Orquestra Sinfônica (1)
Admirador da nossa Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), tenho justo orgulho dela, dos seus músicos e do nosso maestro Norton Morozowicz. São raras as cidades desse mundo que podem se orgulhar, como nos orgulhamos, de uma orquestra sinfônica do nível da Osuel. Gosto de música e poucas vezes faltei com meu aplauso nas apresentações da nossa orquestra. Esperava repetir esse gesto de afeto, carinho e reconhecimento nesse 20º Festival de Música. O movimento grevista (da UEL) frustrou minha expectativa. Não quero polemizar, mas achei que a carta, lamentando a ausência da orquestra no festival, resumiu o estado de espírito das pessoas que amam e prestigiam a Osuel. Foi oportuna e bastante educada. Se (o autor) criticou a decisão dos músicos, que perderam excepcional oportunidade de demonstrar profissionalismo, o fez com elegância, reconhecendo os efeitos das injustas restrições salariais.
Achei apaixonada a réplica de um dos músicos confundindo autonomia e democracia (carta publicada ontem). Em oposição à batuta do regente, seria terrível para nossos ouvidos a ampla autonomia, total liberdade e irrestrita democracia. Há limites que devem ser respeitados. Quanto ao futuro da orquestra, é bom lembrar a observação de B. Shaw: ‘‘Temos tempo bastante para pensar no futuro quando já não temos futuro em que pensar.’’
- JOSÉ DE ALENCAR SOARES CORDEIRO, advogado, Londrina
Orquestra Sinfônica (2)
Disseram nesta coluna que os músicos da Osuel não atenderam aos apelos da maestro atual. Que eles foram indiferentes e preferiram aderir à greve dos professores e funcionários da UEL. Os músicos também são funcionários com muitos anos sem reajuste salarial. Desta vez, foram sensíveis aos apelos de outros ‘‘maestros’’. Maestros das salas de aulas, maestros incógnitos e sem gestos, sem sorrisos... sem dentes, carregando pelos câmpus do País o pesado saco do achatado salário.
Desta vez, dia 1º, na abertura da 20º FML, estiveram no palco músicos mais bem tratados, vindos da capital do Estado. Nós os admiramos. Eles nos olham admirados e não entendem por que estamos com salário achatado. Se somos do mesmo Estado, todos não deveriam ser bem tratados? A música é universal mas o trato não é nem estadual.
Já estivemos tocando no Palácio. O governador ouviu o som e as palavras do maestro e do reitor. Esse foi o único contato da Osuel com autoridades do governo, surpreendidas com o alto nível musical da nossa orquestra. Então, caro leitor e admirador de sinfônicas, não foi bom que a Orquestra Sinfônica do Paraná tenha se apresentado na seara dos pés-vermelhos? Os ouvidos puderam perceber que, embora não tenhamos as benesses palacianas, somos zelosos e amamos tanto o nosso trabalho que mesmo inadimplente na praça, com pouca crina no arco, breu despedaçado, encordoamento vencido, bocais, sapatilhas e palhetas gastas e sem local fixo para ensaios gerais, ao longo dos anos temos produzido e crescido. Compare os sons! Até os desguarnecidos, no momento mágico do palco têm conseguido, a duras penas, agradar atentos ouvidos, como se da corte tivessem vindo!
- OSÉAS PEÇANHA NASCIMENTO, músico, Londrina
Conivência corruptiva
Frente aos últimos acontecimentos de corrupção, ocorridos em muitas cidades brasileiras, é comum ouvirmos que a população dos bairros, ou seja, a população mais pobre é conivente com o desmanche do erário das prefeituras. Sem sombra de dúvida isto não é verdade ou simplesmente um motivo para mais uma vez desrespeitar os direitos que os pobres adquiriram por lei. A falta de estudo tem contribuído sim para que as eleições fiquem por conta da demagogia, mas apenas com esta observação não podemos conhecer os verdadeiros culpados, suas consequências e conivências. O eleitor de bairro ou o eleitor pobre, tem contato com o candidato apenas na época da eleição; portanto, não seria ele quem iria comprometer uma eficiente e honesta administração.
O não saber escolher o candidato também não é motivo, pois no Brasil isto não é privilégio de pobre. Analisando com bastante imparcialidade, verificaremos que existe, neste universo da política, uma camada diferente, normalmente formada pelos chamados chupins ou puxa-sacos. Estes, com certeza, não são os pobres e nem os analfabetos mas sim os próprios coniventes com as corrupções. Se analisarmos mais atentamente, verificaremos que os bairros são formados por pessoas honestas e trabalhadoras, carentes de ajuda, mas que acima de tudo, reclamam por honestidade e transparência, não se omitindo em vibrar com as denúncias de corrupção e as consequentes punições.
Os bairros, como parte viva da sociedade, estão despertando para a realidade que os envolve e, com certeza, a partir deste outubro teremos uma grande transformação. O Brasil precisa de transparência, e isto vamos fazer começando pela nossa querida Londrina.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Patrulha escolar
Há muito imperava a violência nas escolas do Paraná. A comunidade escolar vivia aos sobressaltos com gangues infiltradas nas escolas, viciando crianças, repassando drogas, fortalecendo os grandes cartéis. Os prédios, patrimônio coletivo, erroneamente entendidos como de ninguém, eram pouco a pouco depredados, tornando-se deprimentes depósitos de crianças. A escola convivia com o medo. Sobrevivia vendo roubos, briga de gangues, comércio de drogas, inocentes sofrendo ou se aliando à violência. Tudo ia mal, até que chegou ao Estado um parceiro de peso, comprometido, capacitado, motivado, que conseguia resolver os problemas de forma ágil, desburocratizada e sem ferir o tal estatuto. A escola voltou a sorrir, os alunos deixaram de ter medo, os professores e administradores começaram a ter confiança no amanhã, os pais sentiram-se aliviados pela certeza de que seus filhos estariam seguros, longe das drogas.
Mas o que é bom nem sempre dura. Os governantes decidiram utilizar os anjos escolares, treinados para o trabalho com violência infanto-juvenil, para correr atrás de traficantes, bandidos qualificados ou simplesmente cuidar de furtos ao comércio local. Quanto talento mal-empregado. Caminhando ainda para trás, resolveram criar fichas e relatórios para burocratizar o trabalho dos nossos anjos e colocá-los sobre motonetas que retiram suas asas, tornando-os lentos para acompanhar o crime. Era uma vez um amigo da escola. Queremos a Patrulha Escolar de volta, não pela metade, mas por inteiro, com nossos patrulheiros treinados, sem burocratização, com seus carros e competência. Não queremos caminhar para trás como caranguejos. Somos educadores, responsáveis pela edificação do futuro. A lógica da humanidade é caminhar pra frente.
- MARIA LUIZA CORREA BASTOS, diretora da Escola Estadual Professor José Carlos Pinotti em Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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