O leitor escreve
O leitor escreve
O sonho acabou
Foi-se o tempo de ufanismo e brados em torno da criação de novas indústrias. A falência do governo paranaense e a guerra fiscal entre os Estados reduziram, sensivelmente, o anúncio em torno da instalação de novas unidades industriais no Estado. Aqui mesmo, em Londrina, o ímpeto em torno disso acabou. Graças, talvez, à crise por que passam os poderes políticos locais (?). Há quase um ano, prefeitura, Codel e Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) não anunciam, infelizmente, nada de novo para confortar as classes trabalhadoras. Pelo contrário: a gente é obrigada a ouvir, e ler, que a Elevadores Atlas está demitindo 40 funcionários e que a Dixie-Toga está vendendo sucata...
Na falta do que fazer ou de trazer as autoridades e os executivos daquela Companhia lançam expectativas ao anunciar que estamos negociando a vinda de mais uma indústria, como a tal americana Gates (tomara que eu esteja enganado e a indústria realmente venha). Bons tempos aqueles em que a gente escutava os rojões pipocando em algum canto da cidade para anunciar a vinda de alguma empresa. Você pode questionar-me, mas eu adorava quando mandavam estourar os caros fogos de artifício. Sentia um pouquinho de orgulho de ser londrinense.
- MARA LÚCIA DA SILVA, estudante, Londrina
Sangue derramado
O sangue derramado, ao longo dos séculos, não pára de bradar aos céus. Não basta ao homem assumir a atitude de Caim e isentar-se de culpa. Todos pertencemos à mesma família humana e somos responsáveis uns pelos outros. Isto exige que peçamos perdão ao Senhor da vida, pois também nós nos envolvemos em ações que o Evangelho reprova.
Na história dos homens há momentos e atitudes necessitados de arrependimento e perdão, mas, ao longo do século XX, os homens, especialmente pobres e indefesos, foram judiados e feridos em seus direitos e sentimentos de criaturas, plasmadas à imagem e semelhança do Senhor.
Nossas auto-suficiências, secularismos e violências, fome e miséria, atingiram e mataram povos inteiros, provocaram crises familiares, desenvolveram a cultura da morte, tudo foi e continua sendo objeto de agressão e humilhação neste século, pomposamente chamado de o século das luzes e poder.
De modo especial, importa celebrar um mea-culpa por todos os atos violentos praticados contra pessoas inocentes. O homem orgulhoso e sanguinário, triste herança de ideologias falsas, julga-se dono da vida e pretende dispor da mesma a seu bel-prazer, tanto da sua como da dos outros; julga poder encontrar, na eliminação do seu concorrente e comensal, a solução para determinados problemas do mundo. Assim, o homicídio passou a ser considerado, em determinadas circunstâncias, um suposto direito a ser regulado pelo Estado.
A Igreja tem proclamado que o Criador, após ter perdoado os crimes da humanidade arrependida, não deixará de enviar sua bênção às gerações do terceiro milênio, pois, unidos no amor e na confiança, temos a necessidade de caminhar juntos, rumo a um futuro melhor.
- VENDELINO ESTANISLAU, Curitiba
Futuro melhor
O poder criativo do homem é imensurável. Porque será que mesmo com tamanha inteligência o desamor campeia, a desonestidade é real, a violência cresce e os políticos nos decepcionam? Entrechocam-se o racional com o irracional! As mentes doentias comandam. Pelo amor de Deus, isto não pode continuar. Em sã consciência, não se consegue entender o cidadão roubar os cofres públicos, apropriar-se do que não é seu, acarretando para seus bolsos milhões de reais. Esse antipatriótico, ganancioso, tão anestesiado pelo poder, acha tudo normal e ético, considera-se cristão, íntegro representante do povo. Assim pensando consegue deitar-se e dormir o sono dos justos.
Por que tamanha desigualdade e diferenças de atitudes? Quem age assim não acredita que a vida é efêmera, tampouco em Deus. Quem usa a miséria do povo para viver bem, morar bem em seu paraíso, condena-se inapelavelmente. Será que nada tem jeito mais? Tudo está perdido, as leis constitucionais são palavras mortas, sem efeitos legais? Que vergonha, rasgaram a Constituição!
Não! Não podemos ser pessimistas, derrotados. Temos que nos preparar para sermos livres, com tempo para a vida e para o amor. Enfrentemos os desafios, superando tudo de cabeça erguida e determinação, pensemos alto buscando solução. Se nada mudar, a deterioração ideológica vai aumentar como a indiferença pela qualidade de vida do povo, crescerão a apatia, a violência e o roubo. Pelo amor de Deus, saiamos do marasmo, abramos a voz em tentativas democráticas para um futuro melhor e feliz.
- OSVALDO CARDOSO CHIPRE, professor, Londrina
Na rede
Contaram-me que a Folha publicara reportagem com a dupla Zé Mulato e Cassiano. Quero registrar a minha satisfação de ter procurado e encontrado o texto na rede (Ponteios caipiras) e, sobretudo, de ter lido e gostado da reportagem. Parabéns.
- CAIO CÉSAR TIBÚRCIO, Brasília
Bispos
No dia 26, os bispos do Brasil farão sua assembléia anual não em Itaici (SP), mas em Porto Seguro (BA), local da 1ª missa no Brasil, 500 anos antes, com a vinda dos portugueses. Será no dia em que frei Henrique de Coimbra celebrou pela primeira vez a eucaristia em terras brasileiras recém-descobertas pelos portugueses. É claro que aqui já viviam povos há milhares anos. O papa João Paulo II será representado pelo cardeal Ângelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano.
No campo social será dado ênfase na carta quanto à pobreza, reforma agrária, desemprego, demarcação das indígenas, a saúde e a educação. No campo religioso será falado que os leigos devem ocupar seu lugar na Igreja, que está cada vez mais participativo, com visão mais missionária.
Até o dia 3 de maio, data do encerramento dos encontro da CNBB, está em pauta a Carta Pastoral Coletiva do Episcopado. Será uma grande mensagem a sociedade brasileira nas celebrações dos 500 anos de evangelização no Brasil. O documento terá três partes: a memória dos 500 anos com suas luzes e sombras, o discernimento sobre o momento atual brasileiro, e um olhar para o futuro do País à luz do Evangelho, projetando um novo tempo para nossa Pátria.
- NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, padre, Palmas (PR)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





