Agressão
Os fundos de vale são protegidos por leis ambientais. Entretanto, em função de interesses econômicos, as leis são ignoradas e a fiscalização pelo órgão competente nem sempre tem sido eficaz. Exemplos de agressão à natureza são encontrados em toda parte. Entre esses, na nascente do córrego dos Tucanos, em Londrina, próximo ao Iapar, verifica-se uma dessas agressões. Nessa área, diariamente vários caminhões despejam terra e entulhos com o intuito de aterrar o fundo do vale para transformá-lo em área comercial. Se providências imediatas forem tomadas, nem tudo estará perdido. O que se espera das autoridades competentes é que proíbam imediatamente o transporte de terra e de entulhos, apliquem multas e exijam que os infratores plantem árvores nativas nessa área. A natureza e as futuras gerações agradecem.
- LAURO AKIO OKUYAMA, engenheiro agrônomo, Londrina
Descontentamento
Vivemos um momento incomum em nossa história. A imagem de um país tranquilo sem manifestações sociais mais intensas começa a ser alterada. Em todos os cantos surgem diversos protestos motivados pela insatisfação popular diante das dificuldades de se viver em meio à recessão econômica. Essa situação é o resultado da falta de eficácia das medidas governamentais. A população já não consegue acreditar nas soluções idealizadas nos gabinetes de Brasília.
Embora a nossa formação histórica permita desprezar iniciativas mais sistemáticas de inconformismo, a tranquilidade já não é uma certeza inabalável. Não se trata de atitudes isoladas. Toda a semana uma nova categoria sai às ruas para registrar sua insatisfação. Os caminhoneiros, os professores, os agricultores, os funcionários públicos, além de outras vozes abaladas pelo desemprego e pela miséria.
O tom dos murmúrios aumenta à medida que vão aparecendo novas ondas de corrupção. Todos os dias os jornais transmitem informações sobre fraudes e má gerência do dinheiro público. Os processos de impeachment se multiplicam, salpicando os estados e municípios de improbidades. A população assiste às denúncias de esfacelamento das instituições com perplexidade. Sente-se violentada vendo seus direitos fundamentais serem negligenciados.
Não é o caso de se fomentar o catastrofismo como desejam alguns segmentos políticos ansiosos para tirar proveito dos gritos populares. Contudo, os eventos atuais de indignação devem servir de alerta. É possível evitar que as efervescências cheguem aos extremos. Para isso, as medidas precisam ser sérias, reais, rápidas e objetivas. Discursos plenos de otimismos são ótimos para entreter aqueles que vivem no mundo do faz de conta, mas não conseguem mais persuadir um povo carente de melhorias concretas.
- PAULO CEZAR BASÍLIO, professor, Pinhão
Politicagem
Jorge Scaff, vereador na Câmara de Londrina, merece os parabéns por ter aceitado assumir a Prefeitura de Londrina, atribuição implicada no cargo que ocupa dentro do atual contexto da política londrinense. Quanto ao sr. Renato Araújo, também vereador da mesma Câmara e até então seu presidente, já não há razão para felicitação alguma. Dentre as várias omissões que têm caracterizado sua atuação ultimamente, irá colecionar mais esta: tirou ‘‘o corpo fora’’ num momento político crucial para o município. Tal atitude foi pensando no bem de quem? Da cidade? Do povo? É claro que foi no bem dele mesmo!
Infelizmente não poucos políticos, quando se candidatam, estão muito mais à procura de emprego, status e poder. O ‘‘serviço ao bem comum’’, que deveria caracterizar a ação política, fica para um segundo plano. ‘‘Me eleger para me servir’’, este parece ser o princípio de muitos ‘‘macacos velhos’’ há anos eleitos pelo povo e acostumados a ‘‘deitar e rolar’’ sem serem cobrados ou questionados por boa parte da população. Assim como a população londrinense está aprendendo a exercer a sua cidadania, saberá também dar um fim nos parasitas e aproveitadores que só se dispõem a atuar segundo conveniências pessoais. Que os políticos abram os olhos, pois a vigilância exercida pela sociedade organizada deverá ser uma constante em Londrina: ou eles mudam ou serão mudados.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina
Professores
Como professora da rede estadual de ensino, sinto-me enojada com as inverdades que o sr. governador vem publicando em suas propagandas em jornais e redes de televisão. É uma pena ganhar tão pouco que não seja possível pagar meia página de um jornal para publicar cópias de comprovantes de pagamento que provam que, há três anos, meu salário não teve o reajuste de um centavo sequer, muito menos o reajuste acima da inflação como ele coloca em suas propagandas. Meu salário de padrão é R$ 334,81 bruto. Não sei como o salário médio dos professores pode ser acima de R$ 700 se ninguém obteve aumento nos últimos 3 anos (período em que trabalho no Estado).
Nem mesmo a progressão que deveria ter acontecido em setembro de 99 aconteceu. Se fosse escrever tudo o que esse governo tem publicado e que não corresponde à nossa realidade, certamente seriam muitas palavras. Só acho que as pessoas devem se informar melhor com os profissionais da educação sobre as condições de trabalho antes de acreditar em tudo o que o governo diz, inclusive em ‘‘manter seus compromissos’’ com seus funcionários.
- MARA LÚCIA FAVARETTO, Londrina
Recursos florestais
A polêmica tem circundado o projeto de lei que propõe mudanças no Código Florestal, atual Lei 4.771/65. Tal projeto, de autoria de deputado paranaense, objetiva, dentre outros, alterar os percentuais de reserva legal nas propriedades rurais.
A bancada ruralista parece vislumbrar retrocesso em relação à tímida política ambiental brasileira. Defende a manutenção do percentual de 50% para a região da floresta amazônica, e 20 a 25% nas outras regiões. Contudo, o governo, insolitamente apoiado pela oposição e pela opinião pública tenta ampliar o espaço conquistado. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, a proposta defendida pelo governo, em vigor através de Medida Provisória, seria de aumento da área de reserva legal para 80% nas propriedades situadas na região da Floresta Amazônica, 35% nas florestas de cerrado e 20% nas demais áreas do País.
Sabe-se que a região amazônica não tem potencial para a agricultura, portanto deve ser mantida como tal, o que viabilizaria a exploração econômica dos recursos florestais. A implementação do desenvolvimento sustentável parece depender dessa política conservacionista. Além disso, as áreas de preservação têm função estratégica, visto que o valor econômico dos recursos energéticos, da água e do solo aumenta a cada dia, dada a sua escassez no mercado mundial.
Espera-se que a conversão da Medida Provisória em lei venha pacificar as discussões, e sirva como mais um mecanismo de defesa do meio ambiente contra a exploração irresponsável e imediatista dos recursos naturais.
- LARISSA RIBEIRO DA CRUZ, estudante, Londrina
Correção - Por erro técnico, foto principal da página 2 de Folha Economia de ontem (‘‘Consumo de energia industrial sobe 11%) foi repetida na página 6 (Agribusiness, ‘‘Prejuízos da seca chegam a R$ 60 mil’’).
- A fábrica da Lacta, comprada pela Philip Morris, em São Paulo, e que foi desativada por não comportar investimentos em expansão localizava-se no bairro Pinheiros e não no Brooklin, como foi noticiado ontem pela Folha.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de indentidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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