O leitor escreve
Capacitação profissional
No momento atual, o trabalhador está mais próximo de ser reconhecido, dentro da empresa, como sujeito que ele é. Surge, então, a necessidade de se estruturar um treinamento, que no seu programa leve em consideração o amplo repertório de experiências da sua clientela, que seja mais orientado para a resolução de problemas, do que para o currículo em si, que não atinja a parte técnica das tarefas, mas sim onde o indivíduo obtenha um certo conhecimento para a realização da tarefa e um desenvolvimento para o aperfeiçoamento do trabalhador, tornando-o capaz de realizar tarefas mais complexas, como por exemplo as que exigem tomadas de decisão, relacionamento com subordinados, supervisão, entre outras.
As funções dentro de uma organização estão exigindo no seu requisito a tomada de decisão, onde o trabalhador tem que ter uma certa independência no sentido de realizar suas funções dentro das organizações. Caracterizada pela flexibilidade, a gestão moderna precisa mais de pessoal com competência diferenciada do que da racionalização de tarefas; o desafio da administração de Recursos Humanos não é o ajustamento das pessoas aos planos, mas o desenvolvimento das pessoas para enfrentar a realidade exterior dinâmica em contínua transformação pela pressão da competitividade.
- NINA ROSA DA CUNHA BOMBO, Londrina
Gurus da mudança
Alvin Toffler voltou a atacar dizendo que desconfia de padrões globais para qualquer coisa. Depois de O Choque do Futuro (1970) e A Terceira Onda (1980), calhamaços de informações que marcaram época, esse profeta (do óbvio?) moderno dá as caras opinando sobre globalização. Pra quem não sabe, foi Toffler quem difundiu a idéia, hoje massificada ao extremo, de que tudo anda numa velocidade impressionante, fantástica, incrível, chocante. O problema do sr. Toffler é que ele não aprofunda nem dimensiona as coisas. Só informa, informa, informa... Obras-primas ao contrário, seus clássicos pioram na releitura e se revelam um repositório de abobrinhas e disparates, ou de idéias triviais mascaradas de grandes achados, como Gilberto de Mello Kujawski.
Sofrendo de um fanatismo adolescente pelo tema da aceleração (que imprime um tom maníaco ansioso às 500 páginas de O Choque do Futuro) sr. Toffler na verdade revela uma baixa velocidade de pensamento, camuflada sob o acúmulo fulgurante de dados e informações. Se fosse menos indulgente com a pirotecnica dos modismos, se diferenciasse mais o essencial do descartável e entendesse melhor da complexidade do tempo cultural e psicológico, talvez não tivesse escrito livro tão ironicamente repetitivo e prolixo para uma época que não pode perder tempo... exceto com o descartável. O desconto é que ele informa, acerta algumas vezes e foi sucedido por gurus da mudança ainda piores e mais perniciosos, como um certo Robert Hammer. Melhor ficar com este recado de Deleuze: O que nos falta mesmo é resistência ao presente.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Política de comunicação
A televisão deforma a realidade, disse, alhures, alguém. Vim para confundir, estrumbicou Chacrinha. O mundo é uma aldeia global, profetizou MacLuhan. Sou o melhor, afirma um irreverente no seu próprio TRE gratuito, mandando quebrar traseiros da mercadoria. Apologizando a pena de morte, clones da violência profética propõem o arremesso de bujão de gás como tecnologia de execução sumária, enquanto supostos repórteres, em incestos interativos com marginais e tiras, monologam e onanizam o microfone fálico, que é enfiado goela abaixo no entrevistado.
A violência neoliberal globaliza-se. É glorificada por estetas da miséria teratológica, carrapichos ungidos pela mídia mercadológica, atores do cenário escabroso. Alguma coisa tem que mudar na política de comunicação. Tirante as exceções, o mercado da informação de baixa qualidade emprega sanguessugas de cadáveres em adiantado estado de putrefação. Corporativismo à parte, se a medicina deve ser exercida por médico, a advocacia por advogados, a odonto por dentistas, a arquitetura por arquitetos e o ministério sacerdotal pelo sacerdote, o jornalismo de violência é atravessado por anti-éticos, estrelas de si próprios.
Ao gosto do povão desprogramado, a violência brega é inalada por falta de opção, dos faustões-chatos, silvios-xaropes e gugus-mingaus, aos deletérios programas policiais. Não sem razão, o Oscar de melhor policial deveria ser concedido ao filme sobre os matadores de Diadema, estrelado por Rambo. Na categoria porrada, o melhor prêmio ficaria para o filme carioca produzido na Cidade de Deus. O prêmio melhor do serial killer é do ex-atirador PM de elite Neguinho, do Rio Grande do Norte, que fuzilou quinze para provar que era macho.
E o prêmio de crime hediondo vai para dois policiais paranaenses que descarregaram suas pistolas contra um empresário e um estudante de Curitiba. O jornalismo de qualidade mostra o fato como ele é, sem a injunção subjetiva da moral farisáica dos diplomados pelas faculdades da picaretagem míope, rasteira e rastaquera. Em Cascavel, após serem vítimas de supostas agressões cometidas por supostos repórteres em conluio com supostos policiais, os presos reclamaram. O novo projeto de Lei de Imprensa se propõe a acabar com a censura prévia, e admite a prova da verdade. Equivale dizer que o Presidente da República ou uma autoridade, se prevaricarem, não gozam mais o privilégio de esconder sua nudez. Mas isso só não basta. É preciso admitir a prova da verdade contra o inexiricável linchador que dispara com discursos aloprados das telinhas e microfones.
- JOSÉ A. FIORI, de Curitiba
Coletivo
A respeito de carta publicada nesta seção, dia 29, sobre superlotação dos ônibus da linha 302 (Jardim Edy), a Comurb esclarece que está providenciando melhorias ali, que poderão resultar na colocação de mais ônibus. Técnicos verificaram, semana passada, que o problema existia entre 7h30m e 8h30m. Eles farão, nos próximos dias, levantamento da necessidade daquela linha, para efetivar as modificações necessárias. A superlotação dos ônibus ocorre, no entanto, somente no horário de pico da manhã.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA DA COMURB, Londrina
ERRATA
Ao contrário do que foi informado ontem, em matéria publicada na capa da Folha2, há dois equívocos. O primeiro: neste ano o Festival de Música de Londrina está em sua 17ª edição, não na 16ª conforme consta. O segundo: o concerto de abertura acontece na próxima sexta-feira e não sábado. A apresentação ficará a cargo da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. A regência será do maestro Norton Morozowicz e o solista será o violinista búlgaro Evgueni Ratchev.





