O leitor escreve
O leitor escreve Pedágio Está chegando o dia no qual as concessionárias de rodovias do Paraná poderão cumprir a decisão da Justiça Federal, de 14 de janeiro, e aumentar as tarifas do pedágio em mais de 100%. A data desta alteração é o próximo dia 27, uma segunda-feira. Acreditamos que é preciso, nestes momentos em que antecedem a mudança de tarifa, uma ação rápida de todos aqueles que serão afetados por esta alteração. Assistimos, desde a promulgação da sentença, uma luta que coloca diversos contendores num mesmo ringue, soltando argumentos e contra-argumentos a esmo, sem alguém que possa filtrar e orientar as discussões. Os recentes fóruns do pedágio foram boas iniciativas, que colocaram, frente a frente, os dois lados; mas, ainda não se obteve uma solução que pudesse deixar todos os envolvidos satisfeitos. O bom senso reza que um bom acordo é muito melhor que uma boa demanda. Estado, concessionárias e partes interessadas devem deixar de lado possíveis revanchismos e buscar uma solução imediata que não onere os usuários das rodovias e que permita às concessionárias prestarem um bom serviço. A Faciap entende que a aplicação do percentual concedido pela Justiça coloca os valores do pedágio em patamares muito altos e que as concessionárias e os usuários, representados por suas associações, podem chegar a definição de um preço, neste momento, justo, e dar um passo para que as decisões nas rodovias concessionadas do Paraná possam passar pelo consenso de ambos os lados, o que inclui, inclusive, avaliação dos serviços prestados e a melhor destinação dos recursos para obras. - ARDISSON AKEL, presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Curitiba Brasil 500 anos Alguns fatores há que não nos permitem que comemoremos os 500 anos de descoberta do Brasil, pois nos inibem, como participantes, de termos o que comemorar. Já fomos chamados de celeiro do mundo pelo volume e qualidade de nossos produtos agrícolas colocados no mercado internacional, capitaneado pelo café, durante muitos anos e hoje pela soja. Ainda que se ergam brados de alegria, pelos quase 80 milhões de toneladas produzidas em grãos, no território brasileiro, precisamos importar alimentos básicos como feijão, arroz e outros produtos que complementam nossas mesas. Isto porque o que produzimos abastece o mercado exterior, em detrimento de nossa alimentação básica e cotidiana. O índice de mão-de-obra ociosa aumenta de maneira assustadora, mas os governos federal, estaduais e municipais não investem em setores que gerem novos empregos. Realmente não há uma política efetiva de absorção positiva do contingente humano nas diversas áreas de economia nacional, principalmente na agricultura. Nossos legisladores reúnem-se, até em período de recesso, para votar, nada que traga um vislumbre de melhora para o nosso país. O pipocar das CPIs é uma demonstração cabal de que os nossos representantes legislativos e executivos sempre procuraram e procuram seus interesses individuais e familiares. Urge uma saída da letargia e morosidade em que se encontram os nossos políticos e que algo diferente ocorra, tal como um tremor e uma sacudida, a fim de que ao comemorar seus 500 anos, cada brasileiro descubra uma nesga de céu azul em meio a tanta nebulosidade administrativa. - BOANERGES DE OLIVEIRA, economista, Londrina Educação A pesquisa do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações para a Prevenção do Delito e Tratamento de Delinquentes) realizada em São Paulo, apresenta um panorama bastante preciso da violência nas escolas, com dados reveladores desta problemática que tem se tornando uma das mais sérias questões do ensino atual. Conforme o relatório apresentado 28,4% dos alunos que responderam as perguntas formuladas já cometeram atos como falsificar carteiras de identificação e boletins escolares; 25,5% confessaram que cometeram algum tipo de depredação; 12,2% se envolveram em agressão, 9,7% roubaram pequenos objetos; 8,9% andam armados e 8,4% sofreram assédio sexual. A escola, sem dúvida, reflete o que acontece nas famílias. Há uma crise profunda de autoridade, de respeito um ao outro, de solidariedade, de convívio, enfim, temos que ser claros, há uma profunda crise moral. O fato é que não há mais moral. Muitos alunos vão para a escola, querem fazer o que bem entendem, não se sujeitam ao mínimo de disciplina e se recusam a obedecer a qualquer autoridade. Muitos professores, diretores de estabelecimentos de ensino e pais ficam acuados diante dessa realidade, num verdadeiro não saber o que fazer nessa complexa e incômoda situação. A ética solidária é fundamental para que exista sociedade. Do contrário, só a barbárie. A família e a escola precisam tomar a coragem de impor limites éticos, para não dissolverem na violência e no barbarismo, inviabilizando, inclusive, a própria vida social. A pesquisa do Ilanud prova que o lema é proibido proibir não funciona, não deu bons frutos, é hipocrisia suicida. É preciso haver limites. Nenhum organismo vivo se mantém sem regras, sem dinâmica organizada, sem ritmo. Só a moral poderá salvar a família e a escola, e os jovens da nossa e das próximas gerações. A moral não é discurso conservador. É hoje uma questão de saúde pública. - VALMOR BOLAN, sociólogo, Santo André (SP) Salário mínimo Está chegando a hora dos congressistas votarem um novo salário mínimo. O Partido Liberal sai na frente e desfralda a bandeira por um salário mínimo igual ou superior a 100 dólares. Os integrantes do STJ (Superior Tribunal de Justiça) por sua vez, pleiteiam um aumento salarial para os magistrados federais, cujos salários, a bem da verdade, estão bem próximos ao salário mínimo, melhor dizendo a cem salários mínimos. A diferença é pouca, apenas uma questão de zeros. Por méritos indiscutíveis, a categoria foi agraciada com o auxílio moradia fixados em três mil reais. Não faço uso do espaço oferecido por este conceituado jornal, para denunciar estas imoralidades, porque isso o país está cansado de assistir a todos os dias. Estou convencida dos relevantes serviços que o STJ presta ao País, bem como das prerrogativas que advém da brilhante tarefa de um magistrado. Não estou aqui para criticar a categoria, pelo contrário, o que venho reivindicar, isto sim, é um salário mínimo digno, que permita ao cidadão brasileiro que trabalha receber um numerário que faça frente às suas necessidades básicas: moradia, alimentação, vestuário, saúde, educação, transporte e lazer. Pois sinceramente é inadmissível um pai de família sobreviver com um salário de cento e trinta e seis reais. É de fato está chegando a hora, este ano é um ano eleitoral. Arregacemos as mangas pois, e vejamos quem de fato, está representando o direito do povo, afinal, como disse o poeta: quem sabe faz a hora não espera acontecer. - FLORA INÊS M. DE OLIVEIRA CAMPANO, socióloga, Manoel Ribas - As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





