Orquestra Sinfônica
A Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) é hoje a melhor orquestra sinfônica do País. Isto graças aos esforços da Universidade, à direção competente dos maestros titular e adjunto, graças à serenidade e esforço do chefe da Divisão de Música, mas sobretudo graças ao trabalho de todos os assessores e dos músicos que trabalham o máximo que um músico pode trabalhar por dia (trabalho este nem sempre salarialmente compensador) e que procuram se aperfeiçoar, muitas vezes às próprias custas.
O esmero desta laboriosa equipe tem proporcionado a Londrina, ao Paraná e ao País, cerca de 70 concertos anuais. Estes concertos, oferecidos gratuitamente à população, são um serviço que a UEL realiza pela comunidade, alcançando cerca de 25 mil a 30 mil pessoas anualmente, sendo grande parte crianças, jovens estudantes universitários, aos quais são oferecidos os ‘‘Concertos Didáticos’’ que, além do aspecto lúdico, ainda proporcionam formação musical e o gosto pela boa música. Isto tem atraído a simpatia e o apoio constante de toda a comunidade. O Festival de Música é um dos trabalhos da Orquestra, ocasião que ela atua ao lado de grandes nomes da música internacional e também se aperfeiçoa nos cursos oferecidos pelo festival.
Os músicos e assessores da orquestra, dentro de seu direito de greve e em respeito à decisão de greve dos funcionários da UEL, também paralisaram suas atividades. Como não havia mais condições de ensaios e urgia decidir, fechar contratos, imprimir e distribuir a programação, a direção do festival que havia preparado cinco concertos para a orquestra no evento, após esperar até o limite máximo de tempo, comunicou-nos que, apesar das árduas substituições e com grande pesar, teve de realizar o festival sem a Osuel.
A orquestra estava consciente da grande perda que teria, e, mesmo com a possibilidade de ser liberada pelo comando de greve para trabalhar, resolveu optar pela paralisação, o que lhe era de direito. Esta opção da orquestra foi cuidadosamente respeitada e àqueles poucos que quiseram continuar trabalhando foi-lhes também dada oportunidade de trabalharem, porém, sem condições de realização de concertos com esta minoria.
A Orquestra Sinfônica do Paraná, que muitas vezes já abriu o festival, foi chamada no último momento e depois de muitos obstáculos, veio, realizou dois concertos. A comunidade sentiu e manifestou pesar pela a ausência da Osuel. Triste seria se ninguém tivesse percebido ou questionado esta ausência.
O fato de não ter participado do festival não pode e não vai diminuir o respeito, o apreço e o apoio que a comunidade sempre tem dado a nossa orquestra, que já é um patrimônio da cidade.
- ALCIDES V. DE CARVALHO, diretor da Casa de Cultura da UEL
Miséria
Segundo o pesquisador americano, economista e autor do livro ‘‘O subdesenvolvimento está na mente’’, grande parte da estagnação do desenvolvimento e o baixo desempenho econômico está enraizado na forma de pensar dos países em desenvolvimento. Não foi meu espanto ao assistir ao filme ‘‘Missão Impossível 2’’ ao apreciar a ficção do cinema americano. O bom menino sempre (Tom Cruise) passa dos limites para superar o bandido e seus cúmplices.
‘‘Missão Impossível 2’’ deixa qualquer ‘‘007’’ no chinelo, tanto nas façanhas do detetive como em riqueza do elenco e cenário, motos turbinadas, lanchas potentes, aviões, helicópteros, informática e tecnologia e com todos os figurantes representando gente capaz e inteligente regada a muita marmelada e mentira cabeluda. Ironicamente, antes do filme americano, passou um trailler do filme nacional ‘‘Nós, Tu, Eles’’ , com artistas de primeira categoria da televisão.
Infelizmente, nosso cinema insiste em mostrar ao mundo a miséria do interior do Nordeste como um troféu. A estória berrante de uma mulher miserável morando num casebre com chão de terra e convivendo com três maridos. Esse filme faz lembrar o filósofo e sociólogo alemão Max Weber, cuja teoria era baseada na cultura de uma nação, pois ela pesa, determina, inclina e acaba por decidir quais das nações que irão prosperar e quais as condenadas à pobreza. Nada mudará, segundo o sociólogo, se o povo não incorporar em seus hábitos crenças e valores dignos de beleza e qualidade.
Constrangedor seria pagar para assistir a um filme que, além de não divertir, mostra um quadro parcial de um país como o Brasil. Será que os diretores de filmes que exaltam os matrapilhos como ‘‘arte’’ nunca leram Jorge Amado, Ruy Barbosa, Rachel de Queiroz, João Cabral, Dias Gomes ou Chico Anisio, já que insistem em mostrar um Nordeste miserável e decadente. Enquanto isso assistimos à aberração e o mau gosto como forma de arte. Tenho saudade de Mazzaroppi.
- GLAUCO ANTONIO VIEIRA BORBA, Londrina
Talento
Considerada mercado-teste, Curitiba sempre teve a fama de ser altamente exigente com tudo: produtos, artistas, eventos, eram primeiro lançados aqui. Caso passassem pelo crivo do público local, fariam sucesso em qualquer lugar do mundo, afirmava-se. Ainda hoje se faz isso, como na recente estréia nacional da Marisa Monte, no Guaíra. Se essa cultura da intransigência imprimiu na capital paranaense um ar de seleta e arrogante, não se pode esquecer que também criou um processo autodestrutivo no que diz respeito a nossos valores locais. Afinal, se somos tão detalhistas e intolerantes com quem vem de fora, o que não dizer da peneira que nós mesmos armamos para filtrar quem de fato tem talento dentro de nossas fronteiras.
Há quem diga que só se faz sucesso no Paraná quem sai daqui para conquistar espaço lá fora. Aí sim, volta aplaudido, reconhecido e elogiado. Temos a platéia mais difícil do mundo. No meio empresarial não é diferente. Entre muitos anunciantes prevalece a crença de que aqui não temos agências de comunicação que possam dar conta de um trabalho eficiente e criativo. E isso parece resistir a fatos incontestáveis: temos agências premiadas aqui e no exterior, clientes de porte que nunca precisaram sair de nosso território para obter comunicação de qualidade e profissionais absorvidos por outros mercados, provando que nossa competência vem atravessando fronteiras e atingindo reconhecimento por toda parte.
Não se trata de segregar ou levantar bandeiras pela comunicação paranaense, mas precisamos saber valorizar o talento local. É preciso levantar um alerta ao mercado publicitário paranaense e aos anunciantes que ainda insistem em apostar no falso status de ter uma agência de fora – incluam-se aqui até mesmo órgãos oficiais, os quais deveriam ser os primeiros a dar exemplo no prestígio pelo profissionalismo local. Se eles próprios não valorizam nossa comunicação, quem irá fazê-lo?
- MARILDA PRÉCOMA, vice-presidente da Asssociação Comercial do Paraná em Curitiba
Correção
- A empresa New Holland é a terceira colocada no ranking da edição ‘‘Melhores e Maiores’’ da revista ‘‘Exame’’. Em reportagem publicada no domingo passado, a Folha atribuiu à empresa o segundo lugar na lista, que na verdade pertence à Cooperativa Coamo, de Campo Mourão.
- O telefone da Receita Federal para informações sobre restituição do Imposto de Renda é 0300-780300.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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