O leitor escreve





Viaduto
Voltando de viagem ao Litoral, dei uma olhada nos jornais da semana e deparei com uma notícia do dia 11, sobre a retomada da construção do viaduto de transposição da BR-369 em Cambé. Este será o terceiro capítulo da novela. Tempos atrás, antes de uma eleição para deputado, houve a promessa de começo dessa obra. Fincaram estacas, engenheiros medindo tudo e o povão de Cambé dizendo: ‘‘Desta vez sai!’’ Não saiu. Terminada a eleição, as estacas foram retiradas, ficando somente a estaca zero. Nova eleição para prefeito. Estacas foram fincadas, engenheiros mediram. Novas esperanças e a mesma coisa. Passadas as eleições, tudo foi desfeito.
Em 1998, eleição para governador. Cambé comemorando aniversário e a vice-governadora Emília Belinati, no palanque das autoridades para o desfile comemorativo, perante a multidão, assinou a ‘‘ordem de serviço’’, e empunhando-a, bradou em alto e bom som: ‘‘Aqui está a ordem de serviço assinada e segunda-feira terão início as obras de transposição (viaduto), uma antiga reivindicação do povo (pasmem!) de Londrina’’. Gafe dela. Pensei: ‘‘Desta vez sai.’’ Não saiu.
Fizeram uma marginal de 300 metros que ninguém sabe para que serve. Ano 2000. nova eleição, agora para prefeito, e a notícia no jornal de que agora sai. Novas estacas serão fincadas, novos engenheiros serão deslocados para a obra e, com certeza, nova decepção estará estampada nos rostos dos cambeenses. Agora será na base de São Tomé: ver para crer. E, sinceramente, não acredito. Deus queira que eu esteja errado. Se não estiver, em 2002 haverá outra eleição, e aí vai.
- ARMANDO PASCHUETTO, Cambé
Retaliação
Entendo que os governos gaúcho e paulista também deveriam considerar o tratamento diferenciado que sempre receberam ao longo da história por parte da União, e que os alçou frente às demais unidades da Federação. Tal tratamento diferenciado se traduz, nos dias atuais, nesta distorção que coloca o Paraná num estágio inferior de desenvolvimento, quando comparado aos dois acima citados Estados brasileiros. Condenar o governo paranaense por suas iniciativas é o mesmo que condenar o Paraná ao imobilismo e à eterna espera de um tratamento mais justo e igualitário perante o governo federal e aos demais Estados.
- LINO FLÁVIO ROLIM DE MOURA, Foz do Iguaçu
‘‘Bispo boca suja’’
Resposta à nota publicada na coluna do jornalista Claudio Humberto no dia 1º de janeiro, referente à entrevista concedida pelo arcebispo de Campo Grande, D. Vitório Pavanello: em flagrante ataque à dignidade humana, essa criatura que, indevidamente, ocupa alto posto na hierarquia da Igreja Católica, agride gratuitamente a figura feminina. Tal fato deve entristecer a todos nós, posto que lutamos tanto e tantos até morreram para que pudéssemos atingir mais um penoso degrau na evolução da humanidade. Patamar onde cada qual tem consciência de sua linhagem genética e, por consequência, de cada um dos sexos.
Com os pés no século XXI, surge esse ente desorientado que, no mínimo, deveria ser recolhido ao Vaticano, para ser guindado ao posto de coroinha e apenas, tão-somente, tocar o sininho durante o ofício da Santa Missa. Essa estúpida observação, feita pelo referido arcebispo, só merece resposta dada a procedência, pois o conceito emitido por ele, publicamente, traduz o pensamento da Igreja.
Horrorizados, somos remetidos aos séculos de escuridão, nos quais os líderes das tribos ameaçavam os promíscuos com a ira dos deuses do trovão, do raio, dos ventos, enfim, de todos os elementos violentos da natureza. Aliás, único recurso de antanho, pois a promiscuidade era uma ameaça de extinção da espécie humana.
Graças ao Senhor Deus, chegamos a um perfeito sistema de identificação no âmbito das células familiares, que, no conjunto, criamos os institutos de identificação, que propiciam a distinção da linha genética, por meio dos sobrenomes iguais, e a fácil investigação dos familiares. Aí é ressaltada toda a importância da família. Portanto, os riscos de uma catástrofe humana estão totalmente afastados diante de uma evolução doida e sofrida, na qual a facção da humanidade mais sacrificada foi a da mulher. Isto porque, ela é apetrechada pela mãe natureza para trazer em seu ventre o fruto da conjunção carnal e, flagrantemente, ser responsável por ele. Por esse motivo é altamente ofensivo à raça humana, a Igreja permitir que um seu dignatário se refira à mulher com tamanha bestialidade.
- MARUSA LEITE, Londrina
Entre a vida e a morte
O mundo é prazeroso demais quando você descobre qual o seu papel na vida. Ao mesmo tempo que se depara com os apelos de conservação da vida parece que a morte faz parte de outro mundo. Alguém poderia dizer que a morte deve chegar quando for a hora certa. A vida eterna terrestre não dura eternamente. Os ciclos da vida são inevitáveis: nascer, crescer, morrer e se transformar. Daí para recomeçar é como as estações do ano. Vida longa e saudável pode ser hereditária ou cuidados antes do nascimento com o físico, o emocional e o espiritual. Mas enquanto tiver vida deve-se desfrutar cada segundo. É desafio, lógico.
Vida sem as pedras intransponíveis no caminho. Longas escaladas. Sofrimento para depois contemplar o horizonte. Acertar mais e errar menos quando existe boa consciência de si mesmo. Viver hoje como o último dia da vida, alguém falou. E quem sabe quando será o último? Se a vida é uma passagem por que guardar mágoas e deixar entulhos para as próximas gerações?
Dificuldades existem quando se carrega ranços dos antepassados. Gente que complica a vida dos outros. E se alguém quiser e puder sair da maçaroca não é fácil. Só de uma coisa se tem certeza. Por enquanto, não barre o caminho de ninguém. Só Deus tem esse direito. Na caminhada precisa-se uns dos outros exercendo atividades. Se possível, contentes com seus talentos.
- IRACILDA PRESTES PADILHA, pedagoga, Curitiba
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