O leitor escreve






Pedágio (1)
Infelizmente para essa finalidade a Polícia é utilizada: em um protesto pacífico (que não está atrapalhando a arrecadação, já garantida, das concessionárias) de quem está buscando garantir a sobrevivência em uma profissão dura e difícil. Infelizmente isso ainda acontece em um país que se diz democrático. E a nós, que não somos caminhoneiros, só nos resta observar toda essa patuscada, pagar esses valores abusivos de pedágio, sem direito de reagir ou protestar. Esse é o Brasil 500 anos, onde o Estado está sendo ‘‘rifado’’ e quem paga a conta somos nós, ditos cidadãos de um Estado ‘‘democrático’’...
- MARCOS EDUARDO NUNES, Curitiba
Pedágio (2)
Seguramente, as pessoas que foram ludibriadas desde a implantação dos pedágios por este governo, com o aval do governo federal, podem perceber a exploração inconcebível de se arrancar os parcos recursos do bolso de milhares de pessoas e caminhoneiros decentes, que jamais, mesmo na ditadura militar, sofreram vexame e violência igual a esta! Parabenizo ao sr. José Tavares em sua nova função, chefiando matilhas e soldados armados para cima de trabalhadores que não aceitam este roubo; o troco que receberá será redobrado, pode ter certeza, porque ainda há justiça nesta terra de cães, policiais e de exploradores!
- MARIO CESAR CORDEIRO, Londrina
Pedágio (3)
Eis que estamos vivendo em uma democracia tão sonhada e batalhada por todos. Por ser novo na época, me lembro vagamente daquele velhinho,‘‘é aquele que nunca encontraram o corpo’’, lutando e conseguindo ‘‘Diretas Jᒒ. E então conquistamos nossa liberdade, nosso direito de voto, de opinião, direito de batalhar pelo que é direito. Ou não? Será que ainda vivemos em um regime ‘‘militarista’’? Vocês podem estar pensando: este cara é louco, o que isto tem a ver com pedágio? Pois é, tudo. Nossos direitos estão sendo claramente violentados, e não podemos nos manifestar nem de forma pacífica. Não sou caminhoneiro, e nem viajo constantemente com meu próprio automóvel, mas sei que tenho direitos como todo brasileiro, e só não entendo por que não são respeitados. Os seus são?
- ALEX LOURENÇO, Ibiporã
Pitta
Dona Nicéa Pitta realizou o sonho das mulheres repudiadas. Repúdio, no sentido do direito canônico, desquitadas dos maridos, portanto, não todas as mulheres, especialmente no que toca as que se aliviaram do ‘‘traste do marido’’ por iniciativa própria. Dona Nicéa, sob os holofotes da mídia, lanceta, à vista do leitor atônito, o furúnculo da sua vida conjugal. Constrange a motivação da cruzada contra o ex-marido. Não é ético, não é justo a manchete impor-se para saciar o escárnio, o escândalo. Faltou à esposa repudiada o recato do foro adequado (que aliás impõe segredo) para tratar de questões íntimas, alegria dos execráveis programas do horário nobre ou noticiário pobre.
As denúncias improvadas são verossímeis por envolver políticos, contra os quais existe a prevenção, talvez justificável, de que ‘‘todos são considerados culpados até prova em contrário’’, inversão cruel da prevalência dos direitos constitucionais (CF,art.5º, LVII). O vocábulo pita tem outros significados, ‘‘trança que se põe na ponta dos chicotes’’. Que se cuide Dona Nicéa, pois que o prefeito pode resolver estalar a pita. Aí, sim, será caso para se resolver na polícia. Até lá, melhor lavar a roupa suja em casa. A Prefeitura de São Paulo não é lavanderia para tais empenhos.
- JOSÉ DE ALENCAR SOARES CORDEIRO, advogado, Londrina
Ordem
Acompanho com certa angústia a dificuldade que o governo do Estado está encontrando para colocar em ordem as finanças do Paraná. Há muito tempo não vem medindo esforços para sensibilizar os burocratas de Brasília visando a antecipação de receita. É claro que é um assunto polêmico e merece ser analisado com muita responsabilidade. Pelo que se percebe, através das notícias veiculadas pelos meios de comunicação, há um grande número de lideranças no Estado que são contra a medida, a qual, segundo eles, compromete governos futuros. No entanto, o que essas lideranças não dizem é como o governo deve agir para capitalizar o fundo de previdência e criar condições para devolver ao funcionalismo público certa dignidade, abalada pelo achatamento salarial.
- JOSÉ MARIA, professor, Pinhão
Água
A respeito da reportagem ‘‘Sem-água espera execução de liminar’’, publicada ontem no caderno cidades: o caso da auxiliar de enfermagem Cristina Pereira é comum, frente ao abuso da companhia fornecedora de água. Por quê? Porque ela não pode escolher outra forma de abastecimento e, assim, fica na mão desses burocratas, que conhecem o problema, apenas, tecnicamente. Agora, o que me revolta é a polícia auxiliando na retirada do relógio medidor, com ameaça de prisão. Uma humilhação. A polícia tem que cuidar desta cidade, que necessita de segurança. Compete à Sanepar, sim, cumprir a liminar e ter mais respeito com o consumidor.
- EDUARDO GODOY, Londrina
Rubens Buki
Um radialista de voz, de alma e de coração. Por dez anos desenrolou com maestria ‘‘A noite da saudade’’, na iniciante Rádio Alvorada de Londrina.
O programa da noite ‘‘Recordar é viver’’ penetrava fundo nos carreirões de café do Norte paranaense. Cartas e mais cartas choviam de todos os cantos e
recantos, traduzindo o gozo doce dos ouvintes. Fez, sem dúvida, bastante conhecida a cidade – benfazejo labor, pouco reconhecido. Há valores escondidos que a mídia desconhece ou não apregoa. A simpatia e o dinamismo do Buki enlevava a alma simples e envolvia os lares humildes da sinfonia encantadora da paz.
Naqueles tempos – decorridos trinta anos – as ondas radiofônicas cobriam espaço largo, sobretudo nas horas serenas da noite. Verdadeiramente, Rubens Buki foi uma rica presença da radiofonia londrinense no Paraná e estados vizinhos. Minha homenagem, justa e fraterna, é manifestação de doída saudade. Rubens Buki morreu na manhã do dia 24 de março, em Curitiba. Seu corpo foi velado na Acesf e em seguida sepultado em Cambé. Fique para todos os que empunharam o microfone seu límpido exemplo. É de hábito meu repetir: ‘‘O microfone é sagrado.’’ Foi para ele, o Buki, louvor. Seja para todos – dever nos pese.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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