O leitor escreve
Greve (1)
O que quero para você e todos os funcionários é a plena valorização como profissionais e como pessoas. Este trecho faz parte de carta do governador Jaime Lerner ao funcionalismo público, anexado ao comprovante de pagamento de março. Naquele mês houve reajuste de 10% no salário dos servidores do quadro geral (ao qual pertenço) e cinco depois naquele mês. Agosto de 1995, outros 10% foram incorporados ao salário. Desde então não houve qualquer tipo de reposição, fato que tem causado descontentamento e indignação. Passados 57 meses, sem correção no salário os servidores têm acumulado dívida em empréstimo, vêem-se obrigados a desenvolver atividades paralelas para complementar o orçamento doméstico e têm cortado gastos até
em áreas essenciais.
As várias greves de funcionários públicos que pipocam por todo o Estado são o reflexo dessa situação que vive o servidor, que, apesar de tudo, tem desempenhado suas funções da melhor forma possível. As greves, infelizmente, são a única arma que temos para mostrar o descaso do governo estadual com o serviço público e, por extensão, com a população em geral. A luta do funcionalismo público emergida neste momento não se faz simplesmente pela questão salarial. Significa a luta pela dignidade humana e a busca da valorização de um trabalho exercido em função da comunidade.
- WILSON FRANCISCO MOREIRA, Londrina
Greve (2)
Governador Jaime Lerner: o senhor é conhecido pela preocupação com a qualidade de vida das pessoas. Gostaríamos de ver esse discurso estendido aos professores do Paraná. Foram cinco anos de muitas promessas e desafio à nossa capacidade de indignação. Nosso movimento grevista de paralisação das atividades docentes nas escolas pretende romper com o tempo da paciência. E o fomos enquanto foi possível acreditar na sensibilização e enquanto pedias que aguardássemos a reorganização do Estado. O Paraná tem sido reorganizado, mas em função de outros interesses.
A insensibilidade política manifestada por V.Exa., que se expressa especialmente no iludente secretário Giovani Gionédis, anuncia o início de um ciclo na política paranaense. Um ciclo ao qual nem Renault, nem Chrysler e Cia. Ltda. conseguirão garantir a permanência. O governador já experienciou a fúria do funcionalismo paranaense, mormente dos professores, quando de sua primeira eleição. E, aliás, usou disso para decidir sua vitória. Hoje o contexto é outro. Dos últimos governos paranaenses, V. Exa. detém o título daquele que sucateou a educação e os professores, sob a pretendida ilusão encabeçada por Faxinal do Céu. Vossos golpes na educação tem sido ferinos.
Somos formadores de opinião. E, mesmo diante da era da tecnologia da comunicação, temos ao nosso lado aquela que continua sendo a melhor de todas: o corpo-a-corpo que estabelece relações afetuosas. E foi e tem sido isso que tem nos rendido o apoio de parte considerável da população paranaense. Vossa Excia. e vossos gurus e pares menosprezaram a capacidade de mobilização de nosso sindicato, e além do mais se esqueceram de que a APP-Sindicato é feita por nós. Reiteramos nossas reivindicações e a supremacia do bom senso de vossa parte.
- LUIZ ANTONIO DE OLIVEIRA, professor, Sertaneja
Greve (3)
É notório o que o governo vem fazendo com o serviço público e, consequentemente, com a população: filas nos postos de saúde, salas de aula sem carteira, falta de merenda escolar, gente sofrendo por falta de medicamento e de vaga nos hospitais. Sem falar na falta de segurança. Do outro lado estão os trabalhadores, com os salários congelados há quase cinco anos, sem condições de trabalho e assistindo ainda ser rasgados artigos do Estatuto do Servidor e desrespeito à própria Constituição. Se hoje o Paraná vive uma onda de greve, como do Sistema Penitenciário, das universidades, a dos trabalhadores em educação é porque o governo está pedindo, pois não cumpre um compromisso que assume com sindicatos. As atitudes do governo, até neste momento, demonstram que seu compromisso não é com a população. Se tivesse um mínimo de consideração pela sociedade, o governo não mataria de fome o funcionalismo e destinaria mais recursos para o setor público, oferecendo serviço de qualidade.
- MARI E. RODELLA, ISLANY R. DA SILVA e NEIVA I. DA SILVA, diretoras do SindSaúde/PR
Semelhanças
Há muitas semelhanças entre o que aconteceu em São Paulo e em Londrina. Os dois prefeitos foram afastados por decisão judicial dos seus cargos, em virtude de sérias denúncias (algumas já comprovadas) de malversação do dinheiro público, particularmente em benefício próprio, das famílias e de amigos aliados.
Há, porém, uma grande diferença nas primeiras atitudes tomadas pelos prefeitos que assumem. Lá em São Paulo, o novo prefeito, jurista respeitado, mas também político, aceitou de imediato o pedido de demissão de todos os colaboradores de primeiro escalão para nomear pessoas de sua inteira confiança e de grande conceito, que o auxiliarão na solução dos graves problemas e nas sérias decisões que precisará tomar.
Aqui se dá o contrário: o prefeito que assume, amigo declarado do que sai, diz que todo o primeiro escalão (e quem sabe o segundo, terceiro etc.) será mantido intacto. Dessa maneira, ele será o prefeito de direito mas de fato ficará submisso a uma máquina admnistrativa (e política) viciada e visceralmente ligada ao prefeito que sai.
Quem conhece um pouco de administração pública e de política sabe o que isso significa. É preciso antes tirar de circulação todo o entulho que possa criar problemas para que a justiça seja finalmente feita. O prefeito terá que formar uma equipe de cidadãos competentes e de ilibada reputação para então poder oferecer à Justiça os meios necessários para que ela cumpra a sua parte. Esse resto de mandato tem que ter à frente uma equipe assim, para que o prefeito a ser eleito este ano receba uma prefeitura, senão saneada economicamente, mas que seja pelo menos limpa de todos que gravitaram sempre em torno do prefeito que sai, muitos deles já denunciados em processos e muitos outros que enriqueceram junto com ele por meios poucos dignos (para falar o mínimo), fatos esses que são sobejamente conhecidos dos que aqui vivem há muitos anos e que não são nada novos porque praticados em todas as gestões anteriores. Parabéns àqueles que tomaram nas mãos a bandeira de moralização em Londrina e que vêm sendo um exemplo para todo o País. Mas é sempre bom lembrar que ainda falta muito a ser feito.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Correção - O casamento coletivo previsto para hoje em Bela Vista do Paraíso (notícia na página 7 de Folha Cidades de ontem) será totalmente custeado pela prefeitura.
- Diferentemente do que foi publicado ontem, o ex-prefeito de Foz do Iguaçu Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB) é sogro de Alessandra Fernandes Alves da Silva e não genro. (Mulher de ex-deputado revela esquema de corrupção em Foz, página 5 do primeiro caderno)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de indentidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





