Sem-terra
Maio de 2000 teve um componente que ofuscou as lembranças tradicionais. Foi o mês dos protestos. Servidores públicos de várias áreas e de todos os níveis, caminhoneiros, sem-terra e empresários saíram às ruas. Aconteceram passeatas, ocupações de prédios, concentração em frente a prédios públicos e greves. Todas as mobilizações de maio apresentaram motivos justos para os protestos. Reajustes salariais (os servidores estão há mais de cinco anos com o mesmo salário), mudanças na política agrícola para viabilizar a agricultura familiar, medidas para o transporte rodoviário, resistência para não perder a moradia da família e urgência na reforma tributária.
A diferença é como foram tratados os manifestantes nas reivindicações. Enquanto uns representam os deserdados do capitalismo, outros fazem parte da elite do sistema. Até nas reclamações são respeitadas as distâncias que os separam. A mesma mão policial que fere e mata trabalhadores, serve para dar proteção a empresários em passeata.
O tratamento mais degradante, dentre todos os trabalhadores que se mobilizaram em maio, está sendo dado aos integrantes do MST. As manifestações dos sem-terra eram por crédito agrícola subsidiado para a agricultura familiar e defesa do mercado interno contra as grandes multinacionais. Deu no que deu. O pior é que FHC tem a coragem de mencionar a morte de um assentado ocorrida no Paraná um ‘‘como alerta’’ para os manifestantes. Mata-se para que sirva de aviso aos demais.
O governo trata os sem-terra como demônios pelos simples fato de que hoje o MST é uma resistência real ao modelo agrícola globalizado, cujo objetivo é produzir para exportação e equilibrar a balança de pagamentos do Brasil. Só que essa política larga à própria sorte 23% da população do País que ainda vive no meio rural – quase 40 milhões de pessoas – em sua maioria agricultores familiares. A prática demoníaca, na verdade, está com aqueles que impõem modelos de fome e miséria para salvar o lucro fácil dos megacapitais, além, é claro, na satanização dos que se organizam e lutam para transcender este sistema perverso.
- PADRE ROQUE ZIMMERMANN, deputado federal pelo PT-PR
Identidade
Lembro-me de certo fato acontecido em 1958. Nosso gordo Vicente Fiola, técnico da Seleção Brasileira, preocupado em encontrar um esquema que pudesse furar o bloqueio de certas seleções européias, foi aconselhado por Didi, para que deixasse o Garrincha fazer em campo o que quisesse ou o que soubesse, uma vez que o esquema era difícil de ser incutido em sua mente. O resto do filme já conhecemos. Por todos os lados os gringos tentavam marcar Garrincha que, com suas pernas tortas, trouxe a Copa para a alegria do Brasil. A lembrança deste fato me fez refletir sobre o comportamento do povo brasileiro. Como muitos pensam, não é apenas com futebol e samba que nos distraímos.
Enfocar a vida dos brasileiros apenas sobre estes aspectos é deixar de conhecê-la realmente. O brasileiro é trabalhador, solidário, fraterno, e acima de tudo, criativo. Exemplos de corrupção e desmandos por parte de uma minoria, estampados nos jornais diariamente, deixam-nos entristecidos e até certo ponto pessimistas quanto ao destino do Brasil. Mas se olharmos para os grandes feitos, nosso otimismo voltará novamente e com certeza não só no campo do futebol e do samba, mas também no campo da cultura, da produção de alimentos, dos inventos, da tecnologia, da saúde, e principalmente no campo da igualdade social. O brasileiro é criativo, basta não inventar esquemas para serem cumpridos! Desde o tempo do descobrimento até hoje, fomos governados de fora para dentro.
Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e agora EUA já usufruíram do que era possível. Chegou a hora do Brasil ser governado de dentro para fora. Vamos solicitar através do voto, que os políticos não nos atrapalhem tanto, para que possamos mostrar ao mundo aquilo que somos capazes. Quem não ajuda não estorva, deixa o brasileiro trabalhar. Somos trabalhadores e criativos, e tudo isto podemos provar.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Religões
Neste princípio de século e com a aproximação de novo milênio, precisamos rever urgentemente o que aprendemos até agora sobre as coisas divinas e que as religões vêm nos ensinando ao logo destes 2 mil anos. As religiões fizeram muita coisa boa nos primórdios dos tempos, ensinaram através dos apóstolos a lei de Cristo, que não fundou esta ou aquela religão, que não falou somente para cristãos, mas para toda a humanidade, as religiões mantiveram a família unida, crente e seguidora dos ensinamentos divinos.
Com o crescimento e o domínio exagerado do poder religioso, o homem perdeu a crença no homem, perdeu seu amor incondicional, como os cristãos primitivos possuíam, o homem quis ser Deus, perdeu a noção do que é aceitação pura e simples da palavra de Cristo, passou então a dogmatizar os povos pela brutalidade, pela violência física e emocional, passou a amedrontar para dominar e a partir daí passou a humanidade a ter apenas dois caminhos para o céu/inferno e apenas uma chance de conseguir a salvação, passou a acreditar e a fazer com que não acreditemos em reencarnações. Com isso nosso Deus tornou-se um julgador implacável de seus filhos.
Hoje ainda convivemos com coisas que já não aceitamos passivamente como verdade, coisas que já vemos e ouvimos, mas sabemos não ser totalmente verdade. Hoje o homem está mais consciente do seu poder interno, está com a mente mais aberta para aceitar outras informações sobre as coisas divinas, sobre as coisas faladas pelos mestres, sobre as coisas do universo, tanto interno como o externo; o interno porque essa sabedoria nunca foi tão explorada como agora; esse poder interno nunca foi lhe dado prioridade como agora, porque ali é que encontramos nossa verdade absoluta.
- AROLDO POLITI, comerciante, Londrina
Encontro
Os profissionais e acadêmicos do meio jurídico da região que não estiveram no Teatro Marista de Londrina no último dia 6, perderam um evento histórico para nossa comunidade jurídica, protagonizado pelo professor Silvio Rodrigues, cientista do Direito e um dos maiores civilistas brasileiro. Somados à verdadeira aula magna do ilustrado palestrante, foi marcante a intervenção do mestre Nely Lopes Casali, como também a participação da professora doutora Jussara Ferreira, que muito enriqueceu o debate. Parabéns a todos, especialmente a Kather Fontes & Souza Vale, que nos proporcionou evento de impecável organização e excelência. Ao professor Silvio desejamos breve regresso e o nosso muito obrigado. Londrina ganhou muito com a iniciativa de sucesso e aqueles que lá compareceram mais ainda.
- JOÃO MANELLA CORDEIRO, advogado, Londrina
Correção Tabela publicada ontem na primeira página da edição da Folha de Londrina está incorreta. A caderneta de poupança da segunda-feira foi corrigida em 0,7078%.
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