O leitor escreve
Mazelas
Como leitor diário deste jornal, proponho a abertura de espaço para que a comunidade possa debater os rumos da sociedade brasileira. Não sei de que modo isso pode ser feito, mas creio que este veículo de comunicação achará o caminho. Talvez pelo meu ceticismo, não vejo com bons olhos a forma como o nosso País vem sendo administrado. A exemplo do México e da Argentina, escancaramos as portas do Brasil para o FMI (Fábrica de Miséria Internacional) administrar nossas finanças e a cada dia que passa aumenta o fosso entre os que têm muito e os que têm muito pouco, com a classe média encolhendo a olhos vistos.
É cada vez mais insuportável observar que os homens que governam este País não têm compromisso nem mesmo para com os seus próprios descendentes, pois se o tivessem estariam trabalhando para o bem deste País. Estariam trabalhando para dar maior transparência às contas públicas. Não legislariam em causa própria. Trabalhariam para dar um pouco de esperança para um povo que se desespera. E um povo sem esperança se torna violento, não conta com nada e com ninguém. Parte para o vale-tudo. Aliás, o mesmo jogo da elite econômica que manda nas finanças.
A diferença é que esta elite tem as leis ao seu lado. Arapucas feitas para os outros. Se os tribunais de conta funcionassem neste País, com certeza nem os conselheiros deste tribunais escapariam da Justiça. Se de repente a Justiça viesse a funcionar, quantos homens que trabalham nos tribunais de Justiça escapariam? Não nos iludamos. Os caminhos para a democracia são tortuosos e cheios de surpresas desagradáveis. Até quando vamos admitir que a apatia e ao mesmo tempo a violência, que me parece a guerra dos miseráveis (dos sem-terra, sem-teto, sem-nada e até sem-esperança)? E sem esperança nenhum povo é capaz de superar suas mazelas.
- UESLEI TEODORO, professor universitário, Maringá
NR. A seção O Leitor Escreve, que o próprio leitor está utilizando, é um desses espaços defendidos por ele.
Trânsito
Em resposta à carta de Verlanea Dal Molin, publicada nesta seção dia 1º, a respeito de uma suposta Cherokee que estava dando ré de aproximadamente 80 metros na Rua Professor João Cândido no dia 30 de junho por volta da 10h30, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem a informar que dois agentes de trânsito presenciaram a infração, sendo que esta foi cometida por um veículo da marca GM, modelo Blazer, e não por uma Grand Cherokee, como afirmara a leitora.
Porém, antes de ser autuada pela infração ao artigo 194 do CTB transitar em marcha ré, salvo distância necessária a pequenas manobras a condutora foi orientada e advertida com silvo pelos agentes, mas persistiu em sua intenção, infringindo as leis de trânsito. O auto de infração e o relatório diário dos agentes de trânsito, com a descrição do fato, estão na CMTU, para tramitação legal da autuação.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA DA CMTU, Londrina
Magistério
Li na Folha do dia 1º: Juízes e promotores ganham aumento. Nada mais justo e tem o nosso apoio. Isto porque é necessário que haja reposição salarial para compensar as perdas havidas com a constante alta da energia, telefone, água, gasolina, remédios, planos de saúde, o açougue, o mercado etc. Enfim, o poder de compra tem acompanhado a constante elevação do custo de vida. Como fica a situação salarial do magistério público e demais servidores? Nunca se viu tanta palhaçada praticada contra os servidores públicos, como está havendo hoje. Às vezes me questiono se merecem mesmo melhor tratamento.
O professor tem de ensinar melhor para não ter de reclamar no futuro. O professor tem que parar de dar milho pra bode e começar a influir e participar das decisões políticas. Nos últimos anos, o professor se contentou com o não da Secretaria da Educação e as homenagens feitas em seu dia. O professor tem de parar de se contentar com a comparação de que exerce o sacerdócio. Tem de abrir os olhos e começar a pensar não só nos filhos dos outros, mas nos seus também. Hoje o professor dá tudo de si aos seus alunos, deixando seus filhos em segundo plano. Nem tempo sobra para sua própria casa. Quem sabe, se o professor participar mais da vida fora da sala de aula a visão sobre a vida será maior.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, advogado, Ribeirão Claro
Determinismo
A idéia do destino surge a partir de uma conclusão retrospectiva, que emerge ex post facto, ou seja, depois da ocorrência dos acontecimentos. Já o acaso, pelas características de sua imprevisibilidade, refere-se sempre às ocorrências que poderão advir. Isto tudo não faz nada mais do que reforçar a nossa insegurança quanto aos imprevistos, aos quais desejamos superar de todas as formas. O destino é a versão popular para um dos conceitos mais caros na mente de grandes filósofos: o do determinismo universal. Desde os estóicos, passando por Platão até Descartes e Einstein, o pressuposto é a lógica férrea do encadeamento inexorável dos acontecimentos a partir de suas condições prévias.
Sem dúvida, a partir do momento em que passamos a ver todo fato como consequência natural de seus antecedentes, fica lógico que não há lugar para o arbitrário, de vez que qualquer fato acontecido já estará implícito em seus próprios condicionantes. O acaso seria apenas a nossa ignorância da interação ou confluência de várias condições atuando simultaneamente.
Não obstante, como entre o rigorismo do entendimento lógico e a realidade empírica permeia o abismo entre razões e fatos, fica mais fácil explicar tudo como fruto do mero acaso, ocorrido por via de coincidências aleatórias não previstas. E assim tudo passa a perder o sentido, como fortuidades de acontecimentos incoerentes. As consequências disso são facilmente detectáveis, quando as pessoas não só perdem a fé numa transcendência que tudo tivesse planejado anteriormente, como ficamos todos à mercê de forças ocultas e misteriosas que necessitamos invocar se quisermos estar a salvo de tantos imprevistos funestos.
Henri Laborit, em seu livro Deus não joga dados, sugere-nos que a descoberta do segredo dos segredos consiste no reconhecimento de que a realidade oscila do determinismo do infinitamente pequeno para o improvável do infinitamente grande, que, de uma forma ou de outra, retorna às suas origens, enriquecido. Dessa maneira, importa que fiquemos prevenidos e atentos ao desenrolar dos acontecimentos, sem descurar de nossos esforços, seja para apressar que se realizem nossos elevados ideais de amor e beleza, seja, ao contrário, evitando que coisas más se concretizem.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor universitário, Curitiba
Correção
- Houve erro de digitação na notícia Irmão religioso disputou prêmio em 1989, publicada ontem pela Folha. Onde se lê: Ele e Zilda tiveram uma conivência bastante próxima durante a ditadura, o correto é: Ele e Zilda tiveram uma convivência próxima durante a ditadura.
- Na edição de sábado, na notícia Zappa e Valeixo abrem crise no Poder (Judiciário), em vez de serventuários, a Folha quis dizer que o desembargador Valeixo goza de prestígio junto aos servidores do Judiciário.
- Ao contrário do que foi publicado na edição do último domingo, sobre a sucessão na Prefeitura de Londrina, na eleição majoritária o PHS se coligou com o PSDB e não com o PT.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





