O leitor escreve
Suspeição
Segundo o memorável e saudoso jurista De Plácido e Silva, suspeição de parcialidade tem por finalidade de afastar do processo a pessoa cuja suspeita é suscitada. Pode se fundar na íntima amizade, na inimizade capital, no parentesco até o terceiro grau ou no interesse particular que o suspeito possa ter na própria questão. Porém, o mesmo jurista assevera que pode haver a suspeição provocada, aquela que decorre de ato, propositadamente executado pela parte, na intenção de criar uma das circunstâncias legais, que autorizam a exceção. É o que está ocorrendo em nossa Câmara de Vereadores, ou seja, criou-se uma suposta suspeição de alguns vereadores, de forma provocada, o que, em última análise, se mostra ineficaz.
Outro item que deve ser observado é que o presente caso é político e não jurídico. Sendo assim, a suspeição invocada deve ser ignorada, pois político tem posição definida, deve seguir a posição de seu partido. Em nossa Câmara de Vereadores (de Londrina) existem dois blocos: o de sustentação do honestíssimo prefeito e o bloco de oposição. Nesse caso, como poderá o vereador se tornar suspeito, se o mesmo está defendendo uma posição partidária? Se este for o entendimento, e parece ser o do nobre juiz da 7ª Vara Cível, então, por lógica e simetria, todos os edis de nosso Legislativo se tornam suspeitos, impedidos de declararem sua vontade, visto que possuem alguma ligação no caso, ou como opositores do prefeito ou como seus defensores. Porém, apenas dois vereadores foram considerados suspeitos.
Suspeita é a decisão do ilustre juiz, que em poucas horas deu sua decisão a favor da suspeição dos dois vereadores. Suspeita é a posição da sociedade acerca do desfecho dessa novela mexicana que se formou em nossa bela cidade. Suspeito é o parecer do jurista Celso Bastos a respeito do voto ser secreto. É meus amigos, o pavio já está aceso e falta muito pouco para estourar uma guerra civil em nossa cidade.
- RÔMULO FABRÍCIO ANTUNES, acadêmico de Direito, Londrina
Dinheiro desviado
Todos já estamos saturados de saber que dinheiro do município de Londrina foi desviado. O que ninguém propôs ainda é onde e como utilizar os recursos que com muito custo serão recuperados? Tenho como proposta utilizar esses recursos tão somente para obras de melhoria nas favelas e nos assentamentos, legalizando e dando vida digna a esses excluídos. E por que proponho isso?
Observando a reportagem publicada na Folha de 21 de maio, página 10 do primeiro caderno, notamos uma inversão de valores e condicionamento de dependência que o prefeito afastado mantém com as pessoas carentes. Com o título Invasões assumem culto a Belinati, deparamos com posicionamento de pessoas que colocam o senhor Antonio Belinati como um um semideus na eterna esperança de obterem a legalidade nos seus terrenos e melhoria de vida. Porém, a mesma matéria mostra que assim que as pessoas obtém a tão sonhada melhoria de vida, afastam-se desse mito.
Pergunta-se: seria intenção melhorar a vida desses desafortunados ou é bem melhor mantê-los nesse eterno estado de esperança? Recuperando ao menos os R$ 16 milhões já comprovados, é possível construir dezenas de postos de saúde, creches, escolas e casas populares. O Rotary Club internacional tem projetos encaminhados no mundo todo na construção de casas populares (sem superfaturamento) por US$ 2 mil (aproximadamente R$ 3.600), o que resultaria em perto de 5 mil casas. Seria imprescindível que na placa de inauguração de cada obra dessa, fosse escrito: Essa obra foi construída graças a recursos que foram desviados e hoje recuperados. Para que os excluídos nunca se esqueçam que nunca tiveram um pai mais sim um padrasto e daqueles bem malvados.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, Londrina
Pedágio
O pedágio nas estradas paranenses continua a ser causa de irritação para os usuários e de asco do governo Lerner. E por que não do FHC? O meu, o seu e nosso dinheiro continuam a pagar por coisas que não estão sendo feitas. Depois que as empreiteiras fizeram a maquiagem das estradas, logo no início da privatização, nada mais foi feito, a não ser o roçamento de mato nas margens da pista. Nem sequer as faixas central e lateral têm merecido os cuidados que deveriam ter. Quando ligamos para 0800 a recepcionista nos diz que os técnicos da empreiteiras estão atentos para os problemas das rodovias e que a manutenção tem sido feita.
Talvez nós é que não estejamos vendo as faixas pintadas com tinta virtual, em rodovias virtuais, dadas graciosamente pelo governador virtual Lerner. Seria muito bom que o governador e o secretário dos Transportes virtuais do Paraná deixassem de andar de avião por um tempo e sentissem o drama de quem viaja nas rodovias pagas com o meu, o seu e o nosso dinheiro. Sugiro que viagem numa noite chuvosa e dirigindo veículos próprios para apreciar melhor a segurança nas estradas.
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Dignidade e trabalho
O estudante Jossan Batistute, em carta publicada terça-feira, mostra-se chocado pelo fato de que há pessoas que empurram (ou puxam) carroças pela rua, na maior parte catadores de papel. E considera que este tipo de atuação, que ele diz nunca ter visto, representa uma ofensa à dignidade da pessoa humana.
Permito-me discordar. Bem antes do estudante ter nascido, há 50 anos, eu empurrava uma carroça, pelas ruas do Bairro Ipiranga, em São Paulo, carregada de colchões. Eu era o entregador e a carroça pesava. Cheguei a fazer carretos até São Caetano do Sul, quando a carga era insuficiente para valer a entrega de caminhão.
Nem então, menos ainda agora, senti que aquela tarefa reduzia minha dignidade. Ao contrário, era um trabalho, duro, mas digno e decente. Hoje, quando está ainda mais difícil encontrar trabalho, empurrar carroça, catar papel, recolher coisas para vender é apenas uma evidência de vontade de trabalhar. O que é preciso, penso, é que os motoristas respeitem os empurradores de carroça que, dignamente, tentam ganhar a vida.
- ESTELIO FELDMAN, jornalista e ex-empurrador de carroça
Expoasa
Caro João Milanez: servimo-nos da presente para externar os nossos mais sinceros agradecimentos pela honrosa presença de vossa senhoria por ocasião da abertura da 57ª Expoasa no dia 10 passado, que sem dúvida foi motivo de muito orgulho. Outrossim, externamos nossos agradecimentos pela divulgação do evento nesta conceituada empresa jornalística.
- TAKEO TSUMANUMA, presidente da Liga das Associações Culturais de Assaí
Correção Na primeira página de ontem, a Folha errou ao citar, em infográfico da France Presse, o Troféu Ramon de Carranza, vencido três vezes pelo Palmeiras, como torneio nacional a tradicional competição é realizada na Espanha. E a Copa Rio, torneio intercontinental conquistado pelo Palmeiras, foi em 1951 e não em 1999.
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