O leitor escreve
Pedágio
Em relação às ponderações feitas pelo leitor/usuário Agnaldo B. Nunes (nesta seção dia 7) informamos que quando o governo do Estado (do Paraná) estipulou em edital de concorrência pública os valores de tarifa nas praças de pedágio, levou em consideração o conceito de área de influência de cada praça. A área de influência da Praça de Jataizinho é de aproximados 85 km, estendendo-se pela BR-369, desde Cornélio Procópio até o trevo de acesso oeste a Cambé, justamente o segmento do lote com maior volume de investimentos previstos: Contorno de Londrina, Contorno de Ibiporã, duplicação Rio Tibagi/Cornélio, num total de mais de R$ 80 milhões em obras.
As obras do Contorno de Ibiporã e de duplicação até a ponte do Rio Tibagi já estão em execução. Desta forma, até 2002, teremos 42 km de rodovia em pista dupla desde Cambé até Jataizinho. No segmento Jataizinho/Cornélio, o volume diário de tráfego diminui, e ainda não atinge um patamar que esgote a capacidade da via.
Por isso, o governo não definiu sua execução imediata. Caso ocorra crescimento no volume diário de tráfego tal que seja tecnicamente necessária a duplicação, antes do previsto, o contrato de concessão contém dispositivos que permitem a flexibilização no cronograma de obras. Todavia, obras de melhoria tais como terceiras faixas e correção de curvas serão implementadas neste trecho. Quanto às planilhas de custo e detalhamento de cronogramas, informamos que estão à disposição do senhor Agnaldo em nosso escritório junto ao DER-PR.
- GUSTAVO MÜSSNICH, diretor presidente da Econorte
Ajustes
O governo Fernando De La Rúa decretou o corte de até 15% nos salários do funcionalismo e redução de 50% nas aposentadorias dos argentinos com até 50 anos, entre outras medidas do pacotaço no final de maio, que objetiva reduzir os gastos públicos em US$ 938 milhões, para atingir a meta de US$ 4,7 milhões de déficit fiscal neste ano, exigida pelos organismos internacionais, entre eles o FMI.
É o segundo projeto de ajuste fiscal colocado em prática pelo atual governo, que assumiu em dezembro, com uma herança nefasta da geração Menem de recessão, déficit fiscal, falta de credibilidade nos mercados internacionais e a chaga do desemprego beirando os 18% da população economicamente ativa. A penúria dos hermanos se agravou com a valorização do dólar frente a outras moedas.
O vizinho latino encerrou o ano passado amargando uma queda de 3,1% no seu PIB, um déficit em suas contas de US$ 7,09 bilhões, apesar de ter reduzido sua inflação a 1,1% negativo nos últimos doze meses. Com certeza, a contenção do poder aquisitivo do outro lado da fronteira, afetará substancialmente o Brasil, criando inclusive clima para medidas semelhantes do lado de cá. Como sempre disseram que os brasileiros de hoje são argentinos de ontem, do ponto de vista econômico, a luz de alerta já está acesa entre trabalhadores da iniciativa privada e do setor público, empresários e aposentados em geral.
Apesar do atual governo brasileiro já ter cortado fundo nas aposentadorias, com a reforma e a criação do fator previdenciário e de ter apertado o torniquete no bolso dos seus servidores, que acumulam perdas de 63,68% desde a implantação do Plano Real, nada leva a ter tranquilidade sobre a atual situação nacional, que apresenta discreta recuperação econômica. Tomara que os ventos do Rio da Prata não invadam a Esplanada dos Ministérios e as herméticas portas do Palácio do Planalto, fazendo a caneta presidencial dar guilhotinada semelhante nestes segmentos já tão sacrificados da sociedade brasileira.
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Brasília
Exclusão
O atual sistema globalizado domina o mundo todo. Reina sem contestação. O comunismo e o socialismo desapareceram por completo e ninguém mais contesta nada hoje. Os que dominam o mundo estão seguros de si e dispõem de todos os cérebros pensantes da Terra. Tudo e todos trabalham para consolidar o sistema. Somente contestam alguns intelectuais sem poder. Este modelo é tão forte e firme que é feito para durar até o ano 2100, portanto um século pelo menos. O que vem por aí tende a ser pior. Não importa que querem ajudar 180 países pobres, são apenas as migalhas oferecidas pela ONU e nada mais. Isso não depende de um governo, regime político ou constituição de Estado, pois nenhum Estado pode impedir o inevitável, que é um sistema compacto e dotado de todas as forças materiais e culturais.
Os excluídos não desaparecerão por serem excluídos. Conseguirão sobreviver, encontrando brechas no sistema. Recolherão as migalhas que cairão da mesa dos poderosos, pois são muito ricos. Como os poderosos são ricos em demasia, as migalhas poderão alimentar muita gente e muitos países. A Igreja continuará seu discurso da opção preferencial pelos pobres e excluídos, mas ficará cada vez mais distante da realidade. Há espaços abertos para trabalhar. Deve-se fazer o que for possível para melhorar a vida dos excluídos, confiando sempre em Deus que não abandona quem nele confia.
- NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, padre, Palmas (PR)
Flores
Vivemos num mundo cada vez mais voltado para a ganância, consumismo e um enorme abismo ambiental, sem falarmos do educacional. Sou usuário do transporte coletivo em Curitiba. Há vários dias venho notando no Terminal Cabral o descaso com as azaléias e as margaridas, mal acomodadas nas enormes caixas de amianto que separam o trânsito dos ônibus, ainda que politicamente incorreto. Apesar de receberem todo o monóxido de carbono das centenas de ônibus que por ali trafegam diariamente, ainda fornecem oxigênio para os milhares de passageiros que por ali transitam.
O pior de tudo isso é que há mais de 30 dias elas não recebem uma gota de água, nem mesmo aquela água usada para limpar o terminal. E por incrível que pareça, estas plantas ainda devolvem ao homem flores e oxigênio, como é o caso das margaridas que ainda nascem em meio aquela enorme poluição. Falei com alguns funcionários do terminal para resolver este problema. Um disse que não podia regar, outro avisou que o serviço é feito uma vez por semana, outro falou que era com a Urbs. Liguei lá e me informaram que era responsabilidade do terminal. Moral da história: as azaléias e margaridas aguardam pela chuva.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Correção Notícia Eleições deixam cidade tensa, publicada ontem na página 5 do primeiro caderno sobre agressões ocorridas entre cabos eleitorais e até de questionamentos da Justiça, em Arapongas, refere-se às últimas eleições municipais, ocorridas em 1996.
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