O leitor escreve
Sem-terrinhas
Fiquei estarrecido ao ler a notícia publicada na edição de ontem intitulada Filhos de sem-terra invadem prefeitura. Não bastasse ao MST usar as crianças como escudo nos acampamentos, submetendo-os ao frio e à precariedade de condições para sensibilizar a opinião pública, agora estes pobres inocentes em vez de estudar ou brincar, estão sendo treinados para invadir. Está surgindo uma facção mirim do MST. É o sinal dos tempos, só pode ser.
E não me venham com o discurso vazio de que a cidadania se aprende cedo, de que isto só acontece porque os pais não têm como lhes dar melhores condições... Ou então, teremos que achar normal que crianças trabalhem em minas de carvão para ajudar suas famílias. Gostaria se saber o que pensam as autoridades, a Vara da Infância e Família pensam disso? E como fica o Estatuto da Criança e do Adolescente. Será uma prática moralmente aceita em nossa sociedade incitar crianças e invadir prédios públicos? Ou alguém acredita que esta foi uma iniciativa das próprias crianças?
- WALTER MARINHO FALCÃO, diretor da Sociedade Rural do Paraná, Londrina
Infecção hospitalar
Assunto tenebroso. Verdadeira caixa preta dos hospitais. De quando em quando lê-se que uma campanha vai ensinar médicos e enfermeiras lavar melhor as mãos. E é só. O número de ocorrências de que se tem notícia extra-oficial é alarmante. Quem em Londrina não tem um parente ou conhecido que não tenha morrido ou passado por sérias consequências oriundas desse flagelo? À Associação Médica de Londrina interessaria um posicionamento crítico e público a respeito? Afinal, quando um indivíduo caminha para uma cirurgia, sabe de antemão que poderá morrer por infecção hospitalar. Possibilidade nada remota.
Quando ocorre a infecção, o paciente ainda arca com despesas adicionais monumentais e ninguém é responsável. Fica tudo encarado como falta de sorte. É preciso estabelecer parâmetros, nacionais ou estrangeiros, para que se possa não só atribuir responsabilidades, mas também definir metas a serem alcançadas, algo verdadeiramente civilizado. Que tal tornar obrigatória, por parte dos hospitais, a divulgação mensal do nível de ocorrência? Tudo auditado, claro.
- CELSO MORENO BIZARRO, Londrina
Praça
Querem cercar a Praça Nossa Senhora de Salete! O Centro Cívico (em Curitiba), como local de agrupamento dos principais influentes do governo, lugar onde se reúnem o Palácio do Governo, Secretarias de Estado, Tribunal de Justiça, Assembléia Legislativa, Prefeitura Municipal e uma quantidade enorme de prédios públicos de cunho patriótico e próprio de cidadão concernente como membros do Estado, é, no mínimo estranho que se pretenda adensá-lo com mais outra função alienígena à proposição urbanística principal.
O fato de haver sido desvirtuada a filosofia concepcional da praça em governos passados, não justifica dar-se continuidade em erros, como quer a atual Administração Pública. Quando o presidente do Ippuc brada Quando os sem-terras deturparam o caráter da praça, ninguém protestou com a construção de padarias e casebres no local, até parece que quem permitiu aquele assentamento estranho e temporário (seis meses) não foi o governo deles mesmos.
Nosso maior medo é que este mesmo governo quer enfiar goela abaixo dos nossos vereadores uma proposta de legislação urbana que não condiz com os anseios nem da população e, muito menos da comunidade científica do nosso Estado do Paraná. A vaidade dos cercadores de praças impede que sejam feitos concursos de projetos de arquitetura e urbanismo, empobrecendo sobremaneira nossos profissionais e nossas escolas. Como disse o arquiteto e urbanista Orlando Bussarello: Duas gerações de arquitetos urbanistas da iniciativa privada formados nas décadas de 80 e 90 estão fora do processo de planejamento urbano da cidade de Curitiba. Da mesma forma com que a atual administração pública vem cerceando nossa criatividade, não satisfeita, quer cercar nossos espaços físicos.
- MARCO ALZAMORA, arquiteto, Curitiba
Pesquisa
A pesquisa ainda é considerada, no Brasil, algo excepcional a que se dedicam mentes privilegiadas que vencem o funil da pós-graduação. Na graduação há programas restritos, como o Programa de Extensão e Treinamento (PET), que vivem sob ameaça de corte de verbas. No ensino médio, o incentivo é quase nenhum no máximo, fundações e órgãos de fomento tentam despertar os jovens oferecendo prêmios para bons trabalhos. Ou seja, a pesquisa é totalmente dissociada dos currículos e o processo ensino-apredizagem na educação básica abafa o espírito científico nos alunos. É improvável que, com visão tão estreita, um dia tenhamos uma população de pesquisadores condizente com as dimensões e necessidades do País.
A pesquisa não pode mais ser atividade reservada àqueles que, já no ensino superior, demonstram talento nato para as ciências. Muitos educadores dessa área já admitem que ela precisa ser retirada de seu pedestal para nortear o processo de aprendizagem desde o início do ensino fundamental. Crianças são pesquisadoras por natureza, sempre ansiosas por entender e modificar o mundo em que vivem. Pena que este espírito investigativo nato costume ser literalmente massacrado por um sistema mais preocupado em transmitir conteúdos rígidos e conceitos pré-estabelecidos.
Hoje temos 50 milhões de alunos no ensino fundamental e médio. Um potencial e tanto. Estimular neles a prática da investigação é uma medida que pode mudar a cara do Brasil do futuro. O MEC, em suas diretrizes curriculares, deixa claro que nosso sistema de ensino precisa se adaptar às necessidades da era da informação. Ou seja, deve formar profissionais seguros, empreendedores, capazes de tomar iniciativas e descobrir soluções para novos desafios, sem medo das surpresas que nos reserva a chamada sociedade do conhecimento. Mas esses profissionais-pesquisadores, com certeza, não surgirão de um sistema de ensino castrador e preguiçoso.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, Rio de Janeiro
Correção
- O 25º Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho está recebendo inscrições até dia 27 de julho e não até 27 de junho como foi publicado em nota na Folha2. Mais informações podem ser obtidas nos seguintes telefones: (043) 527-1200 (ramal 329) ou 525-2824
- O chefe do IML de Campina Grande do Sul, Carlos Alberto Peixoto Baptista, enviou correspondência à Folha contestando notícia publicada na edição de terça-feira, no caderno de Cidades. No texto encaminhado à Redação, ele alega não ter usado em momento algum o termo cartelização no setor de funerárias. Carlos Alberto diz ter se restringido a questões técnicas como o comadato firmado entre as funerárias, a prefeitura e o governo do Estado; e a liberação de corpos, que, segundo ele, não é da alçada do IML e sim da prefeitura, que regulamenta tal procedimento.
- A taxa de crescimento do Estado, publicada ontem na notícia sobre o inchaço das cidades-pólo e medida no último censo do IBGE, é de 1,3% e não 1,6%.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





