O leitor escreve
O leitor escreve
Paralisação
O nosso protesto na data de hoje é um momento para refletirmos e manifestarmos o descaso do governo estadual em relação a nossa categoria: auxiliar administrativo e auxiliar de serviços gerais. A nossa reivindicação se faz em um momento que julgamos oportuno, pois se iniciou nesta semana (3/4) uma campanha global pela educação, campanha esta realizada com a participação de 100 países e hoje, dia 7, é o ponto culminante, pois os funcionários do setor da educação, liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), promovem um Dia Nacional de Paralisação.
Nosso manifesto é no sentido de reconhecimento e valorização. Queremos ser reconhecidos como profissionais da Educação em nossas áreas de atuação, seja como secretária, merendeira, bibliotecários ou responsável pela limpeza; com plano de carreira, capacitação e assistência à saúde e remuneração condizente aos serviços e a responsabilidade que o trabalho exige. Pois se existissem esses benefícios, com certeza estaríamos estimulados em investimentos em nós mesmos, enquanto profissionais. Desde 1995 estamos sem reajustes ou aumento de qualquer natureza relativo à jornada de 40 horas semanais. Para a categoria de auxiliar de serviços gerais o salário de 1993 equivalia a dois salários mínimos. Hoje não ultrapassa um salário mínimo.
- LUCY MARA ACQUAROLE MÜLLER, Sertaneja
Dignidade
Vivemos em tempo perigoso de permanente desrespeito aos direitos humanos que explode nos salários injustos, na corrupção política e econômica. A sociedade não pode ficar cega ante a injustiça social, ante a pobreza. Nessa seara fértil de indignidade, a dignidade acaba se tornando palavra vazia fruto de escolhas políticas. É preciso analisar nosso sistema político bem como aqueles que querem se manter no poder a todo custo. Não podemos nos acostumar com tais situações que geram exclusão e desigualdade. Num sistema onde se paga os favores com voto, onde se tira daquilo que deve servir às necessidades básicas do povo para fazer caixa dois e assim tentar dominar novamente as eleições. Fiquemos de olho aberto e consciência esclarecida. Lutemos contra toda desesperança, pois é possível revertermos essa situação e chegarmos lá.
- SEBASTIÃO RODRIGUES DA SILVA, pároco de Leópolis
Vislumbrar
Com grande alegria a humanidade assiste e desfruta dos benefícios alcançados no campo da ciência, tecnologia e de muitos outros, durante estes 2000 anos. Mas, no que se refere à humanização, sociabilidade, fraternidade e honradez, constatamos, com tristeza, que ainda estamos no tempo dos primeiros cristãos. O espetáculo continua o mesmo, apenas com novos Herodes, Pilatos, Verônicas, Escariotes, Pedros, Marias e Cristos.
Acompanhando a atuação de nossos governantes vemos, sem muito esforço, a continuação do farisaísmo de 2000 anos atrás. No Congresso, tanto na Câmara como no Senado, verificamos que os atores mudaram mas o enredo do espetáculo continua o mesmo. Se conseguirmos acompanhar as discussões e votações veremos, com clareza, a truculência dos novos Herodes, impondo-se através de medidas provisórias que servem apenas para fabricação de novas cruzes. Para alegria nossa descobriremos que ainda há Pedros, Verônicas, Marias que reconhecem sua luta como desigual e infrutífera diante do poderio dos Herodes e da omissão dos Pilatos, mas continuam gritando, como o cego de Jericó: Senhor, tende piedade dos Brasileiros!
No último dia 26 de março, o nobre senador José Roberto Arruda, líder do governo, veio para a tribuna portando dois dicionários de autores diferentes. O nobre senador nos deu uma verdadeira aula sobre interpretação das palavras quando referiu-se ao verbo vislumbrar, empregado pelos membros da CPI na mensagem dirigida ao Ministério Público, na qual citam a conduta da Dra. Tereza Grossi. Ao defendê-la para a Diretoria do Banco Central, o Senador esclarece que o verbo vislumbrar significa não ter certeza; conhecer de forma imperfeita, obscura ou visualizar sem nitidez. Será que este verbo vislumbrar, empregado pela CPI, não foi um meio elegante desta comissão se referir à conduta da Dra. Tereza, não muito condizente com o cargo que iria exercer?
Este episódio teve um final feliz para o nobre senador e Dra. Tereza. Para nós, eleitores deste Brasil afora, restou uma grande lição. Vislumbrar não é ter certeza, e sim ver as coisas meio ofuscadas. Aproveitemos esta lição, caros eleitores, para as próximas eleições. Quando o candidato subir ao palanque e prometer mais emprego, segurança, educação e melhor assistência à saúde, não vamos acreditar nessas promessas. Vamos apenas vislumbrar essa possibilidade, mesmo porque, ao assumirem o cargo almejado, o deslumbramento destes pelo poder é maior que o nosso vislumbramento das promessas.
- WELLINGTON SAMPAIO, Londrina
Suinocultores (1)
Sobre a reportagem Suinocultores acusam BNDES de favorecer empresa dos EUA, publicada dia 5/4: até que ponto chegou o favoritismo às empresas estrangeiras. Será que o presidente vai ignorar estes brasileiros que imploram ajuda do governo e conceder este absurdo a outros só porque a carne vai ficar mais barata. Se hoje a carne suína custa caro, é porque quem produz no Brasil não tem apoio para fazê-la baratear. Acho que devíamos importar governantes nacionalistas e não empresas para tomar lugar de produtores, a propósito porque tanta gentileza a quem vem de fora?
- ALESSANDRO SILVA DIAS, Itaguajé
Suinocultores (2)
Sou médico veterinário, consultor técnico no setor de suinocultura, atuando no Estado de São Paulo e quero compartilhar com os colegas do Sul a indignação da instalação de megaprojetos estrangeiros no nosso País. Minha preocupação se estende ao Estado de São Paulo, onde também existe uma suinocultura importante que possui custos de produção maiores que aquele citado no Sul do Brasil e uma constante pressão de preço da carne devido as ofertas dos estados do Sul e mais recentemente também do Centro-Oeste.
Como consumidor não sou contrário a concorrência que força os preços para baixo e obriga a ajustes no setor produtivo para também baixar os custos de produção. Mas como brasileiro que acompanha as dificuldades do suinocultor paulista não posso admitir parcialidades principalmente neste caso onde o pobre governo brasileiro estaria financiando grandes empresários do país mais rico do mundo.
- LOURIVAL MENDONÇA, São Paulo (SP)
CORREÇÃO Por uma troca de números, chamada de primeira página trazia ontem erro quanto aos votos no julgamento do líder do MST José Rainha, em Vitória (ES). Diferentemente do que foi publicado, Rainha foi absolvido por quatro votos a três no júri composto por sete membros.
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