O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Festival de Música
Recém-acabado o FILO, hoje um dos marcos mais importantes das artes teatrais e áreas correlatas em toda a América Latina, soam os primeiros acordes do 17º Festival de Música de Londrina, um dos mais concorridos, democráticos e internacionalmente representativos do Brasil. Nossa região, com população superior à de muitos países, cresce continuamente neles, se atualiza, difunde idéias e novidades, estimula e recebe de braços abertos a cultura, ferramenta vital para a verdadeira democracia. E é preciso que tenhamos um calendário permanente de festivais fixos, envolvendo as danças populares e eruditas e experimentais, a música popular e folclórica, as artes artesanais e circenses, festivais de canto e poesia, as feiras de livros e imprensa e comunicação, as de moda e modelos, as das ciências gastronômicas, dos peões, encontros de museus e exposição das artes da memória e quantas mais.
É preciso que, junto ao Festival de Música de Londrina e do Encontro de Educação Musical que o acompanha, silencioso mas importantíssimo, tão brilhante quanto aquele, que se inicie um curso anual sobre as moléstias profissionais dos músicos e artistas de apresentação, suas causas e prevenção. A grande parte dos artistas termina a carreira pelos problemas criados no conflito entre seus corpos, cujas envergaduras variam ao infinito e ao longo de toda uma vida, por erros ou ignorância quanto ao conflito entre o físico de cada um, e seu instrumento, que é fixo, invariável e que exige que o artista se adapte a ele, nunca o contrário.
Plantemos cultura o ano todo e colheremos progresso e democracia todos os anos. Cada um deve estimular novos festivais e apoiar os que já existem. Incentivos fiscais, apoio material, estímulo individual e, acima de tudo, inabalável esperança de que as gerações presentes e futuras, ao receber desta a cultura e a liberdade, podem nos levar à vida democrática a que nossa Pátria tem direito. A estrada do futuro deve ser pavimentada pela esperança e pelo apoio.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Amigos do alheio
É impressionante o descaso dos funcionários quando ocorre o sumiço de um livro, aliás, exemplar único na Biblioteca Pública de Londrina. Indagados sobre o possível paradeiro, eles não se dão ao trabalho de sequer investigar (se está sendo restaurado, se está em atraso na entrega, etc.).
Estou necessitando de um livro de literatura inglesa que não existe na Biblioteca Central da UEL, uma das maiores, se não a maior de Londrina. Procurei-o na Biblioteca Pública, apenas por descargo de consciência; porém, para minha surpresa, havia o livro no catálogo. Anotei a referência e fui procurá-lo na estante. Não achei! Não estava fora de ordem. Ele fora furtado! O único exemplar do livro fora furtado! O pior é que ninguém faz nada. Talvez a culpa não seja mesmo dos funcionários, que não têm obrigação de ficar rigorosamente atentos ao entra-e-sai de usuários. Talvez a culpa seja do governo, que não toma providências quanto a este tipo de problema. A instalação de detectores eletrônicos, que soam quando algum usuário passa com livros públicos camuflados, poderia ser uma solução racional. Minha indignação é quanto a estes funcionários e chefias que ficam de braços cruzados esperando que o patrimônio dos estudantes seja levado por pessoas que se dizem educadas e educadas.
- SÔNIA FABIAN, estudante de Letras na UEL.
Joana DArc
Joana DArc morreu, virou santa mas está de volta. Retornou agora, na quase virada do século e está mais moderna (?) do que nunca. Parece que a inquisição voltou sob a forma de vandalismo juvenil piromaníaco incontrolável associado a um sadismo brutal e irracional. Foi anunciado que no final dos tempos o agente pivô da destruição seria o fogo... e que viria do céu. Mas vir do chão, de pessoas que nunca tiveram acesso ao botão vermelho, deflagrador da ira das potências, acho meio dissonante. Do jeito que a juventude (não digo todos) anda, sem horizontes, o que protestar? Encher a cara, encarar um fogo paulista e partir para o fogo na assepsia da palavra é questão de pouca coisa.
Basta uma briga com a namorada, um carro negado pelo pai, a busca de emoção ou, o que é pior, o vazio existencial que reside em determinados adolescentes que se julgam vítimas por ter sido criado por babás e empregadas, ou mesmo filhos de pais separados, frutos certeiros da sociedade, das classes média e alta. Estes alegam não ter como cuidar direta e intensivamente de seus pimpolhinhos e acabam por jogar a culpa de tudo em cima da televisão, que mostra um mundo perdido e decadente. Basta isso, aproveitando os festejos juninos, para sair por aí soltando balões de São João humanos.
Um alega que queimou por questões financeiras (além de estuprar), outros dizem que precisavam de emoção diferente. Enquanto o poder do terceiro mundo, formado pela Igreja e o Estado, reluta em aceitar, aprovar e implantar devidamente a pena de morte, barbaridades, crimes hediondos, porcarias, drogaditos sem instrução e principalmente a impunidade estarão espalhados por aí como andorinhas no verão. O que dizer e fazer se um crime é hediondo, o réu é confesso e as provas são evidentes? Direitos humanos... e os direitos das vítimas? Até quando suportar? Quando os sintomas se tornarem síndromes incontroláveis, insuportáveis e irreversíveis? Talvez até os religiosos cataclísmicos estejam com a razão: Jesus está mesmo para voltar. Há música no ar e o som vem das trombetas, não muito distantes.
- JOSÉ RICARDO DORTH CAVALHEIRO (Rick Dorth), de Londrina
Correção
O governo Jaime Lerner mudou seu slogan de Paraná, a transformação que a gente vê para Paraná, a transformação que a gente faz. E não Paraná, a mudança que a gente vê e a mudança que a gente faz, como foi publicado na página 6, da edição de ontem.
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