Canoa furada
O professor se encontra com os pés em duas canoas: uma da profissão e a outra da vocação. Enquanto ambas caminharem na mesma direção tudo acaba dando certo. Mas, e quando uma delas segue rumo diferente? Numa canoa se encontra o professor, profissional que tem documentos, família, adquire direitos, é compromissado com o seu trabalho, que necessita de condições dignas de saúde, moradia e lazer. Na outra canoa, encontra-se o professor voluntário, de salário simbólico, amador, sem comprometimento com os resultados do seu trabalho. Em qual delas você se encontra? Qual delas está mais ao sabor do vento? Qual das canoas está mais interessante para o governador (do Paraná)?
A segunda, certamente, e parece que a quantidade de profissionais em permanecer nela está aumentando devido as tormentas governamentais é a do salário indigno. Ali falta respeito profissional, transformando o professor em voluntário, falta incentivo à qualificação profissional, há descaso com a educação, preocupando-se excessivamente com as estatísticas de aprovação, comprometendo a qualidade do ensino; falta compromisso com as condições básicas de saúde, e o que é pior: gastos excessivos para publicar demagogia através dos meios de comunicação.
Como se não bastasse, ainda vem uma secretária da Educação, descompromissada com o ensino no Paraná, mas compromissada com uma política hostil, ela vai aos meios de comunicação apelar aos pais para enviarem os seus filhos à escola. Você mandaria os seus filhos entrarem numa canoa furada? O grande problema da educação é que ela depende de profissionais vocacionados, gente que ama o que faz, mas que esteja, também, altamente qualificada para atuar sob a égide da cientificidade e que se dedique integralmente à profissão. Portanto, precisam ser bem pagos para isso e reconhecidos devidamente, uma vez que profissionalizar-se acarreta custos. Chega de canoas furadas. Queremos melhores condições de trabalho, dignidade e educação de qualidade.
- SANDRA LUIZA DOS SANTOS, professora, Porecatu
Genéricos
Entendo que, em função mesmo da nossa legislação, os remédios genéricos nem deveriam existir, considerando que já existem meios legais para se impedir o surgimento e a existência no mercado dos monopólios e oligopólios. Qual o objetivo do Cade, na questão da fusão das cervejarias? Não foi afinal a defesa da economia e dos consumidores contra o possível surgimento de um monopólio no ramo de bebidas? Será que o mesmo organismo não poderia se posicionar na questão dos medicamentos, visto que todos concordam que em tal setor o que existe mesmo é um ferrenho oligopólio, que age tão orquestrado que possui formas de autêntico monopólio, que não respeita CPIs, parlamentares, imprensa, autoridades etc?
Imaginemos por um instante, caso ousássemos estender, em nosso mercado, a conceituação de ‘‘genéricos’’ para todos os demais produtos que se encontrassem nas mãos de oligopólios ou monopólios, quem sabe se não teríamos, então, a gasolina genérica, para fazer frente ao cartel das distribuidoras? Ou quem sabe o próprio petróleo genérico, para enfim atacarmos as práticas da Opep? Quem sabe se não poderíamos mesmo acabar criando o automóvel popular genérico? No caso das bebidas, que tal a cerveja ‘‘genérica’’? É um absurdo, a meu ver, que na questão dos remédios, que envolve a saúde popular, que se admita que não se possa fazer mais nada, além do que forçar os laboratórios a criarem um ‘‘concorrente’’ mais barato para seus próprios e caros produtos.
- LINO FLÁVIO ROLIM DE MOURA, Foz do Iguaçu
Morcegos
Assisti, neste final de semana, a um filme sobre morcegos num cinema de Londrina e fiquei estarrecido. A idéia que fica registrada na mente de nossos jovens sobre aqueles animais é algo impressionante e entristecedor. É importante que todos tenham a informação que os morcegos são os dispersores mais importantes de plantas dentre os mamíferos, chegando a 25% das árvores de algumas florestas. Eles desempenham papel importante na polinização de pelo menos 500 espécies de plantas tropicais, muitas das quais economicamente importantes para o homem, como fonte alimentar e ornamental.
Esses animais são importantíssimos como controladores das populações de insetos e algumas espécies podem capturar até 500 insetos por hora. Muitos deles são pragas daninhas às lavouras ou podem transmitir doenças. O guano depositado pelos morcegos tem sido usado como fertilizante em várias regiões do mundo. Eles são extremamente úteis como material de pesquisa médica.
Os morcegos são os únicos mamíferos com capacidade de vôo verdadeiro, são altamente desenvolvidos e inteligentes, assim como os animais domésticos, gatos e cachorros. É lamentável que algumas pessoas os relacionem com bruxarias e mesmo indicador do desconhecido, com significado diabólico, como naquele filme. Pessoas com poderes, como produtores e diretores de cinema, estigmatizam animais como tubarões, piranhas, jacarés, cobras e até o querido lobo, que não é mau. Afinal, quem nos fez juízes para escolher, baseados em conceitos caprichosos de beleza e aceitação pessoal, quais espécies do mundo animal devem ser queridas ou odiadas?
- NÉLIO ROBERTO DOS REIS, professor universitário, Londrina
Futebol
Não assisti qualquer uma das partidas disputadas pelo time do Gama de Brasília em 1999, nem ouvi falar do Gama antes da final da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro de 1998. Acompanhei pela imprensa as decisões jurídicas tomadas pela Justiça Desportiva Brasileira referente ao caso ‘‘Botafogo x Gama’’. Considero que a equipe do Gama agiu corretamente ao entrar na Justiça contra as decisões da Justiça Desportiva.
Já faz alguns anos que a Justiça Desportiva deixou de ser imparcial e a CBF não tomou nenhuma providência visando a correção desse problema. Podemos constatar a parcialidade da Justiça Desportiva e da CBF ao voltarmos um pouco mais no tempo, para 1996, quando o Fluminense, que foi rebaixado em campo (incapacidade técnica) e pelo regulamento do Campeonato Brasileiro em vigência na época e a CBF deu um ‘‘jeito’’ para que o Fluminense voltasse para a Primeira Divisão do Brasileiro. Em 1997, o Vasco da Gama utilizou um jogador na final do Brasileiro que não deveria estar em campo, e em 1998, o mesmo Vasco alterou diversas vezes as datas dos jogos para que pudesse ser favorecido.
Por ter acompanhado essas manobras informais praticadas pela Justiça Desportiva e pela administração da CBF e por conhecer declarações diversas feitas pelos integrantes do Clube dos Treze, principalmente de Eurico Miranda, concluo que há uma máfia no futebol, em que os times pertencentes a este grupo dificilmente irão para a Segunda Divisão do Brasileiro. Não por competência técnica e sim por interesses econômicos, principalmente das administrações dos ‘‘grandes’’ clubes em tamanho e número de torcedores e das redes de televisão, que têm interesse no maior número possível de espectadores. Por isso considero que a equipe do Gama não teve outra saída para competir e enfrentar o cooperativismo e os grandes interesses econômicos envolvidos senão entrar na justiça comum.
- DANILO SANTOS, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup