O leitor escreve





Ressurreição (1)
A vitória sobre a morte, que Jesus veio nos trazer, deve ser compreendida e atualizada na medida em que o tempo vai passando. A ressurreição de Jesus para os de sua época significou uma retomada da vida, da esperança na transformação da humanidade a partir do amor presente na mensagem de Jesus. Jesus, em sua vida terrena, acolheu o órfão, tratou bem a viúva, trouxe os excluídos ao centro, converteu os pecadores, acolheu as mulheres, enfim, ofereceu dignidade a todos que necessitavam. De modo que ressuscitar hoje também deve significar transformação. E isso só poderá ser realizado a partir daqueles que acreditam em sua mensagem.
Precisamos ressuscitar a política, para que os governantes sejam de fato representantes do povo no momento da execução, avaliação e julgamento das leis. Precisamos ressuscitar a ética humana e cristã, para que não percamos de vista o fundamento religioso de nossas ações, o sentido de nossas vidas. Precisamos ressuscitar a educação, para que não haja mais escolas sem alunos e alunos sem escola. Precisamos ressuscitar o trabalho, para que todos possam ganhar o pão com o suor do próprio rosto. Precisamos ressuscitar o transporte, para que muitos trabalhadores não sejam confundidos com animais jogados nas carrocerias de caminhões e paus-de-arara. Precisamos ressuscitar a saúde para que ninguém morra por falta de atendimento e que se invista na prevenção.
Precisamos, enfim, ressuscitar o homem, para que o mundo ressuscite. É necessário que a ressurreição de Jesus, momento forte da celebração pascal, seja acolhida como fundamento das demais ressurreições, seja a fonte e a força para que as demais ressurreições aconteçam. Ressuscitar com Jesus é se opor a toda forma de injustiça que estraçalha a dignidade humana. É dizer sim à vida e não à morte. Ressuscitar é viver, é libertar-se e libertar, é estar disposto a amar e ser amado, é perdoar. É aceitar ser essencialmente a imagem e semelhança de Deus.
- PAULO SÉRGIO DE FARIA, professor, Curitiba
Ressurreição (2)
Uma boa notícia, a persistência de Deus! Ele não se intimidou. Ele concretiza seus planos e os leva a termo, a despeito das circunstâncias que o mundo lhe impõe. E isto foi demonstrado de forma clara na ressurreição de Jesus. Qual foi a surpresa, quando no domingo de manhã as mulheres foram ao túmulo, para levar o perfume que haviam preparado, e encontraram o túmulo vazio. ‘‘Por que buscais entre os mortos Aquele que vive?’’ (Lucas 24:5) Jesus está vivo!
O mundo quis calar Jesus. Deus no entanto, quis diferente: o ressuscitou. Ele não está entre os mortos, onde os homens o colocaram. Ele vive e está onde Deus o colocou. E é entre os vivos que ele deve ser procurado, no meio deles, promovendo vida, valorizando vida, dando vida, chamando para a vida. Feliz Páscoa.
- ANTONIO CARLOS G. A. RIBEIRO, diretor-geral do Hospital Evangélico em Londrina
Ressurreição (3)
Por festejarmos os 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo esta Páscoa tem um sentido diferente. Após seu nascimento e sua vida até os 30 anos com José e Maria, Jesus apenas pregou diretamente ao povo durante 3 anos. Depois foi crucificado pelos homens da época, representando a humanidade toda que rejeita o projeto divino.
Mas a força da vida de Jesus Cristo está na sua ressurreição. Esta passagem da morte para a vida é força para toda a humanidade nesta Páscoa. Os judeus fizeram sua Páscoa saindo do Egito e entrando na terra ‘‘onde corre leite e mel’’, a terra prometida – Israel. Para nós a Páscoa é a passagem do pecado para a graça, da incompreensão da mensagem e do projeto de Jesus para a adesão ao seu projeto salvador e redentor.
A missão de Jesus ainda não acabou e deve transformar as estruturas e os corações de hoje. A morte de Jesus na cruz é para a salvação de toda as pessoas, para que haja mais dignidade na terra e menos excluídos na sociedade. A ressurreição é a maior prova de que a preocupação primeira de Deus é com a vida dos seus filhos e filhas. Jesus prova que a vida tem força maior do que a morte e pode vencer qualquer barreira.
A ressurreição de Jesus causa admiração para todas as pessoas mesmo as que não têm fé. Devemos estar abertos ao novo projeto que Ele nos deixa para podermos fazer valer nosso batismo e nosso compromisso com o nome de ‘‘cristãos’’, que significa seguidores de Cristo. A Páscoa deste ano santo é diferente porque exige de nós novo compromisso para ajudarmos a mudar as estruturas e mentalidades. A ressurreição de Cristo nos traz a certeza de que Deus continua amando a humanidade e cada um de nós.
- NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, padre, Palmas (PR)
Drogas
Que ótimo este bom jornal (certamente o melhor do Paraná neste fim de século), abordou em Editorial do dia 11 de abril a questão das drogas sob novo prisma. A discussão de opções quanto à discriminalização do usuário seguida da legalização, pode trazer importante luz sobre um tema que a sociedade reluta em se aprofundar. Na medida em que insistimos no drama narcopolicialesco, todos perdemos.
Notem que droga (lícitas e ilícitas) é problema de saúde pública. A Holanda no início dos anos 70 resolveu radicalizar na absorção deste conceito. Se o consumidor se indentificasse e tivesse endereço fixo em território holandês, poderia adquirir doses para consumo próprio. Na medida da quantidade e frequência, poderia ser alvo de atenção das autoridades de saúde. Jamais da polícia. Passados quase 30 anos do início desta experiência inovadora, a maconha está completamente liberada e o consumo de coca ou crack é inferior a alucinógenos de laboratório, aqueles de tarja preta e que causam muita dependência. Em pesquisa realizada em oito países europeus no início de 1999, constatou-se que os jovens holandeses são os que menos consomem maconha e menos se sentiam atraídos por qualquer outro tipo de droga. Sem o charme da proibição, droga se iguala a outros produtos e perde boa parte do seu poder de atração.
Por outro lado, a polícia holandesa não passa pelas mesmas situações que a nossa há muito tempo. Lá os desmanches, o tráfego de armas, o roubo de cartões de crédito, etc., não estão associados às drogas. Na medida disto, sua incidência é menor e os agentes da lei podem se dedicar com mais eficácia à sua profissão, sem pressões corruptoras do narcotráfico. Fico feliz pela iniciativa da Folha. Estimular o debate é saudável e oxigenante e o mundo contemporâneo exige novas soluções para velhos problemas.
- JOSÉ ÁLVARO DA SILVA CARNEIRO, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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