O leitor escreve
Votação (1)
Voto aberto ou voto secreto? Eis a questão em torno do pleito que pode ou não cassar o mandato de Antonio Belinati, o prefeito-afastado de Londrina. Perguntar não ofende: o objetivo da tamanha discussão que se tem observado em torno deste assunto é por que os vereadores londrineneses desejam fazer tudo dentro da legalidade ou é mais uma tentativa de manobra para a qual se intenta estar amparados pela lei? Não seria mais uma forma de esquivar-se de sua obrigação escondendo-se no voto secreto?
A verdade é que a credibilidade da Câmara está cada vez mais em baixa e, devido ao comportamento condescendente que tem marcando a sua atuação frente à megacorrupção na administração municipal, tudo o que dela parte é suspeito e cheira a maquinação, conluio, trama e conspiração. Neste sentido foi muito estranha e até sem sentido a troca do procurador jurídico da Câmara. Se a preocupação última dos vereadores fosse com a transparência, com a austeridade e o bem comum da população, livres de interesses escusos e jogatinas, certamente não haveria tanta conversa em vão e o fato de o voto ser aberto não geraria maiores preocupações.
Para este momento histórico que politicamente Londrina vive, o mínimo que se espera dos seus edis é caráter, decência, firmeza e coerência de atitudes. Acredito que todos já perceberam que entre a população (não aquela que é ludibriada com dinheiro, seduzida por falsas promessas e comprada com jantares em restaurante) já não reina mais a apatia de outrora. O exercício da cidadania não mais se deixará enganar por gente oportunista e omissa que em época de eleição aparece onde pode para pedir votos e depois de eleita quer esconder a cara.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina
Votação (2)
Caveant consules acautelem-se os cônsules. Era uma fórmula do Senado Romano advertindo os representantes do povo que nada fizessem em detrimento da nação. Vamos gritá-lo aos nossos vereadores, aqueles aos quais confiamos os altos destinos da nossa Londrina. Curtimos momentos amargos e escuros na administração municipal. Temos o direito de saber a verdade dos fatos na sua inteireza. É ou não é democracia nossa bandeira? É ou não é a Justiça, a soberana rainha da nossa vida pública? É ou não é a verdade, o fundamento e a glória do nosso agir?
Nossos representantes na Câmara Municipal têm a obrigação severa e sagrada à altura de nos representar dignamente desenrolando um trabalho à altura do nome e da honra de Londrina. Um dos deveres que lhes pesa na consciência é votar bem, isto é, nos moldes da verdade e da retidão. Ora, verdade e retidão, dignidade e coragem não admitem esconderijo. E o voto escondido é um subterfúgio, é uma fuga, é um não é, é pusilanimidade. Quem tem medo da verdade? Homem de brio levanta a bandeira e berra aos quatro ventos: sim! ou não! Londrina quer vê-los, ouvi-los. Vereadores: honrem seu lugar na cadeira onde se assentaram ilustres cidadãos cujo nome ainda repercute luminoso por todos os recantos. Voto aberto, sim! O mais aberto possível.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Agricultura
O senhor ministro da Agricultura, Pratini de Morais, anunciou com o estardalhaço de sempre, o plano de safra para o ano agrícola 2000/2001. O governo acena com um aumento de recursos da ordem de 30%, em relação à safra anterior. Acredite quem quiser. É tudo jogo de cena. As pessoas ligadas ao setor agrícola, mormente os pequenos e médios produtores, sabem que a burocracia e as restrições impostas pelo sistema financeiro, impedem que grande parte destes recursos sejam utilizados por quem de direito.
No início de maio, este mesmo ministro alardeou a liberação de R$ 150 milhões destinados ao custeio da colheita de café. Pouca gente ou quase ninguém teve acesso até agora a esses recursos. Agora o Banco do Brasil anuncia que somente 60% dos recursos (escassos R$ 700,00/ha) serão liberados de imediato e os restantes 40% somente em agosto, quando a maioria dos cafeicultores terão terminado suas colheitas. Pasmem senhores, este mesmo financiamento a ser liberado em agosto já terá uma parcela vencendo em 30 de setembro e o restante em 30 de outubro. Por essas e outras é que apesar de uma quebra de mais de 40% na safra que ora se inicia, em virtude da grande estiagem que assola o centro-sul do País, os preços do produto não correspondem às expectativas. O mercado sabe que os produtores sem recursos, terão que forçosamente vender seus produtos a preços aviltados.
O governo FHC que já desmantelou e desnacionalizou a indústria brasileira, gerando o maior desemprego na história do País, está entregando de mão beijada o sistema financeiro nacional, tanto público quanto privado, ao capital estrangeiro. Está firmemente empenhado em acabar com a agricultura brasileira. Se continuar agindo com a eficiência demonstrada até aqui, com certeza conseguirá.
- JOSÉ EDMUNDO MOURA, agricultor, Ribeirão do Pinhal
Convenções partidárias
Termina dia 30 o prazo para que os partidos políticos realizem suas convenções a fim de indicar nomes para concorrer nas eleições municipais de outubro. Este ano as convenções com certeza terão um pouco mais de seriedade e consciência, com os partidos tentando lançar candidatos a altura para concorrer pelos cargos. As constantes cassações a prefeito e a maior cobrança e fiscalização pelo povo estão mudando a visão partidária.
Outro fator que também deve ser devidamente observado e estudado são as coligações, pois a partir deste ano vigora a reeleição municipal. Diante desta oportunidade devem os partidos se ater às administrações atuais, visando desta forma verificar se a mesma está rendendo frutos para o município. Pois em caso positivo, deve-se deixar a velha autonomia partidária de lado e pensar no povo. Assim, ao invés de brigar por poder e passar pelos grandes distúrbios e gastos, deve-se apoiar os atuais administradores para que estes possam se manter no cargo, buscando desta forma melhorar a cada dia o município.
Diante disto já está na hora dos nossos partidos começarem a ter uma visão diferente. Em primeiro lugar, se descontentes com as atuais administrações municipais devem lançar candidatos à altura, não apenas que tenham sede de poder e chances de vencer uma campanha eleitoral, mas com capacidade para administrar um município e honrar o seu partido, para que este o acompanhe do início até o final de seu mandato. Mas, em caso de aceitação e competência das atuais administrações, mesmo que de outra sigla partidária, devem os partidos colocar o bem do município acima de tudo.
- FRANCISCO A. BONI, estudante, Santa Cruz do Monte Castelo
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





