O leitor escreve





Merenda
Quem de nós não traz alguma lembrança da escola? A professora, a merendeira e a tia da cantina sempre fazem parte de nossa memória estudantil. Ao lado das brincadeiras, o intervalo trazia outro atrativo, também responsável pela alegria extravasada: a merenda. Observando este cenário, nós, que agora estamos do outro lado do pátio, percebemos os mais variados comportamentos. Muitos mastigavam rápido para não perderem tempo. Ainda havia aqueles mais reservados que se limitavam à refeição, transformando o recreio no banquete do dia. Novamente ouvia-se o toque. Pronto, a festa finalizava-se. Em fila os menores retornavam para o desfecho de mais uma tarde.
Numa ocasião, após todos já estarem acomodados na sala, uma menininha reclamou: – Professora, sumiu minha borracha. Quem foi? Ninguém viu, ninguém assumiu a responsabilidade. Então, a única alternativa seria a revista. Todas as carteiras e os materiais começaram a ser verificados. Lá no fundo, uma aluninha agitava-se. Poderia estar escondendo algo? A professora percebeu a inquietação. Pediu que ela mostrasse o que tinha enrolado na saia, que há tempo perdera as marcas da loja. A garota hesitou. Ficou envergonhada. ‘‘Eu não posso’’, murmurou quase tomada pelas lágrimas.
A aluna foi convidada a se retirar. Lá fora, finalmente, houve o esclarecimento: a menina apenas ocultava um pequeno pote de margarina com os restos da merenda para levar aos seus irmãos. A professora intensificou a busca. Logo o sumiço foi resolvido. Porém, até hoje, ninguém conseguiu encontrar uma borracha que pudesse apagar aquele engano constrangedor. A fome, às vezes, não passa de um equívoco...
- PAULO CEZAR BASÍLIO, professor, Pinhão
Salário mínimo
O governo alega que a Previdência poderia quebrar caso desse um aumento maior ao salário mínimo, ora, se o salário mínimo aumentar não vai aumentar a contribuição para a Previdência? Ademais, caso faltasse dinheiro para cobrir algum eventual déficit público que colocasse em risco a previdência, poder-se-ia pensar em tirar dinheiro, por exemplo, de alguns auxílios-moradia de R$ 3.000,00 que andam por aí. Não que seus detentores não mereçam um bom aumento, mas poderiam ter dado um nome mais pomposo, que não fosse um ultraje aos pobres brasileiros que trabalham de sol a sol para ganhar R$ 136,00. Caso tivessem dado um nome assim como: ‘‘Gratificação de função de alta responsabilidade’’, talvez não tivessem causado tanta polêmica, nem aberto os olhos de políticos que só agora começaram a ver que o povo brasileiro tem um salário mínimo que deveria também ter outro nome e chamar-se somente de mínimo, porque quem o recebe sabe que isto não é salário.
- CELSO ARANTES DE OLIVEIRA, Londrina
Dinheiro
O jornalista Walmor Macarini está desenvolvendo uma campanha de retomada do desenvolvimento por meio do aumento dos gastos. O título ‘‘Não desprezar o dinheiro’’, diz tudo. Nosso País é pródigo em desenvolver idéias e propostas que são o avesso de nossas necessidades. Lembro-me de um discurso de Secretário da Fazenda do Governador Moysés Lupion que justificava o elevado déficit orçamentário pelo efeito multiplicador dos gastos públicos maiores. Citando Keynes, ele afirmou que a renda cresceria e toda a população seria beneficiada. Vivia-se, então, na segunda metade da década de cinquenta, quando se iniciava um virulento processo inflacionário que foi abortado em 64-65.
Portanto, o que se precisava naquela época era de superávit e não de déficit orçamentário. Quem conhece os hábitos de nossa sociedade e as características de nossa economia sabe que a tendência sempre foi a de gastarmos mais do que temos, mesmo aqueles que poderiam poupar. Em outras palavras, nossa poupança sempre esteve abaixo de nossas necessidades de investimentos. Sem investimentos, não há desenvolvimento. Estamos saindo lentamente da estagnação sem inflação, graças a reformas estruturais, ainda não concluídas, que visam justamente equilibrar gastos com receitas e poupanças com investimentos visando a retomada do desenvolvimento sem inflação.
Para isso, é fundamental que a poupança interna seja bem maior que a atual. Caso contrário, continuaremos dependentes do capital estrangeiro. Ao contrário do Japão, nossos antípodas não só geográficos como culturais, poupamos muito pouco para nossas necessidades de investimento. O artigo do jornalista Walmor Macarini deveria ser dirigido ao povo japonês que insiste em poupar mais do que o necessário e por isso mantém a já desenvolvida economia daquele país estagnada.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo (SP)
Páscoa
Diferentes denominações cristãs que estavam em conflito ideológico, agora se unem em uma mesma campanha da fraternidade para ser sinal de unidade em um mundo tão dividido; o papa João Paulo II, em diversos discursos, humildemente pediu perdão pelas falhas da Igreja ao longo dos séculos; o mundo abre espaço para o espírito das grandes religiões. Nunca se falou tanto em religiosidade como nos dias de hoje.
Podemos encontrar diversas razões para que tudo isso acontecesse. Mas a leitura cristã que eu faço é que todas essas coisas boas que aconteceram foram resultado da grande celebração do cristianismo: a Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Afinal das contas, há dois mil anos Deus se encarnou no ventre de Maria por obra do Espírito Santo, morreu e ressuscitou. Por essa razão a humanidade pode retornar novamente a Deus.
Cabe a cada cristão aprender a apreciar os acontecimentos da vida como resultado do grande acontecimento. Cada Páscoa celebrada é uma ocasião a mais para regozijarmos, para nos alegrarmos com as mudanças que ocorrem em cada um de nós e no mundo, por pequenas que sejam.
É sentir o sabor da Páscoa a cada celebração eucarística vivenciada, a cada conversão comprovada, a cada problema resolvido e a cada dificuldade superada, em cada vida que nasce e em cada vida que volta ao Pai. Pois celebrar a Páscoa é celebrar a vida. Que o sabor pascal das celebrações das quais participamos perdure por todo ano levando-nos cada vez mais a compreender a mensagem de Jesus e, através dela, o amor paternal e maternal de nosso Deus.
- PAULO SÉRGIO DE FARIA, professor, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup