O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Atlético
Expressamos nossa gratidão pela cobertura que a Folha de Londrina tem feito dos nossos posicionamentos na Câmara de Vereadores de Curitiba, principalmente em relação ao episódio que envolveu o Clube Atlético Paranaense. Parabenizo a imprensa paranaense pela defesa daquele importante clube do nosso Estado. Tenha certeza de que nós, atleticanos, somos muito gratos aos jornalistas que ajudaram nosso time, assim como as torcidas do Coritiba e do Paraná Clube, que demonstraram solidariedade neste momento difícil. Aproveito para colocar nosso gabinete à sua disposição para apresentação de projetos que beneficiem o município de Curitiba.
- NEY LEPREVOST, vereador em Curitiba
O último dos moicanos
Bastou o PT botar as asinhas de fora para denunciar um novo escândalo tropical: o da compra de votos para a reeleição de FHC e o efeito bumerangue da corrupção voltou contra as bases internas do Partido dos Trabalhadores. Paulo de Tarso, que num passado bem próximo foi integrante da cúpula do partido, rebela-se e traz à tona novamente uma denúncia que havia feito há tempo, e justamente contra a estrela máxima do Partido, Luiz Inácio da Silva, o Lula. O que Paulo de Tarso quis provar ao Lula e ao PT é simples na filosofia política: Todo mundo é corrupto, inclusive você. O PT chegou lá, ganhou o poder, e em vez do discurso virtual entrou no mundo real, o mundo executivo das licitações, das tentações, das propostas em voz baixa e nos lugares desertos. E por que não também do tecnicismo? Maior que qualquer tragédia na aviação, maior que o furor dos tornados americanos e maior que a conquista de Guga no tênis, é o fôlego da corrupção na vida pública. Depois da queda de Arraes, que perdeu o seu patrimônio moral quase intocável no episódio, surge agora a possibilidade de cair a estrela solitária de um homem que só tinha sido acusado até hoje de ter uma filha fora do casamento. Não querendo parafrasear o comentarista global Arnaldo Jabor que, ao saber do episódio, soltou a língua ferina: O que é isso, companheiro?Mas, sem dúvida, o fato precisa ser bem mais explicado que as manifestações de solidariedade partidária contra o último grande nome a defender o moralismo na vida pública, como um último guerreiro tribal moicano? Tomara que não. A galeria de vilões não precisa de reforços.
- JACOB BITTENCOURT DE MORAES, Nova Santa Bárbara
Conivência social
O estudante bem vestido, banho tomado, chega atrasado para seu curso noturno. Estuda para ser fiscal do INSS. Ouvindo voz de assalto é encostado contra o muro, onde é revistado por duas figuras pateticamente confusas, quase debilóides. O mais baixo aparentando tenros dezoito anos e bêbado feito gente grande, revista o estudante assustado. Não apresenta qualquer tipo de arma, mas o ameaça de morte. Discutem sobre o que roubar. O mais baixo, ambicioso, quer levar vítima e automóvel até um caixa eletrônico para sacar dinheiro. O mais alto, modesto, quer ficar com a jaqueta e os R$ 15. Os fora-da-lei decidem ficar com o dinheiro e o meio pacote des Mentitas. Vão embora correndo, provavelmente em busca de novo coitado.
Esse episódio, digno de livro de contos, poderia ser apenas mais um acaso típico de cidade grande. Poderia, não tivesse acontecido às oito da noite, na Rua do Rosário, em frente ao Colégio Divina Providência, centro de Curitiba, diante de um ponto de ônibus com cerca de trinta entediados espectadores, que observavam com cara de diariamente. Que extraordinário fenômeno será esse que calou a boca de trinta cidadãos ao não se dignar a gritar um Pega ladrão. O signatário é o estudante bem vestido do conto. Resolvi chamar o fenômeno de conivência. Nociva conivência social que aumenta em proporção direta à violência nas cidades. Parabéns aos patéticos marginais. Com sua brilhante estupidez eles estão ganhando a guerra contra as cabeças academicamente mais preparadas da sociedade.
- ANDRÉ MONTENEGRO, Curitiba
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