O leitor escreve Centrinho Meu filho é portador de lesão labiopalatal. Em minha família nunca havia existido caso semelhante e isto quer dizer que o caso de fissurados pode não ser só hereditário. Assim como eu tive um filho fissurado, qualquer um pode ter. Ter um filho fissurado é uma dádiva de Deus, pois não é para quaisquer pais que Deus o envia. Quero só que você da sociedade reflita sobre isso. Quero também que reflita o que é que você, sociedade, fez ou está fazendo a esse respeito. O nosso Centrinho fechou. O Centrinho de Londrina, que cuidava de fissurados, depois de muito tempo doente, morreu. Como ficou seu sentimento? Você já parou para pensar que poderia ao menos tê-lo ajudando de alguma forma? Com sua ajuda voluntária, ou monetária, ou simplesmente com uma palavra de solidariedade. Aí você vai dizer: ‘‘Teve uma má administração’’. Eu até concordo com isso. Mas você, que é um ótimo administrador, dispôs-se a cooperar? Se você tivesse feito isso, talvez algumas daquelas crianças fissuradas do Centrinho pudessem no futuro ser como você. Um ótimo administrador. Vocês doutores de todas as áreas médicas, humanas, exatas, sociais, dispuseram-se ao menos a facilitar algum atendimento a essas crianças que na maioria não têm como pagar, são pessoas carentes? Quem sabe vocês doutores, se tivessem ao menos um pouquinho de disposição, não ajudassem nossos filhos fissurados a ser também doutores um dia? Aos governantes deixo meu voto de repúdio ao saber que cortaram a ajuda por dizerem ser o Centrinho uma clínica e não uma escola. Eu que sou uma pessoa humilde, sei que a criança que tem problemas de fala – e às vezes como acontece aos nossos filhos fissurados diminuição da audição – tem problemas também na escrita e precisa de um acompanhamento pedagógico. Os juízes, que dizem fazer justiça, ganharam um auxílio-moradia de R$ 3.000 chegando ao teto salarial de (R$ 12.400. Hoje, com a morte do Centrinho de Londrina, torno a questionar que país é esse chamado Brasil, onde quem está lá em cima distribui somente para si próprio e ao povo que tanto luta, que tanto imposto paga, ao necessitar de ajuda para integrar futuros grandes homens à sociedade são cerradas as portas em plena infância e em plena carência de integração. Minha indignação é muito grande perante essa sociedade que se diz ‘‘normal’’ (será?). Quem será o mais deficiente? Não estou com isso pedindo esmolas para crianças fissuradas, nem pena (elas não precisam disso). O que elas precisam é apenas sorrir. Fazer uma criança sorrir custa muito para você? Meus sonhos para com o meu filho garanto que são os mesmos que seus pais um dia tiveram por vocês: o de fazer com que vocês se tornassem dignos e honrados cidadãos brasileiros. - JURACI GATTO LOCATELI, Londrina Opinião Gosto de ler em primeiro lugar a coluna de Luiz Geraldo Mazza na Folha. Suas opiniões são fantásticas e verdadeiras. Parabéns. - APARECIDO MENDES CARDOSO, Toledo Horóscopo Adoro ler o horóscopo da Yara Ramos. É sensacional. Ela tem que continuar sempre. Todos aqui em casa procuram a Folha Dois primeiro. Ou melhor, a gente reparte o jornal e eu sempre fico com esta parte. Yara deveria fazer umas simpatias e orações como faz no rádio. Ela é muito séria. Gosto do trabalho dela. - MARILDA MANESCO, Toledo Libertinagem religiosa O desfalque financeiro (um rombo de R$ 3 milhões) que Miranda Leal provocou no bolso dos fiéis de sua Igreja Só o Senhor É Deus é uma prova que a liberdade religiosa, garantida pela nossa Constituição, precisa ser revista. A coisa já virou ‘‘libertinagem religiosa’’ dado ao ritmo acelerado com que se fundam igrejas neste País, a maioria delas verdadeiras arapucas que têm como escopo primordial o enriquecimento dos seus dirigentes, em prejuízo ao seu público frequentador, geralmente da camada mais humilde e sofrida da população. Tenho observado programas televisivos onde pastores, em nome de Deus, pedem dinheiro a cada cinco minutos aos membros da sua seita. A nossa população precisa reagir; é preciso acabar com esses charlatães que ‘‘vendem’’ milagres até por telefone, pois eles já inventaram o ‘‘Disk-Oração’’, um verdadeiro abuso, uma aberração religiosa. Por outro lado, a preservação da família, com relação à religião, é muito importante. Digo isso, porque conheço uma seita holística em Londrina, que está separando os filhos do seu seio familiar, através de lavagem cerebral, com a promessa de garantir para seus membros a ‘‘salvação espiritual’’. Tudo isso é muito preocupante. Os deputados precisam ter coragem de mexer nesse charlatanismo legalizado, uma chaga maléfica da sociedade brasileira. - LUDINEI PICELLI, administrador de empresas, Londrina Secretário O secretário da Segurança do Paraná Cândido Martins não tem que processar ninguém (notícia do dia 10). Ele tem é que ajudar com esta pouca vergonha. Senão, ele é tão culpado quanto os envolvidos. - ANTONIO FRANÇA, Curitiba Assaltos legais Cada dia que passa o cidadão comum se vê às voltas com as malandragens oficiais, ou de empresas estatais, ou não, que assaltam seus bolsos com a maior cara-de-pau, como se fossem os flanelinhas que infestam nossa cidade. No Litoral, a Sanepar aumentou o custo da água em 20% nos meses de verão, com a desculpa de que neste período existe muito desperdício. (Acredite se quiser). Ela não conta que durante 10 a 11 meses as casas, os condomínios que pertencem às pessoas que moram no interior ou em outros Estados, ficam fechados, sem consumir uma gota da aguinha, mas pagam um mínimo de 10 metros cúbicos. Mensalmente. Portanto, dez meses recebendo na maior moleza. E a água não tem a mesma qualidade, está com um limbo que entope as velas dos filtros. Juntando-se à Sanepar está a nossa Telepar. No domingo, que dizem ser mais barato, você vai até a central, compra um cartão magnético de 60 créditos por R$ 3,90, e faz a ligação para o exterior. A pessoa atende e o cartão acaba em exatamente 1 minuto. Logo, um minuto de ligação custa para nós e para o turista argentino ou paraguaio R$ 3,90, ou mais de US$ 2 por minuto. Aliás, de uns tempos para cá o espaço de tempo entre os pulsos vem diminuindo assustadoramente (mesmo para os interurbanos dentro do próprio Estado). Essa é uma forma de aumentar o preço sem falar para o consumidor. No outro lado estão os supermercados do Litoral, as grandes redes que o dominam (Brasão e Super Rede) formam cartel, majoram os preços na ordem de 10% a 20% conforme o produto. Os mercados da periferia não possuem caixas eletrônicos e não emitem notas, logo devem deixar de recolher os impostos, mas cobram os mesmos preços, ou até um pouco mais que os grandes mercados. Quando será que as autoridades vão tomar alguma atitude em relação a estes e outros tantos abusos cometidos contra a economia e contra o cidadão comum no Litoral? - TARCÍSIO MARTINS, Londrina - As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]