O leitor escreve






Pedágio (1) O descontentamento em relação aos pedágios no Paraná tem aumentado a cada dia. Ainda mais agora, com o reajuste de 116%, a vigorar dia 27 de março (segunda-feira). Fala-se muito em manifestações, principalmente de caminhoneiros e empresas de transportes. Deveria ser iniciada uma campanha para exigir o cancelamento dos contratos, com o recolhimento de assinaturas no Paraná inteiro. Como foi feita na campanha nacional contra a corrupção eleitoral no Brasil. Poderemos mostrar ao governo o real nível de descontentamento do povo paranaense. E esperar uma atitude que venha a moralizar este programa de privatização das estradas, em que nada atende aos interesses do povo, e sim ao de pequenos grupos.
A coleta de assinaturas é uma das alternativas mais viáveis para mostrar ao governo federal o quanto estas privatizações não agradam ao povo. Falta apenas que apareçam líderes, sejam políticos ou não, para que coordenem essa campanha, atendendo assim aos interesses de um grande número de cidadãos. Uma vez cancelado o contrato. Aí, sim, inicia-se uma nova negociação com a participação de todos os interessados, resultando num modelo de privatização justo e funcional, atendendo a todos os interesses, principalmente do povo.
Mas uma questão precisa ficar clara. Devemos deixar privatizar apenas a manutenção e conservação das estradas (pois poderemos fiscalizá-la diariamente), e nunca os investimentos de ampliação e duplicações das rodovias. Porque quem poderá nos garantir que no futuro elas serão realmente realizadas, pois contratos podem ser esquecidos, empresas podem falir, ou até mesmo os valores cobrados tornarem-se insuficientes para cumprir cronogramas que nunca são respeitados. Estas funções cabem exclusivamente ao governo, pois dele poderemos sempre cobrar, não interessando quem esteja no cargo hoje ou amanhã. O brasileiro deve aprender a exigir os seus direitos, uma vez que o governo exige que realizemos nossas obrigações junto ao país.
- NEWTON YOJI HORIUCHI, comerciante, Londrina
Pedágio (2)
Todos os paranaenses engoliram os mapinhas e os rabiscos do candidato e hoje governador do Estado que, ao contrário de seus antecessores, não fez um metro de asfalto, ou acostamento do Anel de Integração. Mas colocou porteiras para que determinadas concessionárias, que também não fizeram nada com dinheiro próprio, tivessem o direito de cobrar a passagem de todos nós, que pagamos os impostos, para que estas vias fossem construídas e mantidas sem antecipações safadas do IPVA. Não fomos ouvidos se queríamos ou não que alguém, que não o Estado, cuidasse de ‘‘nossas estradas’’.
A desculpa para a dita privatização era que o Estado não tinha condições de manter sua malha viária. Mas tem dinheiro para que as privilegiadas recebam verbas para recapeamento (2,5 milhões ano passado e receberão 7,5 milhões para a construção dos viadutos nos entroncamentos das estradas em Cascavel de acordo com notícias veiculadas por esta Folha) mesmo recebendo pedágio por mais de um ano sem fazer absolutamente nada. Que o Estado use este argumento para a quebra de contrato, ora proposto pelo Setcepar. O Estado, ou alguém deve saber o quanto elas, as concessionárias, amealharam sem recolher um único centavo de imposto. Procedendo desta forma o governador pode livrar o povo paranaense deste B.O. (bom para otário) que ele próprio inventou e vendeu.
- TARCÍSIO MARTINS, Londrina
Pedágio (3)
O novo aumento vem aí, e na praça de pedágio de Sertaneja, por exemplo, uma das mais baratas do Estado, conseguimos o grande trunfo de ter o pedágio mais caro do que as rodovias duplicadas e conservadas do Estado de São Paulo. Lá pagamos R$ 4,80 ida e volta, aqui iremos pagar R$ 3,00 na ida e mais R$ 3,00 na volta. Bela diferença considerando que não foi feito nada além do corte do mato nas laterais e a construção das praças de pedágio. Um exemplo é na PR-323, que liga Porto Charles Naufal a Londrina, onde temos o trevo que dá acesso a Primeiro de Maio que é considerado ultrapassado e perigoso. Parece que estamos em rodovias de primeiro mundo, digo de outro mundo. Que tal a Econorte dar uma olhada?
- JOSÉ LUIZ GOMES, Primeiro de Maio
Saúde
Muito oportuno o editorial ‘‘Emergência na saúde’’, publicado dia 21. Realmente quando os médicos resolverem pela greve, o prejuízo será novamente da sofrida população. Além do aviltante valor da consulta SUS (R$ 2,40), muito maiores são os problemas causados pelos valores repassados aos hospitais pelas famosas AIH’s. Sufocados ao máximo, estão de tal maneira sucateados que já há muito se tornou perigoso exercer a medicina na maioria deles. Ao atender o paciente o médico tem hoje duas opções: ou é sem-vergonha e faz de conta que o atende ou respira fundo e compra briga com o mundo todo para dar-lhe uma solução. Pedir exames complementares, internar, operar, que dificuldade! O laboratório reclama pois a maioria dos exames são deficitários. O hospital então, nem pensar. É caso de cirurgia? Ah, coitado!
No editorial houve, porém, uma pequena falha. Não são apenas 470 consultas por mês que equivalem ao salário que se pretende estabelecer para o Serviço Público. São, pasmem os senhores, 4.700 consultas ou a bagatela de 160 atendimentos por dia, sem descanso, aos sábados, domingos e feriados. E o médico com 30 anos de profissão poderia acumular vencimentos? Como? Fazendo mais 50 consultas por dia? Atenção autoridades (dirijo-me aos não-corruptos) responsáveis pela saúde de seus semelhantes: a bomba está para estourar.
- MIROSLAU BAILAK, médico em Ubiratã
Segurança
Finalmente – e não sem tempo – o governador destituiu o malfadado Candinho. Que não fiquem no esquecimento as apurações de seu possível envolvimento ou negligência com os fatos ocorridos recentemente envolvendo a polícia. Por outro lado, a feliz indicação de José Tavares para substituí-lo foi de um acerto sem precedentes. Conheço o sr. Tavares há muito tempo, ainda nos tempos de delegado distrital em Londrina, e chego à conclusão que agora teremos segurança, além de justiça e integridade.
- JAIME H. CAMACHO, Londrina
CorreçãoO artigo Carta de Brasília, publicado na edição de ontem, é de responsabilidade da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas.
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