O leitor escreve
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Pedágio
Pasmem senhores e senhoras que ainda não sabem de mais uma consequência da doação criminosa de nossas estradas, feita a empresas particulares pelo governador. O gás boliviano que passará em gasoduto enterrado na divisa da faixa de domínio de nossas rodovias pedagiadas, também pagará pedágio, encarecendo, ainda mais, esse produto encanado. E tem mais: não são as empresas cobradoras de pedágio que estão construindo e financiando esse gasoduto.
Precisamos nos unir para, na Justiça, acabar com esses assaltos oficiais ao bolso do povo e, exigir CPI do pedágio; CPI do entreguismo, vendas e doações do patrimônio público feitas por políticos corruptos que governam a favor de seus interesses.
O Paraná está proibido, em cláusula constante no contrato de privatização das rodovias, de construir estradas alternativas ao não-pagamento de pedágios. As duplicações que serão feitas em algumas partes das rodovias serão na verdade um alargamento da pista já existente, sem retornos e com um muro no meio, dividindo-a a duas vias e, com isso impedindo e/ou dificultando os acessos laterais. E como agravante, certamente, haverá transtornos causados por máquinas e obras de alargamento como: desvios em pista única com barreiras de um lado e de outro, irritando motoristas, passageiros, atrasando as viagens por entre os trabalhos de terraplenagem e asfaltamento. E depois de pronto corremos o risco de termos mais um quebra-galho, com altos lucros para as empreiteiras e caríssimo para nós, pobres pagadores de pedágio. Acorda povo do Paraná!
- ELCIO PAULO CARBONIERI, comerciante, Londrina
Catastrofismo
Sempre que este governo bate o pé e quer porque quer empurrar goela abaixo do Congresso, da mídia e da Nação mais uma das maldades de que se acham repletos seus bornais, torna-se o maior dos catastrofistas e passa a afirmar, conforme o caso, que o aumento do salário mínimo quebraria o INSS, os Estados e os municípios, além de trazer de volta a hiperinflação, quer acabar com o real, desagradar ao FMI; que, se o presidente não for autorizado a gastar como quiser R$ 41 bilhões do arrecadado, o País se tornará ingovernável, o mesmo ocorrendo se não puder o Executivo tomar do Congresso a função de legislar.
Por outro lado, o governo reputa absolutamente irrelevante que, em dólares, nosso PIB haja caído 40% e, 1999; que tenhamos perdido quase todas as confortáveis reservas de US$ 80 bilhões; que nossa dívida, nestes 5 anos, haja aumentado de R$ 62 bi para R$ 700 bi; que mais de 50% dos contribuintes soneguem; que a União haja gasto R$ 130 bilhões com a recuperação dos bancos particulares e estaduais; que a União haja assumido dívidas estaduais e municipais no valor de R$ 178 bilhões; que o Brasil seja, hoje, um mar de lama, dominado por máfias.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília (DF)
Pitta
O governo da cidade de São Paulo e sua comissão, protagonizaram mais um capítulo de uma novela interminável: a muralha da corrupção. Tal história relata um câncer, cujo tumor e epicentro está localizado no cérebro da América do Sul e, o que é pior, não recebe tratamento há muito tempo. Na semana passada, enquanto um oficial de justiça entrava pela porta da fachada principal, o mesmo governo saía pela porta dos fundos do Palácio das Indústrias, sede do paço municipal da metrópole. Segundo várias deduções, para não encontrar o oficial.
Segundo pesquisa do Datafolha, 3 de cada 4 paulistas são favoráveis ao afastamento do prefeito. O povo até pode ser tachado de acomodado, mas que está cansando está! Chegamos ao cume da questão. Não pelo relato deste fato especificamente (o da corrupção na prefeitura de São Paulo), e sim pela necessidade de uma conscientização nacional frente a qualquer ato ilícito semelhante, o qual tornou-se normal em nossa sociedade.
Tal normalidade, na verdade considerada como uma anomalia diante dos países desenvolvidos (salvo exceções) que, no Brasil a população literalmente inverteu os valores morais, ao ponto de assumir atos do gênero e, como se não bastasse, ainda tenta argumentar as vantagens destes, já que muitos outros membros da sociedade são adeptos destas infrações.
O número gritante dos casos de corrupção envolvendo prefeitos, vereadores, representantes de bairros, e os de escalões superiores como, governadores, deputados, e nem mesmo um dos últimos presidentes da república escapou da tentação, dando assim continuidade na novela A muralha da corrupção, homenageando este Brasil 500 anos.
- CLEI GILBERTO BROENSTRUP, estudante, Umuarama
Globalização
O baixo crescimento econômico a partir da segunda metade dos anos 90 levou ao aumento do desemprego e à manutenção das disparidades sociais. Esta é uma das conclusões assinaladas pelo relatório anual do Banco Interamericano de Desenvolvimnto BID, colocando em xeque o debate entre desenvolvimento e globalização. Os números revelados pelo documento deixam evidente que, ao contrário do que professam os seguidores do Consenso de Washington e o receituário liberal, a abertura das economias e o predomínio dos grandes conglomerados transnacionais contribuiu decisivamente para aumentar o fosso entre os países pobres e os mais desenvolvidos.
No Brasil, a aplicação das formulações globalizadas, com reformas políticas e recrudescimento da abertura econômica, não surtiram efeitos alentadores nem comparados à mediocridade dos nossos vizinhos. Enquanto nossa renda per capita cresceu apenas 3,64%, nos anos 80 e 90, a da Colômbia, prima-pobre latino-americana, imersa no narcotráfico e guerrilha e sucessivas crises sociais, aumentou 30% no mesmo período.
Desde 80 a renda per capita brasileira passou de US$ 3.069 para US$ 3.181, no ano passado, representando a estagnação de duas décadas e equivalendo à metade da dos argentinos. Se somarmos a isto a brutal desigualdade nos indicadores e concentração de renda, que fazem permanecer entre nós, a Belindia, ou talvez, o Canarrocos, onde convivem cidadãos com padrões de vida canadenses atropelando a grande massa que sobrevive tal qual em Marrocos, apesar de alguns números alentadores de alfabetização, ou de redução da mortalidade infantil, vemos que o caminho a ser percorrido é muito longo.
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Porto Alegre (RS)
CORREÇÃO O deputado estadual que aparece na capa da Folha do Paraná, na edição de ontem, com laranjas nas mãos é Nereu Moura, líder do PMDB na Assembléia Legislativa.
CORREÇÃO 2 A fala correta do advogado Carlos Roberto Scalassara é a seguinte: A nota fiscal da impressão do livro do vereador saiu em nome da prefeitura e não em nome do vereador, como foi publicado ontem, na página 4, com o título Investigado pelo MP, Antenor se defende de acusação
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