O leitor escreve





Leite mascarado
O preço do leite sempre foi tabelado pelo governo e obviamente com protesto dos produtores. A decantada democracia e o propalado preço de mercado, com seu manto salvador, finalmente acenam para a classe produtora com liberdade de preço. Mas era tudo mentira. Éramos felizes e não sabíamos. Estávamos sob jugo de multinacionais desalmadas que tudo exigem e nada devolvem. Que saudade da escravidão. Que saudade do tempo de tabelamento. Criou-se um mercado novo de denominações e máscaras diversas para o nosso leite. Hoje nosso produto é cognominado leite A, B e C. Temos ainda leite ácido, leite consumo, leite indústria, leite cota, leite excesso e por aí afora. Mas uma coisa eles não podem negar. Todos saem da teta da vaca e eles pouco fazem, além de mamar.
Tudo não passava de artifício para escravizar o produtor, importar soro e leite desnatado e de qualidade duvidosa sob as vistas complacentes de nossas autoridades. Na época do tabelamento o produtor recebia entre 60% e 70% do preço final. Hoje ele recebe entre 25% e 35%. A globalização viria, como diz o nome, para atender o consumidor de qualquer credo, raça ou bandeira. Aqui ela chegou para humilhar, aniquilar e desempregar nosso povo. Nenhum país tem condição de produzir leite mais barato do que o nosso durante seis meses por ano. E o que fazem as multinacionais? Exigem que produzamos durante os seis meses adversos para encarecer a produção e justificar suas injustificáveis importações.
As indústrias deveriam comprar o leite na safra enquanto ele é produzido ao menos pela metade do preço e estocar ou transformá-lo em pó para vendê-lo na entressafra ao consumo interno e exportar o excedente – que não é pouco – para carrear divisas para o país, evitando as humilhações pelas quais estamos passando, com finanças combalidas. Essa é a solução que a equipe econômica não quer ver.
Precisamos, sim, de tecnologia, mas tecnologia com racionalidade. Não podemos ministrar proteínas concentradas ao nosso rebanho para vender o leite a R$ 0,21 por litro e assistirmos o atravessador vendê-lo por cinco, seis vezes mais, no mesmo dia, não bastasse a impertinência de não fazer contratos de qualquer espécie com os produtores, que só tomam conhecimento do preço quando recebem o que eles querem pagar e quando querem pagar. Se os nossos órgãos de classe, apesar de seus esforços sobre-humanos não conseguiram quebrar o gelo dos responsáveis por essa catástrofe, não seria o caso de pensarmos numa greve geral?
- MODESTO FERNAL, Faxinal
Salário mínimo (1)
Quando vamos à origem da palavra tirania, vimos que esta surgiu no Império Romano, quando as mulheres não tinham cidadania (direito de transitar em espaço público e ser dono de sua voz), e por não terem cidadania, essas mulheres foram consideradas ‘‘braço perverso’’, isto é, aquelas que iriam governar no espaço doméstico. As mulheres romanas foram chamadas de tiranas, porque governavam no espaço doméstico através do poder público dos homens.
Hoje, estamos cercados de tiranos: pessoas que confundem o poder público com o poder privado, legislam em causa própria, dão-se um aumento de 45% em seus salários, e ao povo, para o povo, R$ 15,00 de aumento. A esses tiranos também chega o auxílio-moradia (definição: ajuda de custo para complementar salário insuficiente para cobrir despesas com moradia). - De que vale uma Constituição que prega que ‘‘todos os cidadãos são iguais perante a lei’’ quando nos deparamos com a tirania de representantes públicos. Que lei é essa que tem como juízes pessoas que legislam em causa própria? Teremos que começar a esquecer o verdadeiro sentido das palavras, a começar pela palavra dignidade, para poder digerir o que vem por aí.
- SUELY LEITE, professora, Londrina
Salário mínimo (2)
O salário mínimo no Brasil perdeu o sentido original, que seria a menor quantidade de moeda para o sustento de uma família de quatro pessoas. Se tornou mera referência para composição salarial. Em outras palavras, estabelecer, desde Brasília, um valor referencial é condenar pessoas que não têm como se expressar, a receber por conta de uma determinação oficial, uma quantidade de dinheiro com a qual não se sobrevive. Disso sabemos todos, nós, a ‘‘velhinha de Taubat钒, ‘‘Eremildo, o idiota’’ ...
O embrulho é maior porque a limitação desse valor é proveniente da disponibilidade de caixa para pagamento de pensões e aposentadorias oficiais, cujos mecanismos de recebimento e pagamentos são totalmente descontrolados e submetidos à vontade política de quem dirige, não dos contribuintes do fundo que garante a redistribuição do dinheiro acumulado. Enfim discutir o valor em si, pelo demonstrado, não traz pertinência ao conceito original de salário mínimo, que tal retomá-lo na forma proposta e avaliarmos quão distante estamos da justiça pretendida?
- LUIZ ANTONIO RUBINI, Resende (RJ)
Brasil
Para que não se comemore, neste Brasil 500 anos, a maior miséria que o nosso País jamais enfrentou. Não há dinheiro para o mínimo porque os gastos são os ‘‘máximos’’, os desvios ocasionados pela corrupção, esvaziam o erário, e logicamente não há dinheiro para prover a grande massa trabalhadora, os que produzem para sustentar o luxo, as ostentações dos boas-vidas (coitadinhos!) eles precisam tanto de auxílio-moradia, auxílio-viagem, mordomias... Viva a miséria, meu Brasil 500! Viva a falta de vergonha! Volte Rui Barbosa, venha chorar conosco a perda dos nossos valores, venha se encantar com esta nossa ‘‘terra em que se plantando tudo dᒒ venha ver, que em meio a tanta beleza que encerra, como está maravilhosa e bela: em cada canto brota como por encanto, uma favela.
- IRENE CRUZ CORRÊA, Londrina
Oscar
Realmente, o filme ‘‘Beleza Americana’’ é um daqueles que nos faz ir pra casa ainda digerindo todas as mensagens e questionamentos exibidos ali, na imensa magia do cinema. Engraçado, surpreendente, tenso e empolgante, é um filme espetacular. Entre lágrimas e risos, o espectador é envolvido de tal maneira, que se torna cúmplice dos dramas das personagens extremamente verossímeis e próximas a nós. Amarrado por um roteiro perfeito em detalhes, ‘‘Beleza Americana’’ é o sintoma de uma sociedade que, provavelmente, começa a se questionar sobre os valores um dia tão exaltados e exportados para todos nós, do mundo ocidental. Kevin Space, mais uma vez se superou, foi bárbaro em tudo. Este filme é imperdível e, sem sombra de dúvida, mereceu todos seus prêmios.
- ANA CRISTINA KRÜGER FERNANDES, Cornélio Procópio
Mazza
Quero parabenizar o colunista Luiz Geraldo Mazza por seus comentários no artigo ‘‘O governador ausente’’. Afirmações corajosas, pertinentes e, como sempre, brilhantes, sobre este governo que envergonha todos os paranaenses que ainda não perderam a capacidade de indignação.
- ANTONIO ARAUJO, Guarapuava
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