O leitor escreve





Custas
A respeito da notícia ‘‘OAB é contra aumento de custas’’ publicada ontem: são muitos os obstáculos que vêm impedindo o acesso do cidadão à Justiça. As custas (e despesas) judiciais são contadas entre eles. Daí, então, a pergunta: por que não a oficialização dos cartórios? O argumento não é novo, mas vem encontrando resistência em interesses particulares. Já não está na hora de tomarmos medidas mais corajosas e eficientes em favor da comunidade?
- VALDIR BITTENCOURT, Bandeirantes
Tragédia (1)
O que ocorreu foi uma fatalidade. Se por um lado as jaulas estavam mal amarradas como noticiado na imprensa, por outro as pessoas deveriam ter o senso de responsabilidade e não se aproximar do perigo (‘‘Dono do Vostok reconhece falha humana no acidente’’, notícia publicada ontem). Foi excesso de confiança na segurança. Nós, seres humanos, sempre achamos que as tragédias acontecem somente com os outros e nunca conosco. A polícia estava despreparada para enfrentar a situação. E a morte dos outros leões? Havia necessidade de chegar neste ponto? Tenho certeza que assim como o pai está chocado com a fatalidade, Alexandre Vostok também está sofrendo. Ele não queria isso. Ele tem demonstrado humildade em reconhecer isto como uma fatalidade. Não podemos condená-lo. Nem a ele, nem ao pai (que descuidou e permitiu que o filho chegasse tão perto). Infelizmente, fatalidades acontecem quando menos esperamos.
- CLODOALDO ALEXANDRE, Londrina
Tragédia (2)
Na qualidade de mãe, sinto-me com o dever moral de manifestar minha opinião sobre os absurdos proferidos nesta seção de cartas, contra o pai que teve a vida de seu filho ceifada diante de seus olhos. Senhores leitores, como diz o jargão popular, ‘‘chutar cachorro morto não vale!’’. Será que o erro do pai do menino não será por ele mesmo recordado durante todos os dias até o final de sua vida? Será que os professores de Deus precisam condená-lo ainda mais? Humilhando, condenando, inquirindo?
Qual foi o erro dele? Juntar com muito sacrifício as migalhas do seu salário para proporcionar um pouco de alegria ao filho, levando o menino ao circo, quem sabe numa tentativa de minimizar a dureza de uma vida difícil e regrada, ou seria melhor que ele tivesse investido tais ‘‘economias’’ em doses de cachaça, maços de cigarros ou joguetes de azar no boteco da esquina com os amigos?
Acusem de negligência, atirem a primeira pedra no pai por sua atitude supostamente incorreta e imperdoável. Certos, corretos, justos e honestos são o dono do circo e o domador dos animais, que os sujeitou a uma greve de fome involuntária e cruel. Vamos nos comover, ser solidários a suas desculpas esfarrapadas, frágeis, tolas e chorar com eles o sacrifício de seus animais.
Será que haveria tamanha movimentação e revolta caso a vítima fosse o domador ou o dono do circo? Não sejamos hipócritas em negar. Certamente lá no fundinho, sem qualquer falso moralismo, acharíamos que qualquer um deles, teria pago o justo preço por sua irresponsabilidade e negligência.
- SILVANA DE ALBUQUERQUE CAMARGO, professora, Londrina
Pedágio
Nunca vi um negócio se distanciar tanto da lei do comércio que é a lei de oferta e procura, como é o caso das concessões das rodovias para o pedágio. Ou será que não? Vendo os locais de cobrança desta bitributação, constatei que onde se passa mais veículos o preço é maior. Aí podem dizer que cobram mais porque a estrada é mais usada e precisa de mais reparos. E a arrecadação não foi maior? Deveria ser tudo o mesmo preço, ou então uma estrada que nunca passam carros, quando passasse um, deveriam pagar e não cobrar.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Desabafo
Vivíamos bem, a terra nos alimentava, vivíamos felizes. Todos respeitavam todos. Acreditávamos nos deuses da floresta. A natureza era nossa melhor aliada. Um dia, chegou em nossa terra um grande monstro nadador do mar. Com este, vieram mais uns. No início, achamos estranho aquela gente esquisita. Por que usavam tantas roupas? Por que falavam diferente? Alienígenas? No começo, não fizeram nada, vivemos em paz. Mas um dia, fizeram a gente trabalhar, em troca de coisas mágicas. Aí começou nosso sofrimento. Descobrimos que quanto mais ajudávamos, mais matavam nossa aliada.
Trouxeram animais estranhos para cá. Invadiram nosso território. Até quiseram dizer que o deus deles era mais poderoso e melhor que os nossos. Queriam acabar com a gente. Mas nós somos fortes. Ainda existimos, não como antes, mas existimos. Andando por aí, passando fome, frio... Nosso lar acabou. Existem poucos, e mesmo estes poucos não são como antes. Éramos muitos, somos poucos. Mais uma vez, o branco embranqueou outra cor. O vermelho, acabou. Somos pontos vermelhos em uma imensidão branca. Não nos respeitam. A cada dia nossa cultura é mais e mais asfixiada pelos brancos.
- FÁBIO LUÍS G. MARCOLINO, estudante, Londrina
Praças e jardins
Todas as cidades fazem questão de tê-los – bonitos, aprazíveis e aconchegantes. Onde, ao cair da tarde, possam os pais levar os filhos para momentos bons de descanso e espairecimento. Onde os pequenos correm e briquem que nem passarinhos felizes. Infelizmente não podemos dizer o mesmo de Londrina. Passados 66 anos, ostentando prédios belíssimos, avenidas longas, largas e floridas, oferecendo clubes de primeira categoria, igrejas primorosas, shoppings de feitura majestosa, e quantas belezas mais...infelizmente Londrina não tem um jardim atraente e nem uma praça graciosa. Muito pelo contrário.
Nossas praças e jardins estão uma vergonha, um insulto, um desprestígio. Radicalmente abandonados, cobertos de cerrado matagal, sujos e formigando baratas, ratos, formigões e outros bichos. Um desleixo ingrato, um acinte frontal à comunidade. A queixa é geral, e é uma justa e sonora censura aos responsáveis. Mais uma vez, pois não é a primeira vez, vai um apelo aos que o devem ouvir e atender: por amor de nossa grande cidade, cuidem com caprichoso carinho de nossas praças e jardins. Ou não merecemos o orgulho de os contemplar e a alegria de os gozar?
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Correção A atual presidente da Associação de Mulheres de Negócios Profissionais de Londrina é Maria Aparecida Ferreira Jabur e não Terezinha Santos, como foi publicado na edição de ontem do Caderno Cidades. Terezinha é da diretoria da Associação e ex-presidente.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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