O LEITOR ESCREVE
Em carta publicada na edição da Folha de terça-feira, 16, o leitor João Mendonça da Silva, de Londrina, faz algumas afirmações que merecem as devidas considerações, em respeito ao público leitor do jornal. O paralelo proposto entre a gestão pública e o comportamento de um hipotético filho que conduz os negócios do pai de forma perdulária é rigorosamente equivocado, como se verá a seguir. Aos fatos. Diferentemente do que diz o leitor, a Sanepar não foi vendida a grupos franceses. Parte do controle acionário da empresa foi adquirida por empresas privadas, numa estratégia de longo prazo para fortalecer a Sanepar e o programa de saneamento que está sendo executado em centenas de municípios, em benefício de milhões de paranaenses.
O Banestado está sendo preparado para ser privatizado em face de circunstâncias econômicas e financeiras derivadas de uma conjuntura nacional, portanto fora do alcance do governo do Paraná. O déficit que obrigou o Banestado a passar por um processo de saneamento apoiado pelo Banco Central, é bom que se diga mais uma vez, foi resultado de problemas originados e acumulados ao longo de vários anos, durante diversas administrações estaduais. Esses problemas acabaram por tornar insustentável a situação do banco num quadro de estabilidade econômica e inflação baixa. Outros bancos estaduais ficaram sujeitos à mesma situação, sem exceções. O governo do Paraná mantém o controle acionário da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que obteve lucro de R$ 100,8 milhões no primeiro trimestre deste ano, conforme o balanço da empresa. Todo o resto que se fala e escreve a respeito não passa de especulação pura, sem procedência nem fundamento.
As rodovias federais que fazem parte do Anel de Integração estavam em situação precária de conservação antes da implantação do programa de concessões do governo federal. A verdade é que o governo do Paraná não podia permanecer de braços cruzados ante o caos e o descalabro a que estavam submetidas essas estradas, situação provocada pela absoluta falta de recursos do governo federal para a sua conservação e os devidos reparos. As seis concessionárias que assumiram os 2.335 quilômetros do Anel de Integração são responsáveis hoje pela sua manutenção, bem como pela recuperação de 770 quilômetros e a duplicação de 242 quilômetros até o final de 2002, além de contornos e outras melhorias, que aumentaram a segurança dos usuários dessas rodovias e reduziram os índices de acidentes.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA DO GOVERNO DO PARANÁ
Promessa
Ainda em campanha para o governo do Estado (1º mandato), ao perceber, através das pesquisas, que se elegeria governador, Lerner fez a seguinte confissão-promessa a um grupo de professores que lhe entregou uma pauta de reivindicações, no Aeroporto de Londrina: Os professores não vão se arrepender por este apoio. Devo a vocês a virada que me levou à vitória, disse.
Passados cinco anos, nenhum fato novo do governo Lerner deu sustentação a essas palavras. Hoje, decepcionados, os professores lançam mão do último recurso (a paralisação das atividades), no anseio de verem atendidas as velhas reivindicações. Arrependidos? É o momento de o os professores não vão se arrepender de sair da inércia, dar sentido a suas palavras e provar ao magistério paranaense que foram palavras de homem que honra o que fala.
- GENTIL ANGELO SPIASSA, Londrina
A política das muletas
Será que os governantes estão pisando de maneira correta na calçada popular? Tal resposta facilmente à nossa sociedade pode ser encontrada. Quando não é o crime organizado, a máfia dos entorpecentes, são os problemas de terras, reivindicações salariais e para finalizar, Londrina está em condições desfavoráveis no cenário.
A sociedade está estagnada diante de tanta falcatrua, sofre calada perante os acontecimentos que passam aos olhos daqueles incapazes de exercer a cidadania em um picadeiro de interesses, flagrados diariamente. Talvez por tratar-se de um ano eleitoral, a estratégia seja outra; algumas obras daqui, outras ali, diminuindo a perspicácia do eleitorado. Porém, Brasília manifesta-se de forma tímida. Um pronunciamento mais enérgico demonstra divergência entre os partidários, afinal não podemos desmerecer a participação inescrupulosa em evidências relatadas nos meios de comunicação. Para um país cujo ideal era locomover-se ao progresso, parece não estar indo muito bem das pernas.
- RODRIGO ROSSI, Curitiba
Piada (1)
O Legislativo brasileiro é uma piada. O senador Antonio Carlos Magalhães deveria ter vergonha de criticar o presidente Fernando Henrique Cardoso. Não só ele, mas todos os congressistas. Os senadores e deputados criticam o presidente FHC pelo excesso de Medidas Provisórias. Esquecem, porém, que são eles que dão causa. Não instituem leis. Daí, se FHC quiser governar o Brasil, terá que o fazer por Medida Provisória, que é de sua iniciativa. O Executivo institui Medida Provisória, que guarda eficácia por trinta dias, e remete-se ao Legislativo. Os membros deste órgão, do Congresso, criticam-na, mas não a submetem à apreciação e à votação. Daí, para que o governo não fique inerte, terá que reeditá-la de 30 em 30 dias, até que se transforme em lei, com sua aprovação.
Quando a MP rende dividendos políticos, fazem aquela celeuma. Uns criticam, outros apóiam. Querem ver o circo pegar fogo. E só. No caso da MP do salário mínimo atual, todos os parlamentares se manifestaram favoráveis ao valor maior. Porém, nenhum deles teceu justificativa plausível de sua indignação ou conformação. Não querem votar em vão. Principalmente porque se trata de ano eleitoral. E é certo que todos ficarão recuados, atirando uns sobre os outros e sobre o presidente FHC as pedras.
- ADÉLIO DRUCIAK, advogado, Londrina
Piada (2)
O governo dos Cardosos é uma piada: tiraram R$ 30 bilhões do FMI para distribuí-los pelo Proer à nora do presidente e outros banqueiros falidos. Quando um morde, o outro assopra. Um se finge de antropólogo, mas justifica os bombardeios de Clinton no Iraque; o outro se diverte surrando trabalhadores e índios. O Real perde a metade do valor e os remédios sobem 300%, mas o governo não vê inflação.
O ministro José Serra cria os remédios genéricos, mais baratos, mas ninguém acha. O medicamento Atenol (Zeneca, 28 comprimidos de 50 mg de atenolol) já custa R$ 15,53. O genérico Atenolol (Glicolabor, 30 comprimidos de 20 mg de atenolol) custa R$ 28,67, isto é, 400% mais caro. Obrigado, José Serra!
- PAOLO MARANCA, São Paulo (SP)
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