O leitor escreve
Jornalismo criminal?
A quem atribuir a onda crescente de violência urbana, com shows diários para o delírio dos telespectadores aficionados em programas como o Aqui Agora, Cadeia, 190 Urgente, Cidade Alerta, Alborghetti, entre outros, nos quais a tragédia humana é cruelmente exposta, com requintes obscenos, estetizada e freneticamente ritualizada?
São disparos à queima-roupa contra os lares dos telespectadores, atingidos por balas perdidas, e obrigados a ver a realidade nua e crua de corpos feridos, cadáveres estrangulados e putrefatos, policiais e viaturas ao encalço de supostos delinquentes, viciados e traficantes, pecadores e inocentes que perecem ao vivo na telinha mágica. Isso sem contar com o arroto putrefato de alguns moralistas do vídeo, que narram a crônica do óbvio com os recursos da imaginação carniceira. Jornalismo de verdade ou entretenimento épico da vida como ela é?
O fato jornalístico frequentemente é ofuscado pela versão distorcida, nas cavilações engendradas pelo astro principal, o apresentador televisivo, não raro um político, com ou sem mandato. O suposto jornalismo criminal, onde o apresentador obnubila a informação, é marcado por um primarismo jacu-atávico permeado de censuras e apologias que, ao invés de moralizar, desvirtualizam e desvirtuam, induzindo a opinião pública a apoiar a pena de morte, ou glorificando-se a tortura nas delegacias, plantões e plantéis policiais. Discursos teatrais, retórica chula, mise-en-scéne, pitadas de humorismo, que confundem banditismo com o mocinho salvador da pátria: os programas undergrounds reprisam cenários de antanho, em que a elite, com fome de circo, comia cristãos virtuais devorados pelas feras do Coliseu.
- JOSÉ A. FIORI, Curitiba
Pesadelo profético
Outro dia acordei apavorado. Fruto de tantas elocubrações de nacionalista convicto, sonhei que um complô internacional, sem nome e sem bandeira, tramava o domínio do Brasil, fazendo-o, aos poucos, apenas parque industrial e reserva de seus interesses. A fórmula é simples, de aplicação eficaz, de convencimento até rápido:
Funcionaria assim, na minha divagação onírica: 1º Seria eleito um presidente com grande credibilidade, que venderia a idéia ao povo de que é preciso reduzir a máquina do Estado, demitir funcionários, tirar o que for possível. 2º Abrir o mercado para todas as grandes firmas do mundo, mesmo que o frágil empresariado médio fosse à falência (Quem não tem competência não se estabelece). 3º Vender a idéia de que a globalização é irreversível. Tem que ser, deve ser e será. Quem nela não ingressar ficará para trás. É a Ditadura do Globotariado, tendo como grandes patrões o grupo dos 7 com direito a veto. 4º Caberia ao terceiro mundo produzir grãos, gerar mão-de-obra barata, comprar porcarias do mundo desenvolvido. 5º Taxar e sobretaxar tudo que viesse do terceiro mundo. Venha a nós, ao vosso reino, nada. 6º Quebrar os bancos nacionais, fechar os bancos estaduais e desmoralizar ao máximo o Banco do Brasil. Quanto menos banco de brasileiros, melhor (Vide a Bolívia e o Chile. Quem tem banco por lá, salvo estrangeiros?) 7º Vender e forçar a privatização de empresas de expressão mundial como Petrobrás, Embraer, Vale do Rio Doce, Camargo Correa, Mendes Júnior, CBPO. 8º Minar tudo que for nacional em nome da globalização. Convencer grandes nomes nacionais para que defendam a globalizaçlão a qualquer preço (Leia-se Roberto Campos e quejandos). 9º Sucatear o campo para que caia a produção agrícola, haja miséria e o país não possa mais investir em ciência, desenvolvimento, educação para sair do atraso; 10º Usar a informática (Internet etc.) para lazer, sem que nos ajude a progredir cientificamente.
Acordei com 190 de pulsação e pressão 14x22. Vi meu país no abismo, subjugado como nunca e eu, como milhões de patrícios, escravos brancos de um patrão invisível, mas mão-de-ferro. Só que terei uma saída: resistência pacífica. Não consumirei, não trabalharei e não venderei minha alma. Posso viver com um par de sapato, duas calças e pouca comida. Tomara que tenha sido apenas um pesadelo!
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Acorda, Ramúndio!
Não sei o porquê, mas no dia 28/11 me lembrei de um personagem engraçado, que demonstra inteligência, bom senso e até noção da realidade. Estou me referindo a Niérson, o da Capuxinga, não outro. O professor Ramúndio volta e meia o chamava: O é ieu abria a temporada da caça ao riso, ao deboche e ao possível contato com a realidade. Em determinada ocasião. Niérson, com aquele jeito matuto e lúcido, nada desvairado, alucinado ou desabonador, afirmou: Óia, na minha terra teve cabo eleitoral, das bandas lá da capitar, qui foi preso por fazê urna de boca na minha terrinha. E mais, as rua tava ansim, lotada de tomóve e ônibus de fora, dizendo que vieram à terra da genti, por amor à cidadi, fazê a festa da rapadura, mocotó de framboesa, tutu de feijão e pra dá cesta de natar pro povo, só que era novembro! O professor, se fazendo de indignado: O senhor não pode estar falando do Brasil, aqui não acontece nada disso em véspera de eleições! Niérson emendou: Uai, ieu num sei, purum acaso sô besta? Tô falando duma cidadinha dos esteites, dos Crinton, Dóli e Qenisdi, chamada Maiami (onde mora um tar de Collor). E tem mais, foi só um sonhu! Dispois num sei nem andá no vião e nem expursá o tal do requeijão! Óia a sola da minha botina, nem guenta estrada, vai guentá vião? Aquilu num aconteceu não, foi só lucinação disvariada, desbonatória e sonhatória! e riu gostoso. Ramundião aquietou: Ah bom, foi sonho! Agora, dar a entender que no Brasil acontece isso, é absurdo, acorda Niérson! Nosso povo respeita as leis, e tem no voto consciente a garantia da soberania resgatada! Niérson olhou para o teto, abriu a boca, ficou mais sério, fixou olhar no professor, até com dó: Põe bsurdo nisso! O mocotó não era de framboesa porqueira nenhuma, era de ossu de vaca mesmu, daquelas qui dão leite quente! (com e) Vê se acorda, fessô!
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
Boas Festas
Agradecemos e retribuimos os votos de Boas Festas enviados à Folha de Londrina pelas seguintes pessoas e empresas: Catuaí Shopping Center, Iwao Miyamoto, Spaipa S.A.(Coca-Cola), ABREVIS Associação Brasileira de Empresas de Vigilância e Segurança; Aristides Sehiochet, presidente da APP - Sindicato Núcleo de Londrina, Elizabeth Cotting dos Santos, Apucarana; Gilclér Regina, funcionários da agência Centro do Banco do Brasil, Londrina; Seller Cabeleireiro, Caesar Park Hotels & Resorts, APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, Londrina; Cativa e WK Informática.





