O leitor escreve





Brasil (1)
Após muitos preparativos, a comemoração dos 500 anos do Brasil alcança a data mais importante. Da maneira como foi divulgado, nenhum cantinho da Pátria ficará ausente dos festejos. Tudo ‘‘bem’’ preparado para que o verde-amarelo seja exaltado ao máximo. Nos últimos meses, o assunto foi ganhando espaço progressivamente. Em todos os órgãos da imprensa não faltaram reportagens sobre a chegada dos portugueses em nossas terras e as consequências históricas do tão proclamado descobrimento. É claro, ao lado desse resgate, vieram as campanhas publicitárias que, aproveitando o momento de civismo mais intenso, agraciaram o bolso dos patrocinadores. Não se poderia deixar de tirar proveito, não é mesmo? Não faz parte do nosso jeitinho?
Entretanto, todo o processo de rememoração das origens da nossa pátria ensejou reflexões mais profundas, além das já conhecidas façanhas pela conquista do nosso território. Na verdade, as comemorações perdem a grandiloquência quando submetidas à avaliação crítica. O descobrimento ganha um tom de posse, de ocupação, de encobrimento das nossas raízes étnicas e culturais. A terra já pertencia a outros povos. E eles, os verdadeiros donos, onde estão?
Isso não quer dizer que toda a euforia e toda a propaganda em torno dos 500 anos estejam fora de propósito. Ao contrário, é preciso festejar. Apenas o local escolhido não é de todo adequado. O forte da festa deveria ser em Portugal (e também nos países do Primeiro Mundo comandados pelos EUA que se aproveitam do nosso endividamento proveniente dos nossos erros históricos). O questionamento não deve ser desprezado, porém não pode conduzir ao pessimismo. É a oportunidade de crescermos com os acontecimentos que empurraram o Brasil até aqui e vermos o que podemos construir doravante.
Neste ano, o aniversário da Pátria por coincidência acontece na véspera da Páscoa, uma data de muito regozijo por ser a expressão maior da esperança. Com a Ressurreição a vida não termina. Por isso mesmo, devemos aproveitar a festa para renascermos enquanto nação e alcançarmos melhores níveis de dignidade para o nosso povo.
- PAULO CEZAR BASÍLIO, professor, Pinhão
Brasil (2)
Gostaria que o Brasil fosse feito de Marias e Joões, que a desigualdade social fossem apenas estórias contadas pelos nossos avós, que a fome não fosse tanta e que a corrupção estivesse apenas na nossa imaginação. Que todos trabalhassem com o mesmo objetivo: servir o seu próximo. Pensando assim, os homens seriam mais felizes, trabalhando não para si, mas pelo seu irmão. Que maravilha! Não existiria fome, sofrimento então nem pensar! Ah! O nosso País, terra boa onde se plantando tudo dá, clima ótimo, muito bom!
Se nossos governantes trabalhassem para o povo, e não para si próprios, pensando apenas no farto salário que têm no final do mês, enquanto milhares de trabalhadores sobrevivem apenas com os míseros R$ 136, de onde descontam impostos que não servem para nada. Eu gostaria que o Brasil mudasse, e que vivessemos com paz e tranquilidade, esse é o sonho de todo o brasileiro.
- MARIA CLAUDIA DA SILVA SOARES, 12 anos, estudante, Santo Antônio da Platina
Juros
Sobre a notícia ‘‘Governo legaliza a cobrança de juro sobre juro’’, publicada ontem: percebam o quão sorrateira foi a decisão do Executivo em tornar legal o anatocismo, também conhecido como juros hamburgueses ou, ainda, como juros capitalizados. Nenhuma ênfase se deu a uma decisão executiva que é um retrocesso e simplesmente põe fim a jurisprudência secular. Nossos magistrados não coibiam à toa o anatocismo, pois tal prática é um verdadeiro abuso, o que faz dívidas aumentarem geometricamente.
Se não fosse para chorar, a explicação para tal abuso não faz rir: ‘‘Se justifica pela tendência do mercado’’. Qual será o próximo passo? A legalização da capitalização da correção monetária (outra ‘‘tendência’’ já praticada pelos bancos?). A sociedade não pode se calar diante desse fato e deve cobrar dos seus deputados e senadores, que têm a obrigação de não deixar o povo perecer com tal medida abusiva, sob pena de abrir-se precedente para mais atos nefastos dessa natureza.
- ROGÉRIO BATISTA AYRES, advogado, Assis Chateaubriand
Chute
O Brasil vive grandes transformações. A economia vence sucessivos desafios e vai reencontrando a expansão; a educação prepara para a cidadania e 96% das nossas crianças já têm escola; setores essenciais como o da saúde e o das comunicações rompem o tabu do atraso e inserem o País na modernidade. Mas os avanços conquistados pelos brasileiros quase sempre são relegados ao segundo plano da mídia. Se os escândalos dão ‘‘ibope’’, opta-se por destacar a corrupção e desconhecer todos os méritos. Justo seria o equilíbrio, mas menos mal, pior era quando a censura ou conivência colocavam toda sujeira debaixo do tapete.
É certo que parte da classe política fomenta mais a baixaria que o debate político. Isso é lamentável e pode até comprometer as instituições. Mas não se deve desconhecer a integridade dos verdadeiros homens públicos, e esses sabem que a discussão ética que passará o Brasil a limpo tem instâncias e momentos certos, como, por exemplo, as CPIs do Narcotráfico e dos Medicamentos, ações da sociedade civil como a OAB move em São Paulo e os processos movidos por instituições como o Ministério Público.
E no meio do acalorado debate, surge o desabafo de Pelé, brasileiro que o mundo aclamou atleta do século: ‘‘Estou cansado de escândalos entre políticos, empresários e gente do futebol, estou com vergonha do Brasil’’. Quero me solidarizar com o ex-ministro dos Esportes: ‘‘É preciso punir os corruptos, mas a punição não é ao arbítrio dos políticos, cabe aos tribunais. Não tenho vergonha do Brasil e nem vejo o País como algo que não faça parte. O Brasil somos nós todos: o Pelé, eu e mais 150 milhões’’.
Chutar a corrupção sempre foi o jogo do PSDB e o desabafo de Pelé é um reforço ao time tucano, que joga a favor da ética debatendo a política com responsabilidade e, sobretudo, praticando a moralidade com o presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores, ministros, prefeitos e parlamentares do Partido.
- CHICO DA PRINCESA, deputado federal do PSDB-PR
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup