Câmara de Vereadores
No dia 1º, estivemos na Câmara Municipal de Londrina juntamente com os demais funcionários do Hospital Universitário para solicitar apoio dos vereadores às nossas reivindicações salariais e reversão de conquistas que nos foram tiradas em função da ‘‘autonomia universitária’’, uma vez qe não queremos utilizar nosso último recurso: a greve.
As galerias e os corredores da Câmara estavam lotados com os trabalhadores da Frente de Trabalho, da Comurb e da AMA, os quais também acompanhavam a votação dos encaminhamentos específicos daquelas autarquias.
Foi com tamanha indignação que deparamos com a displicência por parte de alguns vereadores, demonstrando total desinteresse com os assuntos debatidos: um lia jornal, outro exercitava os recursos de seu aparelho celular, outros conversavem e riam paralelamente, enquanto o ex-presidente da Câmara andava descontraidamente como se estivesse na sala de sua casa. Algumas pessoas da galeria tentavam indentificar quem seriam aquelas figuras inatingíveis.
Estes são os nossos representantes! Sugerimos à população que vá assistir algumas das sessões para fazer escolhas mais acertadas nas próximas eleições. Afinal, somos responsáveis por eles estarem lá.
- ROSA Y. OKABAYASHI e TEREZA CASALI, assistentes sociais em Londrina
Greve dos professores (1)
As injustiças do mundo impedem o homem de viver com dignidade. Esta mesma injustiça hoje nos leva a meditarmos sobre o nosso papel de educadores sem dignidade. Não deixemos que problemas particulares – receio de represálias, perseguições, desemprego, reposição de aulas em período de férias, dificuldades para se efetivar a tão sonhada aposentadoria – destruam esta iniciativa de retomada da dignidade do professor. Não deixemos que a sociedade mais uma vez entoe o refrão ‘‘os professores não conseguem nada porque são uma classe desunida’’.
Não deixemos de servir de exemplo aos nossos alunos quando lhes ensinamos a importância de se lutar pela real independência, quando nós continuamos escravos de nosso egoísmo e desprovidos do espírito que enobrece o ser humano, a solidariedade. É hora de união, esperança e de muita oração, porque com certeza a nossa luta visa a melhoria da educação, hoje tão deixada de lado pelos que detém o poder, para que no futuro nossos alunos de nós se orgulhem e lutem também para um Brasil melhor, mais justo, mais solidário, livre!
- ISMENIA RAMOS PINTO, professora, Londrina
Greve dos professores (2)
É deixar qualquer um indignado. Um governador como Jaime Lerner, renomado arquiteto, deixar que a educação no Paraná chegasse a esse caos. Ele que teve acesso a uma formação de alto nível, consciente da importância de uma educação de qualidade, tratar os paranaenses com tanto descaso. Todos os que nele votaram e reconheciam a sua grande capacidade de planejamento e execução, estão realmente decepcionados. Os professores não estão fazendo esta paralisação porque não querem trabalhar, mas sim pela falta de condições mínimas para desenvolver a sua missão.
As escolas estão sucateadas, precisam fazer promoções junto à comunidade para suprir necessidades básicas. Os professores sem hora-atividade, sem acesso à saúde, cinco anos sem reajuste, sem um plano de carreira e perdendo totalmente a motivação e perspectivas para o futuro. Governador, apelamos para o seu bom senso e capacidade para que solucione o mais rápido possível este impasse. Não deixe que este caos que se instalou na educação do Paraná continue. Acene com uma proposta de melhores condições de trabalho honesta e justa resolvendo logo este problema.
- GÜNTER STELLBRINK, professor, Sertaneja
Greve dos professores (3)
Hoje, mais do que nunca, é necessário nos orientarmos para a criar uma cultura da esperança pela paz. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança. Nem sempre as piores formas de violência estão aparentes. Por vezes, estão camufladas no centro das relações sociais e humanas. Ficamos à mercê de oportunistas que buscam vantagens em proveito próprio contaminando segmentos poderosos e respeitados. Melhor explicando: servimos de munição para verdadeiras guerras políticas. Vide o caso da greve dos professores.
Sabemos que suas reivindicações são justas; são verdadeiros heróis dentro das funções públicas. Seus salários nunca foram o ideal. Todos reconhecemos a sua dedicação. São resultado de uma sociedade mal resolvida que não conseguiu transpor igualdade de oportunidades para todos e que sofreu uma dupla forma de violência: a exclusão do ter oportunidade e a exclusao do ser plenamente sujeito.
Quanto a nós, pais de alunos, muitas vezes também somos professores. Nos sentimos lesados em nossos sábados, domingos, feriados e férias da família para acompanharmos a reposição das aulas. Temos cumprido com a nossa parte e nos sentimos agredidos quando temos que explicar aos nossos filhos a diferença entre privar-se da comida espontaneamente – greve de fome – e não comer por ter acesso a mínima parcela de alimentos conforme anunciam os jornais diariamente.
A escola pode contribuir para a construção de uma cultura da esperança que torna necessariamente uma via de construção da paz. A paz é o anseio mais profundo da vida, pois cria laços de solidariedade, ternura e harmonia social. A escola deve ser um canal para discutir a cidadania e encontrar alternativas para um mundo sem violência.
- ELIANE S. REINHARDT, Curitiba
FMI
O ‘‘Fomentador de Misérias Internacionais’’ não exige apenas o sacríficio dos mais simples. Exige, sobretudo, extremada prova de fidelidade de seus súditos. As greves demonstram esse fato. Os subalternos de sua majestade FMI ignoram o clamor da pátria, o grito de revolta dos injustiçados que protestam contra o mais régio objetivo do soberano: levar os povos mais simples à miséria, para que, subjugados, sirvam de esteio ao seu portentoso trono. É prazeroso aos nobres que o compõem, ver nações dominadas pelo seu indelével poder, comendo das migalhas caídas de suas generosas mãos. O Brasil já exibe os fiéis servos do tirano FMI: governantes e figurões, politicamente poderosos, verdadeiros heróis de causas torpes. Servidores do descaso, ressurretos ‘‘Joaquins Silvérios dos Reis’’.
- MARIA VALDEGRACE ALVES VELASCO, professora, Primeiro de Maio
Agradecimento
Gostaríamos de externar nossos mais sinceros agradecimentos ao jornal Folha de Londrina/Folha do Paraná, pela atenção dispensada ao 7º Círculo de Estudos e Debates Teológicos-Pastoriais, promovido pelo Centro Interdiocesano de Teologia de Cascavel, entre os dias 16 e 18 de maio. Fazemos votos de muita prosperidade a todos, diretores, funcionários e colaboradores.
- VICTOR CLEMENTE MÜLLER, padre, Cascavel
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