O leitor escreve





Polícia Militar
A respeito dos editoriais e dos demais espaços concedidos à Segurança Pública por parte desse conceituado jornal, devemos, como brasileiros do Paraná, externar-lhes o nosso reconhecimento. Entretanto, como policiais militares, na presidência da AMAI – Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares e Pensionistas, sentimos necessário lembrar que na PMPR, mesmo com a ausência de traficantes em nosso meio e com o Estado de sanearidade corporativa que nos foi passado pela CPI do Narcotráfico, a coisa não é este ‘‘mar de rosas’’ que a sociedade está a imaginar, com o aval da imprensa e pela clausura da instituição policial.
A nossa co-irmã sai do episódio nefasto e desgastante com alguns ganhos. Um substancial aumento nos quadros, de mais de 30%, de um deputado oriundo da classe de delegados, como Secretário de Segurança, alterações estruturais que acrescentam poder e espaço ocupado, além do que se prenuncia a sua prioridade. Tudo porque se deixou corromper até as raízes mais profundas, notadamente no Governo Lerner, arrastando consigo formidáveis suspeitas até para com o secretário Cândido Martins.
A Polícia Militar, contrariamente, amarga os respingos da degeneração de parte importante dos quadros da Civil e não capitaliza absolutamente nada.
Estamos descontentes e infelizes. E, mesmo com a lei da ‘‘omerta’’ implantada na Corporação, reagimos à nova escravidão e nos permitimos perguntar-lhe, ‘‘de que qualificação estamos falando: da do patrão ou da do empregado’’, enquanto de silêncio em silêncio vamos deixando de existir.
- ELIZEU FERRAZ FURQUIM, presidente da AMAI, Curitiba
Festival de Teatro
A peça Ventriloquist, de Gerald Thomas, estava agendada para os dias 22 e 23 de março, quarta e quinta-feira. Comprei com antecedência o ingresso para a quarta-feira. Chegando ao teatro encontrei um cartaz informando que as apresentações haviam sido antecipadas para segunda e terça. Segundo a organização do festival, ‘‘a decisão foi tomada pelo diretor do espetáculo, na segunda-feira à tarde’’, ou seja, no dia em que a peça acabou sendo apresentada, e assim ‘‘não houve tempo para nenhuma comunicação oficial ao público.’’ Na minha modesta opinião o público era parte importante do festival. Nunca imaginei que ele seria tratado com tanto desrespeito.
- MARCELO ROMKO, Curitiba
CPIs
Não adianta falar do mundo todo. Vamos falar do país onde nascemos e vivemos. Se bem que hoje nascemos e tentamos sobreviver: o Brasil. Nosso país é lindo. Não temos terremotos, furacões, tempestades de neve, etc. O clima é bom, saudável e seguro. As terras são pródigas. O mar é belo (quando não está cheio de óleo). Mas, infelizmente, não sabemos bem como tudo começou. Tenho a impressão que foi lá pelos meados de abril de 15000. A corrupção aqui é livre, leve e solta. Cresce e floresce abençoada pelo presidente, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, juízes e empresários.
E o povo olhando estarrecido e impotente para tudo isso sem conseguir fazer nada. Se a corrupção aparece na mídia, provada e documentada rapidamente cria-se uma CPI. E daí? Essa CPI cria outra para cuidar da primeira e tudo vira nada. Resultados? Nenhum. As CPIs se perdem no tempo e no espaço. Vocês se lembram da primeira? Qual foi o resultado? Pois é, nenhum.
E para o povo? Dá-lhe impostos, guias disso e daquilo. O segredo é afogar o cidadão em dívidas, assim não sobra tempo para analisar a política do país, nem as falcatruas feitas em plena luz do dia.
O povo deve exigir respostas quase imediatas para uma CPI. Vereadores divididos, com medo que suas vidinhas devassas sejam esmiuçadas em público. Se estão com medo é que tem motivo. Cassem todos! Nosso país precisa de um saneamento básico na política.
- SUELY ARIAS, artesã, Londrina
Professores
A maioria das conquistas dos professores do Paraná só foi possível através de paralisações, passeatas, acampamentos e muita luta. Os governantes parecem só entender esta forma de ‘‘diálogo’’, ocasionando um enorme desgaste aos professores, grande prejuízo aos alunos e lucro para o governo (economia de luz, água, material de limpeza, etc.). Estamos novamente numa situação quase insustentável: sem reajustes há mais de quatro anos, com salário se deteriorando todo dia, ‘‘atolados’’ em bancos ou com agiotas, sem ter a quem recorrer e assistindo diariamente os desvios e as falcatruas daquelas que detém o poder.
É lamentável ver a justiça tentando resgatar o dinheiro, colocar os infratores atrás das grades, moralizar o serviço público sem nada ou pouca coisa a conseguir (os infratores dificilmente deixam pistas). Não sei se conseguiríamos grande adesão para uma longa paralisação. Os tempos são outros, o desemprego anda rondando as famílias, a maioria dos líderes ou se aposentou ou perdeu o ânimo para lutar uma longa luta. Parece que todos estão naquela: ‘‘é melhor pingar do que secar’’. Com isso o governo fica numa situação privilegiada: sem pressão, sem cobrança e alegando não ter verba para nada, muito menos para remunerar com justiça e dignidade os servidores. É preciso uma decisão urgente por parte dos professores.
- ESMERALDINO FRANCO, professor, Santa Mariana
Presos
Sobre a reportagem ‘‘Carta de presos denuncia agressões’’, publicada ontem, gostaria de deixar minha opinião, quanto as agressões que os presos vem sofrendo. De fato não é fácil lidar com presos que já foram condenados por crimes, talvez até mesmo pela rebeldia deles. Mas é preciso ver o outro lado da moeda. Há muitos carcereiros e policiais que querem sempre fazer justiça ou injustiça com as próprias mãos. Estando o prisioneiro já à margem da sociedade e à mercê dos que cuidam da cadeia, com certerza e acredito que passam maus bocados nas mãos de pessoas como estas, despreparadas psicologicamente e intelectualmente, para tratar de casos tão delicados. Sinto muito pelos carcereiros mal remunerados e despreparados. Mas sinto muito mais pelos prisioneiros que estão nas mãos deles.
- CARLOS ALBERTO, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]