O leitor escreve Solidariedade Parabéns à Folha e a toda equipe que percorreu o Paraná para fazer um trabalho de arrepiar aos que ainda acreditam na solidariedade. A miséria do país, do Paraná e de Londrina foi exposta com muita coragem. É isso que o leitor e a comunidade esperam de um jornal. A verdade está aí para quem quer fazer alguma coisa, e nada melhor que a primeira página e um caderno especial. Dignidade humana e paz. Um novo milênio sem exclusões é uma bandeira universal e um grito contra a miséria que assola mais de 50 mil pessoas em Londrina, 3 milhões no Paraná e 54 milhões no País dos 500 anos. Que os nossos governantes, no conforto dos seus desvios, sejam muito bem julgados nas eleições que se aproximam. - PAULO ROBERTO DE LIMA, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região Democracia Que democracia é esta brasileira? O poder está nas mãos de poucos, muitos da mesma família, como uma dinastia. O poder passa de pai para filhos: governadores, ministros, são parentes ou ‘‘afilhados’’ de presidente da República, também deputados, de prefeituras... A legislação eleitoral permite tal aberração porque os legisladores, egoístas, visam apenas seus interesses particulares e bem-estar. A disputa pelo poder é desonesta por isso os ‘‘representantes do povo’’ estão no poder mas, como castigo (não ligam para o castigo), não têm o respeito do povo. Se a disputa fosse pautada pela ética do povo surgiriam cabeças inteligentes e capazes de solucionar os problemas do país. Brasileiros! Vamos exercer a cidadania combatendo os maus políticos, não permitindo que a democracia seja confundida com dinastia e muito menos anarquia. Representantes do povo e demais autoridades governamentais não prestam ‘‘favores’’ porque são pagos e bem pagos. - FRATERNO MARIA NUNES, aposentado Campo Mourão Saúde Agora, em Curitiba, para comentar sobre saúde pública, há quem exija o diploma de médico. Foi publicado no dia 16 de fevereiro, na página de opinião deste conceituado jornal, artigo em que critiquei a área, diante do que o secretário da Saúde da capital, Luciano Ducci, tentou me intimidar. Sua principal argumentação, que abre, permeia o texto e o encerra é a de que sou engenheiro agrônomo. Tenta desqualificar-me, quando o próprio país tem como ministro da Saúde o quase engenheiro e economista José Serra. Continuo engenheiro agrônomo, cidadão curitibano, preocupado com os problemas de nossa cidade. Reafirmo que o teor de meu artigo é verdadeiro. Talvez tenha me enganado quanto à estatística sobre os leitos para pacientes com doenças originadas pelo alcoolismo. Na verdade, 66% dos leitos para pacientes psíquicos são ocupados por alcoolistas. Afora isso, os números e fatos são constatáveis. Ademais, nem é necessário ser agrônomo ou médico ou secretário de Saúde para saber que existe imensurável distância entre engano e mentira. Quanto a mim, enganei-me. Quanto ao secretário Luciano Ducci, mentiu. A saúde em Curitiba tem graves problemas sim. Reconhecê-los é o primeiro passo para a mudança. Negá-los, como faz arrogantemente o Secretário, contribuirá para aumentar o drama dos que recorrem à saúde pública e não encontram mais que filas, falta de remédios e exames vitais. A verdade está nos fatos. Nem toda a colorida e fantasiosa propaganda poderá encobri-los. São evidentes. Jamais pretendi atacá-lo, porém confesso que o apreciava mais quando ele era estudante, lutava por liberdade, pela democracia, pelas causas populares e pelo bem-estar do povo. Hoje, ao vê-lo perfilado a muitas figuras do PFL, antigos sustentadores do regime militar contra o que o Dr. Ducci lutou, sinto-me constrangido até em respondê-lo. Prefiro crer que, ao criticar-me, não o fez por iniciativa própria mas a pedido do mandatário maior, que diz ser ‘‘neófito em política’’ e, sob este manto, está há vinte anos por trás de grandes equívocos e pouca transparência. Por último, uma concordância com o secretário Ducci. Sim, a saúde de Curitiba é intocável. É intocável porque não está à disposição da maioria da população e poucos, poucos mesmo, conseguem alcançá-la. - RASCA RODRIGUES, engenheiro agrônomo, Curitiba Corrupção O Conselho de Saúde da Região Sul de Londrina e a Central de Movimentos Populares, que sempre lutaram pela transparência na aplicação dos recursos públicos, elogiam publicamente a forma com que o Ministério Público (MP) vem conduzindo as investigações sobre as irregularidades da administração Belinati. Questionamos apenas por que não oferecer denúncia contra os acusados, já que segundo informações do próprio MP estão confirmados desvios de R$ 16 milhões? O impeachment do prefeito Antonio Belinati não deve ser o fim em si mesmo. Pelo contrário, deve ser apenas o início de transformações sociais, urgentes e necessárias. A movimentação da sociedade civil, liderada pela ACIL, OAB, Igrejas, CDH, entre outras entidades, é bem-vinda, mas deve ser mais profunda e exigir mudanças verdadeiras. Não é possível trocar seis por meia dúzia. O afastamento do prefeito deve ser o início da punição dos culpados. Não podemos esquecer que o suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina, segundo depoimentos de envolvidos, teria beneficiado as campanhas eleitorais dos deputados federais Alex Canziani, José Janene, do estadual Antonio Carlos Belinati e da vice-governadora Emília Belinati. Por outro lado, toda essa movimentação demonstra o interesse dos partidos políticos que se articulam e se preparam para a sucessão municipal. Esse processo está sendo conduzido da forma mais elitizada possível. Defendemos uma administração com ampla participação popular. Somente assim haverá fiscalização e cobrança de medidas que venham ao encontro das necessidades da maioria da população. Uma forma para evitar o mau uso do dinheiro público e a comunidade saber, e controlar os recursos do orçamento. Várias experiências, como por exemplo o Orçamento Participativo, apontam para essa forma de gestão democrática. O Orçamento Participativo, que nasceu dentro das prefeituras petistas, pode ser um instrumento de participação popular nas administrações públicas, independente de seu partido. Em Londrina, ensaiamos um Orçamento Participativo. Seus erros e acertos podem ser o caminho para uma administração mais transparente. Assim como o Brasil, Londrina assiste à escalada da corrupção. No entanto, todos os envolvidos devem ser punidos rigorosamente, sem isenção para este ou aquele. Não pode haver acordos de cúpula para absolver alguns enquanto se frita outros. Com a participação do povo é possível trilhar um caminho mais democrático para todos. - NELSON CARDOSO é presidente do Conselho de Saúde da Região Sul e coordenador da Central de Movimentos Populares em Londrina - As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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