O leitor escreve
Pão e circo
É de dar dó. Mas enquanto houver pobreza, miséria e falta de educação para o povo, a corrupção continuará a dar as cartas neste nosso pobre país. Como assim? Bom, ninguém precisa ser um gênio para saber que quanto maior for a pobreza, falta de informação e falta de perspectiva melhor para os políticos e suas gangues. Pois assim continuarão sugando o dinheiro público descaradamente, bastando para tanto ofertar cestas básicas, lonas e esmolas para o povo humilde e desinformado. É o clássico panis et circenses, ou seja, a política do pão e circo. Um exemplo desta política pode ser encontrado na Folha do dia 17, página 4, de onde transcrevo um trecho de um entrevistado: Se não fosse por ele (Belinati) nós não estaríamos no assentamento onde tem mais de 350 famílias.
É uma inocência tão grande, para não dizer lúdica, como gosta o ex-ministro Rafael Greca. O roubo/rombo aos cofres municipais detectado pelos representantes do Ministério Público até o momento é de aproximadamente R$ 20 milhões, podendo alcançar cifras maiores. É sabido que uma casa popular, modesta é verdade, simples, porém muito mais digna do que morar num barraco de lonas de assentamento, sai pelo valor de R$ 20 mil, aproximadamente (incluída toda a infra-estrutura necessária). Façamos as contas: R$ 20 milhões dariam para construir mil casas populares, podendo abrigar mil famílias ou 4 mil pessoas. Inobstante o fato narrado acima, enquanto o povo sofrido, maltratado, continuar a defesa desses mentecaptos, falsos moralistas, a troco de banana ou R$ 10 reais mais lanche, o que poderemos esperar?
- RÔMULO FABRÍCIO ANTUNES, estudante, Londrina
Povo otário
Seguidamente estão presentes nos noticiários os atos de corrupção que envolve o País, e sempre após uma denúncia de alguém que foi excluído do esquema corrompido. É o desvio do dinheiro público, em benefício do homem público, em todos os setores que o órgão público atua. O povo que ainda acredita tornou-se no mais perfeito PO. (Povo Otário). Esse povo, que é brasileiro, com muito orgulho e com muito amor, que nas horas vagas extravasa seu descontentamento na pinga e na cerveja, nas discussões sobre o que mais entende (futebol), ainda não se certificou da situação real em que se encontra este Brasil.
A mídia enganosa, a pior doença que assola este País, conduz esse Povo Otário ao raciocínio que ela quer. De que adianta derrubar o clã Belinati se outros, com a mesma voracidade e intenção estão urubuzando? E a CPI do Narcotráfico do Paraná, em que o governador está mais preocupado com sua imagem que o resultado a ser apurado? Na realidade, o povo é mesmo otário. Vive mal e tira seu próprio sangue a sustentação das instituições intituladas como os poderes da União. Por esses poderes, base da democracia, o povo está obrigado a sustentar os altos salários, o conforto, o nepotismo, os desvios de verbas, o superfaturamento da administração pública, os encostos dos amigos nos Tribunais de Contas, verdadeiros cabides de empregos sob o crivo do governador, o consequente enriquecimento ilícito etc.
Dias atrás, o então ministro Rafael Greca era maior em denúncias de falcaturas. Depois apareceu Belinati, a Polícia do Paraná e seus colegas do Brasil, Celso Pitta, as denúncias recíprocas entre ACM & Barbalho, cada um entregando as virtudes do outro. Para finalizar, desperdiçaram R$ 4 bilhões numa nau que afundou com o próprio ministro Greca. Alguém ainda tem coragem de dizer que esse governo é sério. Até quando esta sociedade, desmotivada, deixará de ser conduzida pelas promessas dos atuais homens públicos e assumirá uma postura do que é sério e honesto?
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, advogado, Ribeirão Claro
Leis
Nasce o direito de uma necessidade social para reger um comportamento ou garantir o exercício de uma faculdade indispensável para o homem. Foram as relações humanas bentas e exorcizadas, desde o descobrimento do Brasil, por leis portuguesas, que, geralmente, portavam o nome de um monarca que as compilara. Essas leis sempre foram bem escritas, representando a excelência dos seus autores no conhecimento da matéria.
Com a República, aperfeiçoou-se o processo legislativo, tendo sido editadas leis bem redigidas, até o início dos anos 60. Caótico o processo nos governos militares, dando azo para que os tecnocratas, através de portarias, circulares, regulamentos, avisos e outros que tais, entulhassem o País de leis desconexas, mal redigidas e criadas para satisfazer-lhes o ego ou garantirem o êxito de seus padrinhos.
Vindo a Constituição de 1988, importou-se a medida provisória. Instrumento excepcional, para ser usado em ocasiões especialíssimas, foi brandido, a torto e a direito, pelo presidente da República, tornando os liliputianos congressistas seus vassalos. Não contente, teve a chancela do Supremo Tribunal Federal, não só para as reedições das medidas provisórias, como também para acrescentar no texto, de qualquer uma delas, o que bem entendesse, sem qualquer conexão com a proposta. E isso acontece com frequência.
Os operadores do direito sentem-se, muitas vezes, constrangidos a orientar seus clientes, quando percebem que interesses de grupos podem alterar o rumo de qualquer medida provisória. Os advogados, não vinculados a interesses corporativos, sentem-se humilhados porque os grandes temas institucionais de interesse do povo brasileiro são relegados (reforma tributária, política, do Código Civil, das leis comerciais e outras tantas). Não podendo celebrar, rezam para o Brasil não tentar a descoberta, por via marítima, de Portugal.
- JAYME VITA ROSO, advogado, São Paulo
Academia de ciências
Existe, sim, em Londrina, uma academia de ciências, letras e artes. Faz anos e funciona. E é, sem dúvida, honra e brilho da cidade. Vale cultura, vale aprendizado, vale a exibição de valores. Há-os, e quantos, na demonstração evidente da riqueza científica, literária e artística da que foi, e mais não é, a capital mundial do café. Acabou-se o reino do precioso bago vermelho da rubiácea. Deve crescer e subir o império do saber. Esse, por mais que penetre e se expanda, é sempre pequeno, para não dizer mínimo, diante da sua interminável veia aurífera. Em Londrina o que falta é mais interesse. Sente-se o desinteresse inexplicável pela cultura. E, talvez, por isso mesmo pela Academia.
Mas ela tem seus adeptos e frutuoso desenrolar. Uma vez por mês, no Hotel Bourbon, das 10 às 12 horas, corre sua sessão ordinária. Bons momentos, ricos de beleza e de aproveitamento. A gente vai almoçar já com a mente nutrida de suculento pábulo espiritual. Pena é que seja a academia pouco frequentada e, mui pouco ventilada pela imprensa falada, escrita ou a televisada. Qual seria a razão? Falta de espaço? Não creio, pois há espaço e quanto, para tantas coisinhas. Nem posso omitir uma palavra de caloroso aplauso ao médico João Soares Caldas, o presidente perpétuo, esteio forte e cuidadoso mantenedor da academia. Espero e desejo que esta carta produza bons frutos. Foi minha obrigação redigi-la, e o fiz séria e gostosamente.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de indentidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





