Hora de agir
Li o editorial do dia 5 e concordo plenamente com o editor, pois faço parte dessa maioria silenciosa. Realmente discutimos nossas opiniões nas rodas de amigos, ou na roda dos negócios, mas não tomamos posições, isso porque também, a própria imprensa se encarregava disso, ora buscando a opinião pública, ou dispondo de espaço para os leitores se pronunciarem. Acontece que hoje em dia a opinião pública não é levada a sério, ou, é manipulada.
A imprensa não tem mais o mesmo poder. Os escândalos não assustam mais, pois as pessoas se acostumaram com a palavra ‘‘corrupção’’. Não querendo generalizar, mas ela corre solta em quase todos os níveis de governo. Somos contra qualquer tipo de violência, seja por invasão de propriedade, ou de impedir o direito das pessoas de ir e vir, ou rebelião contra o governo, mas não podemos mais engolir goela abaixo tudo o que nos é imposto.
Depois da implantação do Plano Real, quantas empresas quebraram! Milhares delas! O povo ficou mais pobre, salvo uma minoria delas. Os custos de produção foram enxugados ao máximo, de forma que todos nós tivemos que abrir mão de benefícios. Os preços caíram por falta de comprador, a concorrência ficou acirrada, e isso é positivo, mas tarifas públicas não pararam de subir, pois o governo não seguiu o exemplo das empresas privadas. Pedágio? É uma vergonha. No Paraná então, é escandaloso. De Londrina a São Paulo, na Rodovia Castello Branco – uma superestrada, de via dupla – você paga R$ 4,80 em cada pedágio, mas no trecho do Paraná custa R$ 4,00, e R$ 3,50, pagando ida e volta, o que dá R$ 8,00 e R$ 7,00 por uma estrada simples, e perigosa.
Então de que lado ficar? Da ‘‘maioria silenciosa’’ ou da ‘‘minoria atuante’’? Eu diria que temos que apoiar o governo no que se refere a cumprir a lei e manter a ordem, mas se a única forma de sensibilizar o governo, ou a sociedade, é protestando, então temos que protestar. Mas de forma pacífica e ordeira.
- IRINEU MANOEL PEREIRA, representante comercial, Londrina
Aparências
Coisas estranhas assustam Londrina: alguns que usam os meios de comunicação, porta-vozes que deveriam clarear a mente do povo, dentro da imparcialidade e ética jornalística, preferiram o quietismo em relação à verdade. Por quê? Não há nada no mundo que possa calar a verdade. Infeliz o comunicador que passa pelo mundo acobertando a corrupção. Não merece o milagre de Deus que o permite falar para tanta gente, principalmente os mais humildes assalariados que conduzem o progresso da cidade. Respeitem os seus leitores e ouvintes para que eles sejam mais felizes.
A decepção é grande. O prefeito e quase toda a Câmara Municipal estão sob suspeição de infringir preceitos éticos e legais. Parece que rasgaram a Constituição. O fato concreto é que sumiram R$ 200 milhões do erário. Os cidadãos honestos, cumpridores de suas obrigações, exercitando sua cidadania, querem saber onde foi usado, no que foi usado e por quem. Não dá para concordar com isso. Será que esta verdade que tem vários intérpretes é a realidade? São aparências. A verdade é outra. Se for assim, não impeçam os trâmites legais, na maior e transparente clareza, abram as contas e mostrem no que foi gasto tanto dinheiro que dava para fazer inúmeras benfeitorias para a população.
Aparentemente a desmotivação é grande. Parece que não há mais jeito, sociedade organizada, Justiça, igreja irmanaram-se e a verdade de alguns mandatários continua formando uma barreira poderosa e afirmando ao povo que os poderosos querem cassar o prefeito. Quem em sã consciência pode defender tais coisas, se não são apenas aparências que descortinem verdades para que as coisas voltem à normalidade e Londrina durma sossegada com esperança de progresso?
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor, Londrina
Sem-terra (1)
Esse não é o Paraná que queremos. Novamente somos notícia em rede nacional. Não bastasse a lama que a CPI do Narcotráfico trouxe à tona, os escândalos AMA-Comurb e Cia., agora vem mais uma vez à baila a ação de uma polícia despreparada, desastrada e desacreditada. Tardiamente, a população toma conhecimento desses fatos que antes aconteciam nos acampamentos do interior.
Como dar crédito à Secretaria de Segurança Pública? Por acaso não é o ex-secretário, Cândido Martins de Oliveria, homem forte do governo Lerner, apontado de receber uma quantia ilícita e razoável de dinheiro suspeito? Não acredito em homens e mulheres que, em nome da lei ou do estado democrático de direito, são capazes de legitimar até a morte do próprio povo que os elege. Tenho dificuldade em entender esse estado democrático de direito. Talvez seja necessário buscar o conhecimento com o ‘‘príncipe dos sociólogos’’. Ouço o FHC e o Lerner vomitarem esse conceito cunhado por algum jurista, sociólogo ou determinada casta social. Não obstante, a vida de qualquer pessoa não vale mais que um conceito, lei ou prédio público?
Não sei se estamos já noutros 500. Esse filme é repetido. Sei que esse estado democrático de direito não permitiu que os indígenas sobrantes celebrassem sua versão da história. As cenas de negação dos direitos fundamentais das pessoas estão se tornando banais e cotidianas. Diante da lama que envolve nosso País e dos desrespeitos ao trabalhador, estamos perdendo a capacidade de indignação ética. Nossos outros 500 estão seriamente comprometidos.
- ROBERTO DE PAULA, padre, Jataizinho
Sem-terra (2)
A Constituição do Brasil diz que ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano degradante. As pessoas que tiveram acesso de uma forma ou de outra às imagens da ação da polícia que impediu na última semana a entrada de cerca de 3 mil trabalhadores rurais sem-terra em Curitiba para uma manifestação depararam com cenas que vão totalmente contra este direito assegurado pela Constituição. Questiono-me enquanto cidadã brasileira e paranaense sobre as ações do governo do Estado. Pois se a polícia assim agiu foi a mando deste.
Que governo é este que sempre age de forma covarde? Elegemos representantes para que estes sejam porta-vozes de nossas reivindicações e direitos e não para que estes usem medidas coercitivas no intuito de impedir nossas manifestações por questões que julgamos importantes e necessárias. Homens, mulheres e crianças simplesmente foram destituídos de seus direitos e impedidos de se expressar. Isto não é democracia.
- ALEXANDRA ALVES, estudante, Londrina
Pernilongos
Estou sendo sugado! Não estou mais suportando ser picado por tantos pernilongos. Já coloquei tela em todas as janelas e portas e assim mesmo tenho que passar veneno toda noite. Ainda assim eles atacam. Meu bairro (Waldemar Hauer B) está uma droga, não tem recurso algum e ainda temos que conviver com o mau cheiro de indústrias. Acho que esses insetos são criados nestes lugares pois quando a noite chega eles voam em forma de nuvem. Único valor que tem o meu bairro é o imposto, que é o dobro do valor venal. Será que alguém pode socorrer?
- ANTONIO CARLOS RUGILA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de indentidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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