O leitor escreve





Políticos
Temos que engolir as mentiras, os desmandos, as corrupções e os verdadeiros assaltos que os políticos fazem nos cofres públicos, e ainda somos obrigados a votar nesses ‘‘profissionais do voto’’. Que se elegem tendo uma única idéia: tirar proveito para si e para parentes e amigos, salvando-se alguns aqui e acolá. E o povo, coitado, quando exige explicações sobre o sumiço do dinheiro público recebem o contra-ataque dos ‘‘nobres’’ chamando-os de insanos e até mesmo de idiotas. Mas os políticos não explicam para toda a sociedade a roubalheira que está havendo.
Onde está a democracia? Se os que deveriam zelar pelo País, se reúnem e aumentam seus próprios salários, sem consultar quem os elegeu. Possuem todos os tipos de regalias, propiciadas através de leis que eles mesmos aprovam. E não querem nem saber se estão errados, pois tacam-lhe um processo por calúnia e difamação.
Por isso temos que juntos lutar para salvar nosso país, recuperarnos a nossa cidadania, a nossa moral e os bons costumes, e para acabarmos com essa corja que aí está, se locupletando cada vez mais com o nosso suor, e com a nossa falta de fiscalização e cobrança dos atos de todos aqueles que são eleitos pelo povo. Vamos gritar pelos nossos direitos.
- ANTONIO DOS SANTOS JOTA, Londrina
Leis econômicas
Toda lei, por suas características, por sua natureza e por suas relações, implica em uma idéia de ordem e de necessidade, uma conotação de direito e de disciplina. Entretanto há leis, sobretudo as econômicas, que parecem ter sido elaboradas para a exata medida da nossa ignorância, transformando o leigo consumidor em caixa de ressonância cujo eco não passa dos seus próprios limites, nem ultrapassa suas próprias limitações.
Se as leis naturais impõem um ordenamento para tudo quanto foi criado por Deus, por que será que as leis humanas, feitas para reger o comportamento individual, acabam por contraditar determinadas causas frente a determinados efeitos? No campo das relações humanas, parece que as leis econômicas são produto, não raro, de fisiocratas bissextos ou de economistas clássicos, fazendo apologia da turbulência monetária, quando sua preocupação primeira deveria ser de um equilíbrio natural, sadio e estável da sociedade.
Ninguém discorda que as leis econômicas sejam necessárias, até porque a ciência econômica tem papel preponderante no concerto de uma sociedade sabidamente capitalista; entretanto certas leis econômicas, por seu próprio conteúdo e pelo seu singular sentido, acabam transformando-se para o leigo consumidor numa sucessão de questionamentos, de experiências, de frustrações e de consequências cuja resposta esclarecedora nunca se faz ouvir.
Que bom seria se a ordem das coisas se disciplinasse em igual harmonia com a ordem da natureza, conciliando interesses regrados e regulados pela mentalidade humana e pela ciência evolutiva, buscando convergências pesadas e pensadas pela experiência qualitativa e pela relação societária. Sempre que o leigo consumidor se depara com leis econômicas, ocorrem certas barreiras vinculadas a princípios de legalidade, de um lado, e de causalidade, de outro lado. O determinismo dos fatos, com frequência, empurra o leigo consumidor para situações em que a legalidade é perversa e em que a causalidade é adversa, dentro de um contexto de raciocínio lógico.
Para o leigo consumidor que bom seria se as leis econômicas passassem a vigorar a partir de hipóteses, de premissas, de condições, de pressupostos, enfim, que fossem capazes de eliminar toda complexidade, de banir todo mistério e que, no campo das ciências sociais, possibilitassem ao entendimento e ao comportamento humano sua exata interpretação e seu correto cumprimento.
- PAULO MORETTI, Curitiba
Suinocultores
Sobre a notícia ‘‘Suinocultores acusam BNDES de favorecer empresa dos EUA’’, publicada dia 5: se este financiamento do BNDES for verdadeiro a fim de fomentar uma empresa estrangeira de suinocultura em nosso País, fico muito triste. Pois o nosso Brasil e os produtores rurais têm capacidade para produzir suínos de qualidade e exportar para o mundo. Aliás, nós já produzimos suínos com tecnologia e eficiência. Os responsáveis pela liberação deste financiamento precisam sair no campo e visitar as granjas de suínos, conhecer melhor a realidade dos produtores de suínos e liberar este financiamento para os produtores nacionais, que investirão em automação de suas granjas, aumentando a produção, a renda familiar e fortalecendo a economia local. Precisamos valorizar o nosso País e o nosso produtor rural.
- TARCÍSIO SPRING DE ALMEIDA, Abelardo Luz (SC)
Crise de cidadania
Definir o que seja cidadão em nossa sociedade não é tarefa fácil. A luta por sobrevivência é aguerrida e excludente, poucos são os privilegiados. Os poderes públicos pouco estão fazendo para melhorar a qualidade de vida da população.
Desta base extremamente larga de não-cidadãos, surgem os criminosos, que por oprimidos e encurralados nesta sociedade absolutamente estamental, praticam crimes contra os abastados que dispõem de educação, saúde, previdência social, lazer; enfim, quesitos de cidadania. A insegurança está generalizada em nosso País, apesar de ser um dos itens do programa de campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso. Para garantir segurança a classe rica necessita contratar a sua própria particular e, mesmo assim, não pode prever todas as formas de aviltamento ficando refém desta crise de cidadania generalizada. Encontrar um grupo de pessoas cidadãs na plenitude da palavra, em nosso País, é tarefa para uma lupa.
O Congresso Nacional tem a chance de mostrar que não é totalmente submisso ao Poder Executivo revendo para cima o valor de R$ 151,00 para o mínimo. FHC foi vaiado em Mossoró (RN) por manifestantes que gritavam palavra de ordem: ‘‘FHC não vale um salário mínimo’’. Foram tachados pelo presidente de fascistas. O povo pode mobilizar-se, é uma questão de sobrevivência. Viva a liberdade de expressão!
- FERNANDO MARREY FERREIRA, advogado, São Paulo (SP)
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