Mãe (1)
Filho! És para mim o ontem, o agora e o amanhã. Te vi com os olhos de minha infância, nas brincadeiras que fizestes, nas pequenas invenções e nos ensaios de liberdade. Juntos aprendemos a nos conhecer. Tu tão cheio de si, tão dono da verdade e eu ensaiando de mãe, querendo te segurar. Depois foi tua vez de, já adulto, me ver com olhos de igual. Fizemos então uma viagem tranquila, tu e eu lado a lado, sem vencidos ou vencedores. Mas no vaivém do tempo, os papéis se inverterão. E eu que fui tua mãe, serei então tua filha e engatinharei. E tu, forte, cuidará de minha fragilidade. Me tomará em teus braços e, paciente, corajosamente me fará entrar no ventre da Eternidade. E o ciclo se repetirá.
- VALCI MATTOS, professora, Cascavel
Mãe (2)
A concha abrindo-se, exibiu a pérola! Mãe: abre-se esse teu corpo, como o ventre da terra, para a semente transformar-se em fruto, em flor. Mãe, eis o teu filho; sangue do teu sangue, carne da tua carne, teu riso, teu pranto, teu suor. Filho, eis o que és, dessa mulher que é a tua mãe.
Eu diria a todas as mães: a melhor escola, teu lar. O melhor professor, o teu exemplo. O melhor livro, o teu coração. O melhor leite, o do teu seio. O melhor abrigo, o teu calor. A mais fiel lembrança em nosso caminho: o teu carinho, o teu amor! Há no olhar das mães, um brilho, brilho que o amor induz no berço a ninar o filho, Marias... a ninar Jesus!
- IRENE CRUZ CORRÊA, Londrina
Mãe (3)
A propósito por ser hoje o dia especial de todas as mãezinhas quero parabenizá-las e, ao mesmo tempo, integrar-me a esta data em que voltamos toda uma atenção para esta criatura maravilhosa que não é apenas a rainha do lar, mas é também a fonte inesgotável de amor, ternura e carinho. Como é gostoso sentir sua presença, mamãe!
É maravilhoso tê-la ao meu lado todos os dias e poder chamar por seu nome. Mamãe que não mede esforços e que muitas vezes esquece de ir para a cama, quando ficamos doentes. Que está sempre com o coração aberto para nos ouvir, para compartilhar nossas ansiedades. Que cuida da nossa dor e nos dá o remédio na hora certa. Que chora junto comigo na hora do desespero. Afinal, quero acrescentar que você, mamãe, é muito mais que uma mulher. É uma dádiva do criador.
- ABRAÃO FREIRE DA COSTA, Londrina
Política
Nossa política, inventada para facilitar a convivência humana, morreu e virou um fantasma. No mundo todo é assim. Não combina a natureza humana com a política. Independente da quantia da ideologia e idealismo, uma vez no sistema político, a natureza humana fala mais alto e aí começa o que estamos cansados de ver... essa corrupção toda que não é invenção brasileira. O que nos diferencia do resto do mundo é que aqui corrupção, por falta de participação da população, funciona melhor. Os tempos estão mudando, a face feia do fantasma ‘‘política’’ está sendo cada vez mais desvendada pelos meios de comunicação e a população protesta.
Porém, o fantasma ‘‘política’’ é forte, ele consegue nos dominar porque dependemos dele – é uma relação terrível de submissão e exploração. Aparentemente mudanças só são possíveis através do fantasma ‘‘política’’ e aí aparecem filas e mais filas de candidatos prometendo ressuscitar e renovar a política... e o círculo vicioso apenas continua. Terreno fértil para conturbações populares e outros fantasmas menos perigosos. Só mesmo uma revolução para resolver? A história está cheia delas – será que elas resolveram o conflito humano? Religões, etnias, condição de riqueza x pobreza, meio ambiente, quanta briga! E cada um muito ocupado, procurando seu lugar ao sol que no mundo globalizado ficou muito distante. Passou da hora de não só encararmos o fantasma da ‘‘política’’ como também o nosso próprio fantasma, o medo.
Somos medrosos com mil desculpas, sempre enganando os outros e a nós próprios – o castigo está sendo, aqui na terra mesmo, dia após dia, não pela idade, de estarmos mais velhos, doentes e nossos rostos sinistros e distorcidos. Não adianta sorrisos forçados, passarmos cremes ou fazer plásticas.
Sem seguirmos mais um fantasma eloquente e salvador, nunca é tarde para cada um acordar, recomeçar e viver o ‘‘seu’’ paraíso perdido. Tomar água da fonte da eterna juventude. Ainda, apesar de tudo, vivemos num belo mundo. Chega de filosofia! É agora com você sua ‘‘revolução’’, olhar no espelho e travar uma luta solitária consigo mesmo. O resto é resto, será consequência. Adeus fantasmas!
- DANIEL STEIDLE, Rolândia
Eleições
Não é apenas por conta da rima pobre que estas duas palavras, eleição e ladrão, estão unidas, mas por força do processo antidemocrático e ilegítimo pelo qual a eleição para cargos públicos acontece. Para comprovar esta afirmação, aparentemente, radical basta fazer duas perguntinhas simples de respostas óbvias. Quanto ganha um eleito para qualquer cargo público? Quanto custa a campanha eleitoral para esse cargo?
A despeito da justa indignação popular que se vê quando os deputados, legislando em causa própria, aumentam os seus vencimentos e mordomias muito desproporcionalmente acima dos tostões suados que os trabalhadores recebem, se compararmos tudo o que os eleitos ganham com o custo de uma eleição, já detectamos indícios muito explícitos de assalto aos cofres públicos.
Sem precisar números que os técnicos e marqueteiros do ramo sabem muito bem definir podemos perceber que a quantia que um candidato gasta numa campanha eleitoral, por mais modesto que seja esse orçamento, é muitas vezes mais do que ele possa auferir em vencimentos e mordomias durante os anos do seu mandato. De onde, então vêm os recursos para cobrir essa desbragada gastança eleitoral?
Não considerando o financiamento de campanhas eleitorais procedente do roubo de caminhões de transporte com suas cargas e o terrível criminoso comércio de drogas, três são as fontes. Empresário ricos, em vista de privilégios e favorecimentos públicos para os negócios das suas empresas financiam eleições. A outra fonte é o surrupiamento direto do dinheiro do povo por parte do candidato que já detém um mandado administrativo através do superfaturamento de compras e obras. Da parte dos legisladores se dá a chantagem financeira para aprovar projetos do Executivo ou confecção de leis em favor de empresários aliados, ou, então, em benefício dos próprios negócios. A terceira fonte nada intencionalmente honesta, pois visa ressarcimento futuro, seria a do candidato que, em sua insanidade, gasta os próprios recursos tentando se eleger. Esta hipótese é muito rara, pois dificilmente se vê um candidato não eleito financeiramente falido. Por todo esse muito lógico raciocínio, podemos concluir que o povo paga impostos para eleger os seus ladrões.
- JOÃO BATISTA PIRES, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de indentidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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