O LEITOR ESCREVE
Anchieta
Aconteceram dia 9 de junho as comemorações dos 400 anos da morte de José de Anchieta. Ecoaram solenes e de efusivo agradecimento por todos os recantos do Brasil. Bem merecidas, sem dúvida. Pois o beato pontifica entre os maiores benfeitores do País, sobretudo nos anos primeiros do seu descobrimento. Nele só há grandezas, de superior cultura, de sublimes virtudes, fruto espontâneo das duas primeiras, de desmedida dedicação evangelizadora. Deve continuar brilhando, como estrela de primeira magnitude no cenário amplo da História do Brasil.
Graças a Deus, Anchieta foi celebrado também em Londrina. A soma de boas vontades - fruto de compreensão cívica e de amor pelo belo e pelo bom - permitiu fosse ele condignamente homenageado. Quase desconhecido, tornou-se, em poucos dias, um nome luminoso e querido dos londrinenses. Cabe-me - incentivador e coordenador que fui - relevar e agradecer. E o faço com alma puramente anchietana. À imprensa falada, televisada e escrita nosso aplauso pela presença valiosa. Saliento as rádios Alvorada, Brasil Sul e Paiquerê que, durante os 31 dias de maio, levaram aos ouvintes a vida inefável do apóstolo do Brasil.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Monólogo de agricultor
Contribuição ou exploração? E essa carga tributária que começa a flagelar a classe agrícola, que pouco a pouco entra em colapso, ao menos os pequenos. Fico cada vez mais desanimado com essa burocracia no campo, agora com contribuições sindical, Crea, INSS sobre a produção e outras, que já somos obrigados a pagar. O fardo que carregamos fica mais pesado ainda. Haja dinheiro para tudo, quando se tem pouco e tem que ser na hora. Se não... Já não sei o que é para sentir nessas horas. Nosso ganho é de seis em seis meses (soja e trigo) e cada vez menos. Temos praticamente tudo a céu aberto e correndo o risco de perder tudo pelas intempéries.
Nessas horas de perda, quem nos ampara? E quando temos a terra invadida? E quando nossa produção não alcança nem o preço mínimo? Mas para pagar e contribuir somos lembrados. Somos uma classe desunida e de alvo fácil. Estamos calejados de sofrer na roça e prejudicados pelos planos do governo. A quem duvida convido para ser agricultor e comprovar. Resta-nos entrar em extinção ou nos tornarmos sem-terra.
- FRIEDRICH SCHERCH, Rancho Alegre
Parapsicologia
Numa sessão de precognição, que quer dizer previsão do futuro, jovens londrinenses deram uma demonstração de não acreditar muito em nossas elites dominantes, consequentemente no Brasil. Sob transe hipnótico, responderam perguntas da platéia, com projeção até o ano 2005, tais como crianças abandonadas, valorização do professor e se o Brasil vai para o primeiro mundo. As respostas foram alarmantes: não só teremos mais crianças abandonadas, como adultos e velhos. Professores não serão valorizados. Entrarão em seus lugares os computadores e a televisão. O Brasil será o capacho do mundo, não vai alcançar as primeiras potências e servirá mesmo para depósito de lixo atômico. Isto é fruto do inconsciente, onde a força jovem não acredita nas elites dominantes e muito menos no Brasil. Se lhes perguntassem sobre o Plano Real, a inflação e o desemprego, certamente as respostas seriam as mais catastróficas. Atenção, elite dominante: é preciso ouvir os jovens do nosso País. Eles serão o Brasil de amanhã.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
CORREÇÃO
A fotografia que ilustra a matéria ‘PR disputa a entrada de gasoduto’, da página 3 do Caderno de Economia, da edição de ontem da Folha, não é do presidente da Compagás, Luiz Roberto Dantas Bruel, mas do ‘headhunter’ Simon Franco. O ‘headhunter’ esteve em Curitiba participando de um seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), sobre as perspectivas para grandes executivos com a atração de montadoras para o Paraná.

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