a utilização de técnicas preestabelecidas para implementação da agricultura sustentável. Um grande desafio para nossa sociedade é incorporar os ideais de sustentabilidade, quando existe tanta miséria e desigualdade social, mas é um objetivo à ser almejado. Dentro deste contexto uma questão que pode ser formulada é a seguinte: existe a possibilidade da agricultura sustentável vingar nos assentamentos rurais, nas pequenas propriedades e na agricultura familiar?
- FERNANDO MARREY FERREIRA, advogado, São Paulo
Olho grande
Um dos argumentos usados pelo governo para justificar seu empenho em aumentar para até 25% (mais do que os 20% dos autônomos) a contribuição previdenciária dos funcionários públicos civis e, ainda, confiscar boa parte das aposentadorias e pensões nessa área, foi o de que, sem isso, a sociedade continuaria a suportar o pagamento dessa conta bilionária e despropositada.
O que a Força Sindical e o Sindicato Nacional dos Aposentados pelo INSS foram propor, um dia desses, ao ministro da Previdência e Assistência? Que a contribuição hoje cobrada dos patrões (20% a 22% sobre a folha des pagamento de pessoal) seja substituída por um tributo a ser pago por todos os brasileiros.
Outra idéia desarrazoada, que levaram ao ministro, foi a de submeter os funcionários públicos ao mesmo regime previdenciário do INSS, inclusive quanto ao teto dos benefícios que, hoje, está em R$ 1.328,25. Por que essa obsessão do teto e, mais ainda, de um teto com cara de piso? Por que não lutam pela extinção desse teto e pela incidência da contribuição sobre o salário integral, como no serviço público e nos fundos de pensão? Aposto em que, uma vez conseguida essa igualação, que é justa, acabarão, como por encanto, a inveja e o olho grande.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
Ladrão
A palavra é muito feia, tanto no soído, quanto – e muito mais – no significado. Feíssima – na falta de superlativo mais super, a profissão. Deixa arrasado e amargurado o assaltado e, às vezes, eufórico e bem aproveitado o assaltante. Às vezes porque, se apanhado, vai curtir nas grades o seu arrojo. Se não apanhado, mais cedo ou mais tarde, Deus lhe dará o castigo merecido. Passei, dias atrás, por uns cidadãos que proseavam em altas vozes, e ouvi o grito: ‘‘Ladrão por toda parte. Aqui (disse o lugar), ali, acolá...’’ E eu, comigo mesmo: ‘‘De Norte a Sul, de Leste a Oeste.’’ Incrível, mas é a pura, ou melhor impura, verdade: ‘‘Ladrão, na frente e atrás, à direita e à esquerda.
Parece-nos que o mal é contagioso. Tirem o parece-nos no favor. Na linha política e na administrativa, então, o jogo é bruto e medonho (não me veio outro). Que fazer? Prevenir-se, acautelar-se o mais possível. Somar forças? Gritar por todas as bocas o 5º Mandamento do Decálogo: ‘‘Não furtar’’. Reunir-se. Munir-se de chaves, cadeados, trancas e outras armas permitidas e válidas. Abrir bem os olhos, ver, enxergar e suspeitar. Clamar, vozes redondas e de eco. por segurança, e suspeitar. E rezar, rogando ao Pai que nos guarde e nos defenda, visto que são atrevidos e famintos os amigos do alheio. O demônio não tem melhores satânicos aliados. E gargalha com eles na nossa cara. Infelizmente, são discípulos dele e superam de muito o mestre.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
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