O leitor escreve
O leitor escreve
Da moralidade imoral
Recentemente fomos surpreendidos com a informação de que os vereadores Jaci Aguiar e Orlando Bonilha tivessem solicitado uma módica quantia de R$ 200 mil para votarem a favor da não-cassação do prefeito Antonio Belinati. Parece-nos que a recíproca nem sempre é verdadeira.
Alguns membros das OAB e de entidades que assinaram denúncia contra o prefeito sequer comentam o assunto, aliás, aqueles que comentam dão ênfase de que se o prefeito tinha esse material por que não noticiou antes? Noticiar para quê, perguntamos nós, pois, até agora, pelo que sabemos, não há nenhuma notícia de que se tenha feito algo contra aqueles que tentaram o suborno?
E como ficam os demais vereadores? Parece-nos que até a insubornável vereadora Elza Correa vem defendendo seus colegas de Câmara Jaci e Bonilha, sem tocar sequer no assunto do Processo de Cassação dos mesmos. E com que propósito? Aliás, como ficamos nós eleitores nessa brincadeira? Nós queremos como cidadãos saber se esse Comitê da Moralidade Pública não é na verdade um Comitê Pluripartidário, cujos interesses são comuns e voltados exclusivamente para as eleições de outubro?
E daí como ficamos nós nesta história? Onde estão os baluartes da moralidade e do civilismo que chutam portas e bradam pela guerra santa? Por que deixaram de se manifestar diante de tanta imoralidade na Câmara Municipal? Será que não é politicamente interessante o que aconteceu no Poder Legislativo ultimamente? Cadê o processo de cassação instaurado contra os vereadores e assinado pelo Comitê da Moralidade?
Queremos saber se instituições tão dignas estão tomando providências contra seus membros que fizeram parte desse mar de lama, e no entanto, pedem clemência ao grande arquiteto do universo como se Deus fosse salvador dos pecados já anteriormente praticados. E daqui para frente como ficamos nós?
Queremos saber a verdade, doa a quem doer. E essa verdade deve vir à tona rapidamente. Portanto, o mínimo que esses políticos podem nos dar é coerência nas suas ações, o que até então não está ocorrendo, com todo o perdão da palavra.
A síndrome do holofote tem atingido inúmeras figuras públicas marcadas que se esquecem de uma coisa: nossa cidade merece sair sim desse mar de lama, julgando a todos e não só a alguns, a fim de que se instaure uma nova etapa na política e na vida de nós londrinenses. Nossa cidade precisa da verdadeira informação, não de retalhos que interessam politicamente alguns em detrimento de outros.
Se tudo isso não bastasse, vemos mais um capítulo da hostil agressão contra as instituições públicas, em especial, buscando atingir o Poder Judiciário do Paraná. Fizeram por último ataques sincronizadamente e maquiavelicamente de que o Poder Judiciário manchou-se no mar de lama que existia na Comurb. Ora, atingir todo o Poder Judiciário, indiscriminadamente, é um absurdo. É inegável que existam falhas em todos os ramos da vida pública, porém, generalizar é deveras criminoso.
Acusar várias pessoas públicas sem provar ou permitir a defesa dos citados é concordar com um regime de exceção onde nenhuma lei é cumprida, onde o império dos afortunados fala mais alto do que qualquer verdade, por mais cristalina que seja. Permitir e participar do desgaste de uma instituição pelo bel-prazer de se aparecer na mídia global é totalmente degradante e aviltante. É importante lembrar, além do mais, que em nossa recente história, o Tribunal de Justiça tomou várias providências para afastar e condenar os maus magistrados, inclusive com exemplos aqui na cidade de Londrina.
Agora, perguntamos: onde estão os advogados corruptores que, ao que parece, desfilam atualmente com terno de moralidade escrevendo bonito e enfeitando-se com uma capa, tentando limpar a sujeira do seu telhado de vidro? Será que eles sofreram ou sofrerão alguma apreensão da OAB/PR pelos atos escusos praticados para favorecimento de seus clientes?
A verdadeira ética e moral não se encontra na pedra em que se atira, mas sim no reconhecimento de que o lixo que se encontra no seu telhado de vidro deve ser recolhido e limpo rapidamente, sem demagogia ou hipocrisia. Além do mais, só quem vive na moralidade e na ética pode dar exemplos verdadeiros e distintos que sirvam para a evolução da cidadania.
- ALBERT PRIETO GERMINARI, estudante, Londrina
500 anos (1)
O grande culpado pelos transtornos ocorridos em Porto Seguro, quando das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC deu declarações, que na minha opinião, serviram de estopim principalmente ao MST, que tem no presidente um de seus maiores desafetos. Por outro lado, o Movimento de Trabalhadores Sem Terra busca resolver a questão fundiária no braço há muito tempo, sendo que é de responsabilidade do governo federal, ou melhor, do presidente da República, o diálogo com as lideranças do Movimento. Fernando Henrique Cardoso nunca buscou essa alternativa, deixando o MST crescer, fazendo aumentar os conflitos no campo.
Dizer que são alguns gatos pingados os que tentaram protestar durante as comemorações dos 500 anos é xingar milhões de pessoas em todo o Brasil que quiseram estar em Porto Seguro, exigindo de FHC um pouco mais de respeito para com a população do Brasil. Não sou nenhum defensor do MST, mas se o Movimento se fortalece a cada dia é porque alguma coisa está errada e precisa ser corrigida imediatamente para que o País não sofra consequências mais danosas no futuro.
- LUIZ CARLOS LOPES, Ubiratã
500 anos (2)
É vergonhoso que na data da comemoração dos 500 anos de descobrimento, não se tenha ainda aprendido a conviver com divergências ideológicas e políticas. Esta repressão aos manifestantes, me envergonha como cidadão brasileiro e mostra mais uma vez, que estamos longe ainda da democracia e do livre estado de direito. O governo FHC deve desculpas aos índios, aos negros, aos movimentos sindicais e ao mundo, pelas imagens de violência que foram transmitidas. Devemos repensar a formação dos nossos policiais, pois segurança é o que eles menos propiciam.
- RONALDO JOSÉ NASCIMENTO, Lisboa, Portugal
500 anos (3)
Que País é este? País que comemora seus 500 anos e seu povo não tem mais nem o direito de manifestar-se, onde o povo é obrigado a escutar e ficar calado. Meu caro General, o povo tem sim direito de manifestar-se. Cadê a nossa democracia? Passeatas e manifestos estão sendo reprimidos por todo o País com o uso da força policial. Policiais que reprimiram os manifestantes estavam sem identificação, pergunto-lhes qual o motivo? Não se respeita mais a Constituição Brasileira. Presidente que precisa de toda uma segurança especial, é porque não tem apoio popular. Então por que não se demite como fez o presidente da Funai, após o conflito, aí sim, seria o grande presente para o aniversário do Brasil.
- AGNALDO B. NUNES, Cornélio Procópio
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