O leitor escreve
O leitor escreve
Professor universitário
Instalou-se no Brasil, há muito tempo, uma indústria da mentira, quando se fala de salários dos professores universitários e outras categorias, principalmente quando o informante tem cargo de confiança no governo, para mostrar serviço e justificar os altos salários que recebe. Recentemente o secretário de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior foi o autor da informação totalmente inverídica, quando declarou que nos últimos cinco anos os professores universitários tiveram reajustes médios de 114%. Deslavada mentira.
O único aumento que o governo Lerner deu até hoje, nos seus dois mandatos, foi de 10%, em agosto de 1995. Alguém deve estar surrupiando os meus 104% restantes. O meu comprovante de salários é o mesmo há cinco anos, com pequena variação devido ao adicional por tempo de serviço (5% por quinquênio) e alteração de nível.
Aliás o que houve foi perda salarial, uma vez que a alíquota para desconto da Previdência do Estado subiu (de 8% que era descontado para o INSS no regime celetista, passou para 12% no regime estatutário). A única coisa digna que esse governo fez para a classe foi implantar o novo plano de carreira, cargos e salários (1997) o que não foi nenhum favor e sim o resultado de uma luta de longos anos. Através desse plano foi priorizada a titulação acadêmica. Assim aquele que tiver a felicidade de alcançar o doutorado, depois de longos anos de estudo, terá um incentivo de mérito de 75%.
Um grande contingente de professores (39%) das Instituições de Ensino Superior no Paraná não tem titulação acadêmica, portanto não gozam do Incentivo de Mérito. Aqueles que têm os títulos de especialista, concedido, no caso dos odontólogos, pelo Conselho Federal de Odontologia, órgão máximo da classe, não são reconhecidos pelo governo do Estado, para a concessão do incentivo de mérito. Uma verdadeira injustiça.
- RAUL SANTOS DE SÁ, professor universitário em Londrina
Comércio equivocado
Estranhamos que alguns pequenos comerciantes de Londrina sejam contrários ao novo horário de funcionamento do comércio por duas razões: primeiro que o processo nº 384/98 determina que cada lojista entre com seu pedido de abertura na Secretaria Municipal da Fazenda, ou seja, só abre quem quer, segundo, que muitos daqueles que se dizem contrários, já estiveram aqui dentro do Sindicato Patronal do Comércio Varejista, nas reuniões, lutando pela flexibilização do horário.
Vale lembrar que Londrina é cidade pólo. Não há mais no mundo e nas grandes cidades um horário tão restrito como o de Londrina. Ao lutar contra este novo horário, o Sindicato dos Empregados de Londrina está, na verdade, lutando contra novos empregos, como se pode comprovar com as lojas Riachuelo, Americanas e Pernambucanas que aumentaram em 20% o número de funcionários e o faturamento, depois que passaram a abrir até as 19 horas durante a semana e até as 18 horas aos sábados.
Não existem mais vagas dentro deste antigo horário. Não há oferta de empregos. Todos sabem disso. Que é preferível: ficar desempregado ou ter um emprego cuja jornada vai até as 19 horas durante a semana e 18 horas aos sábados. Mais equivocado é ouvir dizer que este horário não pegou. Como não pegou se ele ainda nem começou? Toda mudança exige tempo e um processo de adaptação. Ninguém gosta de mudar hábitos, ainda que sejam para melhor.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina
Espírito capitalista
Capital, a mola propulsora no processo desenvolvimentista. Desde que o homem foi expulso do paraíso, com a advertência, de que, com o suor do rosto (trabalho) conseguiria seu sustento, acabava de nascer uma força, que se revelaria somente um pouco mais tarde, o capital, que passou a influenciar toda a humanidade. Ao longo desse período, que vai da expulsão do Éden, até princípios do século XVI, o capital teve uma presença tímida, estava adormecido, aguardando o momento oportuno para sua aparição. Precisava de um ambiente e um momento propício para se manifestar.
As antigas civilizações greco-romanas, já organizadas e com comércio internacional, havia um certo desenvolvimento capitalista, envolvendo algumas de suas propriedades (produção, comércio e ação incipiente no trato financeiro). O capital dava mostra de sua capacidade, apesar da fase embrionária, de se colocar à disposição do fator produtivo. A utilização do capital como agente transformador, estava prestes a dar conhecimento ao mundo de sua presença, o que ocorreu por volta do ano de 1500.
Dois fatores tempestivos, a meu ver, foram os responsáveis pela manifestação. O primeiro: os grandes descobrimentos, contatos com outros povos, ampliação do comércio, transferência de metais preciosos para a Europa, proporcionando um acúmulo de riqueza. O segundo e o mais importante, foi a manifestação da idéia da utilização da riqueza acumulada como fator produtivo, até então, oculta se põe à mostra, dando início ao que poderíamos chamar de pré-capitalismo.
Desde a sua primeira aparição, até os dias de hoje, o capitalismo tem dado a sua contribuição significativa ao desenvolvimento da humanidade, até que a última tonelada de energia tenha sido gasta e enquanto o homem aguarda o seu retorno ao paraíso, a influência do capital estará vigente.
- LUIZ RAMOS DA SILVA, bancário, Curitiba
Indignação
Neste mundo civilizado temos perdido já a capacidade de nos indignar, e até nossa condição de seres humanos. Como podemos ficar passivos perante a situação tão degradante pela qual está passando a família da nossa colega Beatriz Pierin de Barros Silva, vítima do terrível acidente de segunda-feira passada. Como podemos permitir que diante de nossos olhos as instituições públicas, que deveriam zelar por nossa segurança tanto em vida como na morte, estejam nos enganando descaradamente. Não é isso óbvio? Não podemos simplesmente pedir a essas instituições públicas que seja resolvido o problema do sumiço do corpo da Beatriz, devemos sim exigir que seja resolvido imediatamente.
Devemos nos indignar a tal ponto que nos doa e não possamos mais trabalhar, sentindo que perdemos o senso do que é justo além da tranquilidade da segurança pública. Quantos de nós temos feito esse percurso de Curitiba a São Paulo inúmeras vezes e quantos de nós poderíamos estar no caso em consideração. Curitiba, e em especial nossa Universidade Federal têm dado mostras de serem modelos de progresso em diversos aspectos, por que também não dar exemplo de recuperação dessa capacidade de indignação, a qual é parte importante do comportamento ético e de justiça do ser humano. Compete à universidade, não somente lhe fornecer ciência e tecnologia, senão, e talvez principalmente, exemplo de humanismo. Ofereçamos a nossa solidariedade à família da nossa querida Beatriz e não lhe digamos simplesmente que o mundo deve continuar, não, hoje o mundo tem que parar. Exijamos o que por direito natural nos corresponde: a nossa dignidade dos seres humanos. Que as nossas autoridades tomem ciência de seu dever,
- JOSÉ CARLOS CIFUENTES, professor universitário, Curitiba
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