O leitor escreve
Violência (1)
Não é possível para nenhum de nós deixar passar despercebidamente o que tem acontecido em nossa sociedade nestes últimos dias. Foi com muita indignação e frustração que lemos nos jornais e vimos as cenas na TV, do desfecho do sequestro do ônibus no Rio de Janeiro. Pior ainda é ver que a classe política e também nós cidadãos de uma maneira geral, tornamo-nos insensíveis a tudo isso que tem acontecido. Parece até que perdemos a capacidade de nos indignar contra este tipo de coisa.
Esta barbaridade se tornou comum em nosso meio. A televisão banalizou de tal forma a violência, que para a grande maioria esta foi mais uma tragédia dentre as muitas que acontecem todos os dias no Brasil. As cenas do policial vindo em direção ao assaltante e disparando nele, mais pareciam cenas de um filme policial qualquer de Hollywood, que já nem mexem mais com nossa sensibilidade ou nossa capacidade de ficar indignados.
Diante dessa gigantesca tragédia social em que todos nós estamos imersos, parece-nos que uma das alternativas que encontramos é ser indiferentes a esse tipo de realidade que nos cerca e continuar a nossa existência fingindo que tudo isso não nos afeta. Enclausurados em nossos castelos e ilhas de prosperidade, cercados por todos os lados de pobreza e miséria estamos seguros.
Gostaríamos de alertar para uma questão que muitas vezes não nos damos conta: que podemos, através da ação individual transformarmos esse tipo de realidade. Como? Através do exercício da nossa cidadania. Colocando em prática valores como dignidade humana, justiça, paz, amor, respeito ao próximo e acima de tudo consciência crítica diante deste contexto gerador de morte. Fica a responsabilidade de cada um de nós cidadãos, a fazer uso, por exemplo, da força do nosso voto, para que as estruturas geradoras de morte possam com a nossa intervenção social, serem vencidas. E isso só acontecerá quando nos conscientizamos da necessidade que temos de nos voltarmos para Deus e os valores do seu Reino e termos consciência que ele é o Senhor da Vida e da História.
- VALDIR XAVIER DE FRANÇA e ISMAR DO AMARAL, pastores em Londrina
Violência (2)
Criticar sempre foi mais fácil do que apontar soluções, isso é óbvio. No entanto, a escalada da violência que estamos assistindo atingiu níveis alarmantes e temos que cobrar uma atitude urgente do governo federal. Toda a sociedade deve exigir providências urgentes para ao menos amenizar essa situação. Que se coloque o Exército na rua, que se unifique as Polícias Militar e Civil e as equipem e as prepare melhor para o combate à violência.
Não podemos mais ficar assistindo a um longa-metragem, de mais de quatro horas, onde o bandido aterroriza refém, com abertura de contagem de pontos para iniciar a matança, com recados a batom escritos no pára-brisa do ônibus informando suas intenções e demais cenas chocantes. De que adianta o governo federal doar R$ 18 milhões para a montagem de estandes na Alemanha para divulgação do Brasil a pretensos visitantes se um bandido, com um revólver 38, sozinho, consegue vencer toda a polícia especializada do Estado? É essa a imagem que ficou para o mundo.
Aponto uma solução, simples e maravilhosa: que se construam escolas e mais escolas e que se remunere os professores como se deve. Com educação, alimentação e saúde as futuras gerações, com certeza, usarão outras armas, e não um revólver de calibre 38. E os filmes que assistiremos serão melhores.
- ELI VALERA NABANETE, Marumbi
Reforma tributária
É de conhecimento geral o excesso de carga tributária incidente sobre a sociedade. É necessário que se enxugue a avalanche de tributos sem que se deixe de arrecadar. O governo não tem pressa, ou não teria. Nos últimos cinco anos, o governo implementou muito suas receitas. A arrecadação pulou de 25% para 30% do PIB. Bastante? Nem tanto quando em consideração a países desenvolvidos que suportam maior carga fiscal. A diferença é que lá há distribuição desse ônus. Aqui se socializa o prejuízo. Divide-se a pobreza. Multiplica-se a miséria. Estranha matemática.
A grande empresa é tributada de forma cruel, às vezes em efeitos cascata, tem produção sacrificada e competitividade prejudicada. A pequena empresa, sufocada, endivida-se com o fornecedor, Fisco, previdência social e mal dá conta dos salários dos funcionários. E o assalariado, que junta os centavos na esperança que sobre para a pipoca do cinema, ou para o cinema, ou para o ônibus do cinema, tem diminuído seu poder de compra.
O acordo é difícil. Como agradar a todos? A discussão é complicada, ninguém se entende. Isso todos sabemos. Aliás, toda pergunta cuja resposta indica os caminhos de uma nação é delicada. Unanimidade nunca haverá. Mas numa democracia, caminho que tentamos trilhar, o consenso é possível. Portanto que se discuta, divirja-se, mas se decida. Chega de protelar!
Não seja o Brasil casa onde se escondem as sujeiras embaixo do tapete e se tropeça nas reformas inacabadas. Não seja este o lugar onde o calor das discussões dure só até o próximo quadro do Fantástico. Num país onde se carece de direitos básicos, sobram leis e faltam efeitos, há muito que se fazer, há muito que se mudar. Mas sempre é preciso um início, um começo sério, uma medida de fato, porque numa jornada de 10 mil metros o mais importante é o primeiro passo. Comecemos a caminhar. Escrever é forma de se conscientizar. Dou meu primeiro passo.
- KARLA CHRISTINA MARTINS BORGES, estudante, Londrina
Desagregação familiar
A bebida, o cigarro e as demais drogas são a causa do enfraquecimento de muitas famílias, ocasionando perdas de vida, abalo moral e social, separação de casais, desemprego e empobrecimento econômico, queda de muitos em todos os sentidos. Estatísticas demonstram que grande parte de acidentes de trânsito, com morte ou ferimento grave, têm como causa bebida e outras drogas. As pessoas envolvidas têm dificuldade de estudar ou assimilar ensinamentos, ficando à margem. Quem usa a bebida em demasia, cigarro e outras espécies de droga, dificilmente terá um organismo normal, mas decadente através de doenças que fatalmente lhe abreviará a morte.
Tendo como exemplo de muitas famílias pobres, observamos que o uso de bebidas alcoólicas, cigarros e jogos é muitas vezes superior ao que gastam com vestuário e alimentação. Sem contar que é causa de desemprego e desperdício. Através do meu trabalho, como oficial de Justiça, sempre percebi que a maioria das ações criminais (assassinatos, lesões corporais, acidentes em geral) inclusive nas ações cíveis da Vara da Família, quase sempre apareceu na conduta de seus agentes o uso de bebida alcoólica, origem de muitas desgraças.
Todos os viciados olham a religião com certo desprezo, embora em muitos casos poderiam ser a saída para uma vida de paz, gozando de harmonia com seus familiares. Pena que muitos sobrevivem da fraqueza e das desgraças do ser humano. Você sabe, eu sei. Políticos, religiosos, enfim todos sabem, e parece que se faz alguma coisa para melhorar essa situação. Mas tudo indica que mesmo assim é pouco, pois implica no crescimento e enriquecimento do País. Ninguém pode ficar de fora. Todos podemos fazer alguma coisa.
- JOSÉ MILTON VALLE, oficial de Justiça, Ibaiti
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