O leitor escreve





Usuários de rodovias (1)
Como em todos os grandes projetos de interesse da população, a concessão das rodovias no Paraná não foi discutida o suficiente. Antes, foi imposta aos usuários, com promessas de melhorias. Seria também proveitoso a este debate, o governo do Paraná (e os deputados que o apoiaram na aprovação da privatização) esclarecer por que escolheu dar concessão das rodovias, pedagiando-as anteriormente à execução de obras de melhoria, reforma ou duplicação, quando as normas legais do Direito Administrativo lhe permitiam impor um contrato – no interesse público – em que tais reformas, melhorias ou duplicação fossem realizadas anteriormente à cobrança do pedágio.
CLÁUDIO PONTEDURA, Londrina
Usuários de Rodovias (2)
A privatização é a maior mentira da história recente do Brasil. Com ela estão tirando a responsabilidade do governo de todas as áreas e entregando de forma suspeita a empresários amigos do rei. O caso das rodovias é uma delas. Uma grande revista de automóveis há quatro anos fez uma reportagem em que as nossas estradas iriam virar um verdadeiro céu com direito a conversar com Deus nas cabines de cobrança, e na ocasião eu já desconfiava da reportagem. Tanto que não renovei minha assinatura, pois naquele momento passei a desacreditar em tudo que lia na revista, até nas cartas de opinião.
JUVENAL DE SOUZA, Recife
Usuários de Rodovias (3)
Se fôssemos criar um fórum para cada problema que temos no País, talvez não tivéssemos aqui espaço suficiente para enumerá-los todos. Mas vamos começar pela raiz de todo esse mal: para todos aqueles que, como eu, têm sua origem religiosa no cristianismo, conhecem muito bem a história do povo hebreu o qual não possuía rei e sua lei rezava que cada um deveria contribuir com o dízimo, isto é, 10% de sua renda para a Igreja, o qual era recolhido e administrado pelos sacerdotes. A Igreja era responsável pelos serviços sociais, como atender os órfãos, as viúvas e os incapacitados.
Com a unção de Saul como rei – e posteriormente o rei Davi – aquele povo começou a ter que pagar os devidos tributos ao rei, sem deixar de pagar o dízimo para a Igreja (dupla tributação). Rei é sinônimo de governo. Com o tempo, e bem devagarinho, as atribuições sociais da Igreja passaram para a responsabilidade do governo. O povo continuou pagando dois impostos. Hoje o governo quer que o povo assuma as responsabilidades sociais como ‘‘seja um voluntário na sua escola, não deixe o hospital tal morrer, abra do pouco conforto que você tem e contribua para que um deliquente possa quebrar tudo na Febem.’’ Enquanto o imposto continua sendo recolhido e cada vez mais caro.
Estou começando a acreditar que está na hora de pensarmos em privatizar o governo. Sim! pois se todos os serviços públicos estiverem sendo administrados por empresas privadas, para que nos servirá ter governo?
VANDERLEI PEDRO R. GUIMARÃES, Ibiporã
Usuários de rodovias (4)
Sou representante comercial e usuário constante das estradas das regiões Norte, Oeste e Noroeste do Paraná. No interior do Estado, somos mais de 5 mil representantes que se utilizam diariamente das rodovias para exercer a profissão. Estamos sendo muito penalizados com a cobrança do pedágio nas rodovias que já existiam e, além disso não temos estradas alternativas. É preciso que as autoridades competentes e os nossos políticos atentem para esse fato de que o representante comercial não usa ‘‘carro de passeio’’ e, sim carro ferramenta de trabalho. O representante ainda é peça de fundamental importância no contexto econômico do Estado e do País, pois é ele quem promove os negócios entre os mercados produtivos, revendedores e consumidores.
OSMAR VICENTE DE OLIVEIRA, Londrina
Artigo sobre pedágio
Empresas comerciais, como os jornais, têm o direito de defender o ponto de vista de seus proprietários. Não nos iludimos quanto a isto. Apesar disto, esperávamos da Folha de Londrina uma postura mais pluralista, mais democrática, mais em sintonia com a história deste grande jornal.
A frágil argumentação dada pela direção para não publicar um artigo nosso na íntegra (de que o tamanho do texto estava fora dos padrões da Folha), evidentemente não se sustenta mais depois de publicação no dia 11 último, do enorme artigo ‘‘Pedágio: a questão é mais profunda’’, do advogado Bruno Sacani Sobrinho. A regra, como vemos, é flexível.
Queremos registrar a nossa indignação e o nosso lamento de ver a Folha de Londrina adotar semelhante postura, negando a seus leitores o legítimo acesso aos dois lados (ou mais) que envolvem a questão, dentro dos mesmos critérios.
- GUSTAVO MÜSSNICH, diretor-presidente da Econorte (concessionária de rodovias do Paraná), Londrina
Nota da Redação:
A Folha não se furtou a publicar o artigo do Sr. Gustavo Mussnich, apenas solicitou uma versão mais reduzida, sem prejuízo do conteúdo. Ao invés disso, o Sr. Mussnich preferiu pagar para ver seu texto publicado – e o fez, pela tabela normal. No mesmo dia, a Folha fez um pedido formal para que a Econorte enviasse uma cópia do contrato que firmou com o DER, já que em seu texto o Sr. Mussnich acusava as pessoas de falar sobre fatos que não conheciam – o que até poderia ser verdade, já que até então ninguém tinha tido acesso aos documentos do pedágio. Somente uma semana depois, após o Jornal ter anunciado que obtivera as cópias de todos os contratos, é que o Sr. Mussnich se apressou em mandar um fax afirmando que não via mais necessidade de atender aquela solicitação. A Folha é autora da idéia de criação do Fórum dos Usuários de Rodovias do Paraná, cuja realização da primeira rodada, no último dia 11 em Londrina, com grande sucesso, traduz a linha pluralista que sempre norteou sua postura editorial.
Correção
- Supervisor da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu, Wilmar Serrano, foi identificado equivocadamente como superintendente do órgão no Caderno Reportagem Especial sobre o pedágio nas rodovias do Paraná, publicado domingo.
- Crédito da foto que ilustra a notícia ‘‘Técnicos investigam mancha no litoral’’, publicada na página 10 do Caderno Cidades da edição de sábado é Reprodução/TV Paranaense, e não de José Suassuna.
- Crédito da foto publicada na edição de ontem, sobre o resultado da Prova 15 de Fevereiro, em Cornélio Procópio, na página 3 da Folha Esporte, é de Sérgio Ranalli e não Sérgio Rinaldi.
- Tentativa de fuga frustrada pela Polícia Militar na tarde de domingo aconteceu na Prisão Provisória de Londrina (PPL) e não na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), como foi publicado na edição de ontem. Os presos foram descobertos quando escavavam um buraco na cela 24.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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