Greve (1)
A Acil e o Sindhotel publicaram na Folha do dia 6 (página 5), um manifesto pedindo o consenso dos grevistas (da UEL) preocupados com o os estragos que a possível não realização do vestibular poderia causar em seus ganhos. É público e notório que o vestibular é em excelente negócio para o comércio londrinense e um complemento necessário ao orçamento da universidade, pois é com esse dinheiro que se faz a expansão e a manutenção do câmpus, mas é de duvidoso retorno acadêmico.
É interessante observar que as mesmas entidades não se preocuparam com a greve dos professores do ensino fundamental e médio da rede pública e jamais, em momento algum, por ocasião de outros movimentos estas entidades vieram a público, ou se colocaram à disposição para gestionar ou pressionar o governo, os deputados para que dessem atenção aos reclamos dessas categorias. Nunca estiveram de nosso lado.
Ficamos sempre sós, fomos tratados como párias ou bandidos pelo governo e elas, sabendo quem somos, o que fazemos, o que representamos, não se manifestaram. A universidade ganhou projeção nacional graças aos seus alunos, funcionários e professores. A universidade é Classe A, enquanto os salários dos que nela labutam são ridículos, assim como são ridículos os salários dos professores da rede pública. Estes salários nos coloca fora do mercado, e portanto não temos importância.
Voltamos para as salas de aulas após uma acalorada e linda assembléia. Voltamos para não comprometer o ano letivo, para não prejudicar alunos daqui e de outros Estados, não voltamos pelo manifesto, mas solicitamos que seus patrocinadores, reivindiquem e pressionem o governo do Estado para que coloque no seu orçamento o reajuste que nos é devido, com o mesmo empenho e presteza que nos solicitaram para retornar as atividades.
- TARCÍSIO MARTINS, professor, Londrina
Greve (2)
O Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina e região, como representante legal dos lojistas de Londrina e 38 cidades coirmãs, vem a público manifestar seu apoio às reivindicações feitas pelos funcionários, professores e alunos da UEL, com uma ressalva: ainda que sejam justas as solicitações, não podemos concordar com o instrumento utilizado. A paralisação do trabalho vem prejudicando pessoas e colocando em risco vidas (Hospital Universitário) e destruindo uma das poucas, senão a única, entidade que ainda reside em nossa cidade com credibilidade.
Estamos vivendo sobre os escombros e assistindo passivamente ao desmanche de estabelecimentos e serviços. Escolas tradicionais de nossa cidade, como o Colégio Hugo Simas, vivem hoje no abandono. Os cidadãos já se conformaram com a morosidade dos serviços públicos, com as lotações dos hospitais, como as macas pelos corredores, com a infecção hospitalar e a precariedade brasileira de muitos outros serviços.
Por tudo isso não podemos, como entidade representativa que somos, concordar que a Universidade Estadual de Londrina chegue nestes mesmos patamares. A comunidade de Londrina precisa da UEL – comércio, bares, hotéis, famílias, etc. – e é urgente que se opte pelo trabalho. Não podemos colocar em risco o vestibular e desrespeitar 20.663 estudantes de outras cidades (de um total de 28.090 inscritos) que aguardam pela chance de uma vaga na UEL. Apoiamos as reivindicações e nos colocamos à disposição para lutarmos com os professores, funcionários e alunos, mas clamamos para o bom senso e o retorno definitivo ao trabalho.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente, Londrina
Greve (3)
Aos doentes e a todos aqueles que, em má sorte, venham a adoecer nestes dias: é difícil entender, que concordar não se pode mesmo, onde está a lógica perversa de que a dor e a angústia de milhares de crianças, adultos e idosos doentes possam auxiliar em qualquer greve. Serão sempre vítimas inocentes, como os aposentados: não podem fazer greve, já que ninguém perceberá.
É exatamente este ponto essencial que separa a civilizade, desta brutalidade, que Londrina e a enorme legião de pacientes de toda a região assistem há semanas. O direito a serviços essenciais não pode sofrer retrocessos que são característicos das tiranias e dos regimes discricionários. Negar atendimento ao doente, a quem sofre, para exigir algo, é afrontar o direito mais fundamental de democracia. Quem o faz, realiza a contradição mais clamorosa da cidadania, não podendo, pois, a ela jamais recorrer como pretensa justificativa do sofrimento que todos testemunham. Que a memória de cada um que assiste a este caos programado lembre estes dias.
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, Londrina
Greve (4)
Em resposta à carta do leitor Aristides Makowich, publicada dia 5, os músicos da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), também funcionários da UEL, esclarecem: quem acompanha de perto a vida cultural de Londrina é sabedor da significativa contribuição que a Orquestra Sinfônica da Universidade de Londrina tem prestado ao desenvolvimento da cidade, atingindo uma média de público de 70 mil pessoas nos últimos três anos, em atividade de caráter artístico pedagógico.
Lamentamos, portanto, que a ausência da Osuel do 20º Festival de Música de Londrina esteja sendo interpretada e anunciada como atitude de desmazelo e intransigência com Londrina. A Osuel se colocou à disposição da direção do festival para participar, desde que a greve dos servidores da UEL estivesse interrompida. Portanto, se a Osuel não está enriquecendo o 20º Festival de Música é porque a decisão da participação da orquestra ficou a cargo da direção dele.
- FLÁVIO COLLINS COSTA, músico e representante dos músicos da Osuel
NR. A greve na UEL foi suspensa na quinta-feira e a greve no HU ontem.
Correção
- A Folha errou ao dar ontem, na primeira página, que Carmem Wachowicz, a mulher do prefeito de Araucária, Rizio Wachowicz, e secretária municipal da Assistência Social, foi presa pela Polícia Militar por estar distribuindo cestas básicas de forma irregular no município. Na operação, foram presos a assistente social e um motorista da prefeitura que faziam a distribuição, como está explicado no texto da página 6 e não a mulher do prefeito como afirmou a chamada da capa.
- A assessoria de Imprensa do Hospital de Clínicas enviou fax à Redação esclarecendo que o HC está participando de forma inédita de pesquisa clínica internacional sobre um novo medicamento que atua contra o vírus influenza, agente causador da gripe, tema de reportagem da Folha na edição do último dia 6 de julho. O HC informa que a pesquisa não é exclusiva e que está sendo desenvolvida de forma conjunta com outros países.
- Na notícia de ontem sobre a desistência dos ciganos em reconhecer seus direitos como cidadãos, há uma incorreção quando se menciona a secretária da Cultura Lúcia Camargo. É o Ministério Público quem está investigando as ligações da secretária com o grupo do Festival de Teatro e não a
Procuradoria-Geral do Estado (PGE). A PGE, pelo contrário, cuida da defesa de Lúcia Camargo contra o líder cigano Claudio Domingos Iovanovitchi.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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