O leitor escreve
Professores
O sucesso do movimento dos professores deve ser registrado primeiramente no fato de ter se iniciado numa assembléia geral com decisão da maioria e ter se encerrado em outra semelhante, também com a aprovação da maioria. As conquistas também devem ser computadas, pois naturalmente, só por vontade dos mandantes, não viriam. E foram significativas sim, envolveram-se concursos, avanços, eleições de diretores, portes das escolas, hora-atividade, aposentadorias, plano de carreira, plano de saúde e mais algumas coisas. Não se esquecendo de mencionar que esta foi a primeira manifestação de porte, envolvendo a categoria como um todo, em conjunto: professores e servidores das escolas públicas, e que a estes últimos foram acrescentados as conquistas do vale-transporte, aumento do auxílio-alimentação, além de elevação diagonal.
O não desconto dos dias da greve, desde aqueles dedicados a advertência, entre 10 e 23 de maio, são afirmações de que estiveram dentro dos direitos dos trabalhadores, cumprindo tudo que a lei lhes permitia. Este fato os deixa cada vez mais com a sensação do dever cumprido: alguém deve apontar os desmandos e denunciar a insatisfação com o estado de coisas que, paulatinamente denigre a escola pública. Então, ninguém mais indicado para mostrar que não se deve simplesmente aceitar e assimilar a situação adversa, do que a categoria encarregada de ensinar a juventude que, um problema deve ser enfrentado, que as leis são conquistadas, modificadas se necessário e, que a união faz a força.
Parabéns aos mestres paranaenses. Não foram cometidos vandalismos, tudo correu ordeiramente mostrando uma organização invejável, permaneceram na mídia o tempo todo, contaram com a participação de praticamente todos os municípios do Estado, sendo que os participantes não ficaram simplesmente parados, manifestaram-se utilizando as maneiras mais criativas, e por último uma memorável passeata que, fez o pessoal do governo cair na real e levar a sério o movimento e suas reivindicações.
- LUIZ TEODORO GARCIA, Curitiba
Cidadania
Qual legalidade estariam os participantes deste movimento (pró-prefeito afastado) defendendo (em Londrina)? Quando o próprio acusado de várias irregularidades, Antonio Belinati, tanto reconhece seus erros tentando de todas as formas sair ileso? Fugir da Justiça? Será que legalidade é tentar que a Justiça não seja feita para quem abusou do cargo e do erário? Ele usou o dinheiro público indevidamente em promoção pessoal com fins politiqueiros, permitiu que fossem desviados milhões de reais dos cofres públicos, isto é legalidade?
Legalidade é adquirir a peso de ouro a Fazenda Refúgio (pirambeiras, construir casas de ardósia, casas de fibrocimento, fazer contratos subrogados com vários municípios afundando a Cohab-LD? Legalidade é tentar obstruir a Justiça, afastar juízes, promotores, tentar manipular a Câmara de Vereadores do lutar segundo seus eleitores que querem justiça, impedindo-os de votar pela cassação? Legalidade é usar secretários, servidor público em horário de trabalho para participar de cerimônias ou movimentos?
Aqueles funcionários são pagos com nossos impostos e taxas, também advindos do bolso dos pobres aposentados, que sequer ganham para seu sustento e comprar remédios, isto é legalidade? Talvez levados pela corrupção reinante, abusos de cargos públicos, impunidade, os participantes desse malfadado movimento tenham confundido o significado de imoralidade com legalidade, pois foram sempre apaniguados ou cúmplices, jamais acreditando que realmente houvesse justiça e moralidade para impedi-los de continuar nesta saga de usar gente humilde, abusar de fome e miséria para seus torpes objetivos. Legalidade será os vereadores votarem pela cassação e torcerem e rezarem para continuar na Câmara de Vereadores, esta é a legalidade que esperamos, cuidado ou não se reelegerão.
- MOISÉS DOS SANTOS, Londrina
Dignidade
Certamente você já viu carrinhos, carroças de catadores de papel no meio da rua, não viu? Ah! Você já teve que desviar seu carro para não atropelá-los? E você ficou bravo por essas carroças estarem no meio da rua atrapalhando o trânsito? Você deve ter respondido sim. Não se assuste, você não é uma exceção. Aliás, é a regra. Uma pergunta mais: já pensou que são pessoas, seres humanos como você? Infelizmente não posso dizer que a resposta, como regra, é também o sim. Quando jovem via cavalos, burros, animais irracionais puxando carroças. Jamais havia visto seres humanos, cidadãos brasileiros, nesse exercício.
Falando em cidadãos brasileiros, nossa Constituição Federal grita em seu artigo 1º que o Brasil tem como fundamentos: I a soberania; II a cidadania; III a dignidade humana .... É, dignidade humana. Será que os tempos são outros? Será que os valores, as concepções de nossa Constituição Federal mudaram em 12 anos? O que é dignidade humana? A vida desses catadores de papel poderia ser uma vida protegida pelo termo dignidade humana de nossa Constituição? Somos dignos de ser considerados como seres humanos quando vemos tal fato e além de não notar que é um ser humano que lá está, ainda reclamamos dele estar buscando o que comer?
- JOSSAN BATISTUTE, estudante, Londrina
Desemprego
Dentre todas as questões sociais que hoje se apresentam, o desemprego se constitui no desafio maior e na interpelação mais contundente ao atual sistema econômico. A passagem do século e do milênio acontece sob o signo do desemprego crescente, como sinal de alerta para profundas mudanças que precisarão ser feitas com urgência. Primeiro deve situar a questão do desemprego. Ela se coloca por contraste diante da questão do trabalho, devemos ressaltar a importância do trabalho: O trabalho é a chave da questão social.
Até pouco tempo atrás, antes das últimas transformações acontecidas na economia mundial, vivíamos uma situação que poderia ser chamada de mundo do trabalho. A Revolução Industrial, para tomarmos o início do processo, foi desencadeando uma necessidade crescente de trabalho. Esta necessidade de trabalho pautou os termos da tensão social, existente até pouco tempo atrás, em forma de conflito entre capital e trabalho. Aí sim, tinha um sentido muito preciso a afirmação de que o trabalho era a chave da questão social.
Pois hoje a falta de trabalho é o sintoma mais evidente, e mais incisivo, do desajuste social, fruto da convergência entre dois fatores fundamentais: a Revolução Industrial, e a ideologia liberal, de onde resultou o liberalismo econômico, que se concretizou no capitalismo, e se transmutou agora em neoliberalismo, que gerou o capitalismo financeiro que agora vivemos, e que dita as regras da atual economia mundial. Vivíamos o mundo do trabalho. Vivemos hoje o mundo do desemprego, isto é, da falta de trabalho.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário em Porecatu
Correção O Posto Modelo, situado à Rua Duque de Caxias, em Londrina, e citado em reportagem na Folha Economia na edição do dia 16, pertence à Rede Quinze. O nome Modelo é apenas fantasia.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





