O leitor escreve





Pedágio (1)
Quase não dá para acreditar na atitude vergonhosa e descarada do ‘‘nosso’’ governo paranaense em autorizar o aumento do pedágio em até 127,17% (conforme notícia veiculada na Folha de 25/3, sábado). Isto só pode partir de um governo por fora da real situação do povo que o elegeu, alheio ao sofrimento de gente que trabalha duro, com um salário mínimo de fome, sobretaxado com impostos e tributos diversos dos quais pouquíssimo benefício se vê em ano eleitoral. Entretanto, o que se pode esperar de alguém que vive passeando para o exterior? De alguém que comumente se locomove de jatinho e helicóptero? O pior é que divulga o acordo com as concessionárias na TV, em todos os canais, como se fosse um grande feito em benefício da população, o que chega a ser repugnante.
Que pena que o povão não verá seu salário aumentado nas mesmas proporções dos donos de concessionárias de pedágio, nem dos políticos ou dos juízes! Infelizmente a grande maioria política, sobretudo aqui no Paraná, tem se revelado parasita do povo que legisla para a causa própria e de uma minoria privilegiada, e não para o bem comum. O nosso povo está órfão de governo. Dá vergonha ser paranaense diante de uma classe política tão incompetente que, sem precedentes, nos apresenta a perspectiva de um Estado falido e decadente no qual se paga cada vez mais e se tira cada vez menos proveito. Toda a manifestação contra, como a que estão planejando os caminhoneiros, é legítima e tem o apoio popular, porque vêm de encontro com os anseios da população que já não suporta mais pagar os desmandos de seus governos.
- ROMÃO ANTONIO M. MARTINS, Londrina
Pedágio (2)
Pedágio é o pagamento pelo voto errado, infelizmente. Em recente viagem ao Paraná, vi o descaso com a rodovia que tem bastantes ondulações e nos pedágios poucos funcionários trabalhando. Fico imaginando como vai ser na semana da Páscoa.
- WELSON ROCHA, Florianópolis (SC)
Fórmula 1
Será que os brasileiros deveriam ter usado o vermelho para mostrar apoio ao Barrichello? De acordo com o art. 28 da lei 5700/71, consideram-se cores nacionais o verde e o amarelo. A tamanha decepção experimentada pelos torcedores em Interlagos, demonstrada pela transmissora do evento, foi a confirmação tácita do erro cometido. O sentimento que pairava no ar era de crença total numa máquina, não apenas no piloto. Sentimento supervalorado pela mídia nas duas últimas semanas.
Imaginem o que aquela máquina deve ter provocado em grande parte dos brasileiros. Muitos devem ter perdido a felicidade que antes experimentavam com a alta do salário mínimo durante a semana (não deixem de ler o que diz o artigo 7º, IV, da Constituição Federal). Uma das lições que deve ser tirada do acontecido é que não devemos ter amor pelas máquinas. Seres inanimados não podem nos amar. Esse amor por uma máquina é produto de uma sociedade, não da essência do ser humano. Jamais deveriam ter usado o vermelho, cor inexistente na bandeira nacional. O amor demonstrado deveria ter sido pelos pilotos brasileiros, não somente pelo Barrichelo. Ser patriota não é uma questão de 500 anos, é de cultura.
- JOSSAN BATISTUTE, estudante, Londrina
Lasquinha
Salário mínimo, mínimo, teto máximo em dobro, tabela de IR sem correção, pedágio devidamente corrigido, IPVA antecipado, imposto do cheque (aquele que iria substituir todos os impostos), ajuda aos bancos, ajuda e isenção de impostos para as coitadas e pobres concessionárias, propagandas ridículas e desnecessárias dos governos (federal, estaduais e municipais) de ministérios de empresas estatais, que contribuem com as paupérrimas redes de televisão, rádios, jornais. Enfim, vê-se perfeitamente o compromisso ‘‘tudo pelo social’’ ao avesso.
O Estado tira de todos e entrega para uns poucos. Este é o País dirigido por um sociólogo, cuja equipe só pensa como tirar mais uma lasquinha da esfolada e sofrida maioria da população brasileira. Nós, os contribuintes, eleitores, usuários compulsórios do INSS, das escolas públicas, pedimos encarecidamente que o governo pare de ter idéias e os corruptores parem de fazer suas mutretas por uns 90 dias. Com esta medida dariam um tempo para que nós, os caloteados pagadores, pudéssemos colocar o nariz fora desta lama que encobre o nosso País eternamente do futuro.
- TARCÍSIO MARTINS, Londrina
Salário mínimo
Nunca se viu tanta polêmica e tanta hipocrisia em torno de um tema de interesse comum, aos ricos e aos pobres: o salário. Com uma diferença quase infinita: primeiro, em defesa do salário mínimo, aquele do teto, destinado à manutenção das mordomias de poucos; depois, em defesa do salário mínimo, o que não pode ser tão mínimo a ponto de deixar os pobres morrerem, pois sua função é mantê-los moribundos, para que possam continuar justificando os bons propósitos daqueles caridosos senhores cristãos e mantê-los no poder.
Durante toda essa encenação, presenciamos inúmeras argumentações do tipo ‘‘Previdência não suporta um aumento acima de X%’’ ou, cada X%, de aumento representa um rombo de Y% na Previdência!? E a última, desta vez, proferida pelo ministro da Previdência, Waldeck Ornelas, comentando os 11,03% de aumento concedidos pelo governo ‘‘o impacto na Previdência com o aumento do salário mínimo será de R$ 1,2 bilhão este ano e o impacto nas contas públicas federais será de R$ 1,436 bilhão’’. Em momento algum falou-se do impacto positivo no aumento da arrecadação em função do aumento salarial, seja daqueles, os privilegiados, seja dos moribundos, os assalariados. Afinal, a arrecadação previdenciária e os impostos não são calculados em cima do valor acrescido do mesmo percentual? Sendo assim, quero crer que a Previdência deverá aumentar sua arrecadação em 11,03%, só com o aumento do salário mínimo, o dos miseráveis. Só não sei se a arrecadação aumenta na mesma proporção no caso do aumento do teto máximo, o dos abnegados.
Por outro lado, com um aumento significativo do salário, não se estaria aumentando o poder de compra do trabalhador? Não são os trabalhadores a grande massa consumidora deste país? Com o aumento do poder de compra da massa consumidora não se aumentariam os lucros de venda? Com o aumento dos lucros, não se aumentaria a arrecadação de impostos? Afinal, o que há de errado no reino da Dinamarca? Será mesmo que o aumento do salário mínimo é a causa máxima dos rombos da Previdência? E o aumento do teto máximo e/ou o auxílio-moradia provoca algum rombo?
- JOSÉ LAURINDO PETRI, professor, Ibiporã
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