O leitor escreve





Rádios comunitárias
A Abert, órgão que congrega rádios e TVs comerciais, está vinculando nos principais meios de comunicação, vinheta combatendo as chamadas ‘‘rádios piratas’’. Nada mais justo, pois muitos aproveitadores da boa fé do povo usam esse meio de comunicação para outros fins e de forma ilegal. O serviço de radiodifusão comunitária, porém, já é uma realidade, estando devidamente regulamentado através do Decreto nº 2615/98 do Ministério das Comunicações. Ótimo? Tudo perfeito? Infelizmente, não é o que está acontecendo.
Muitas entidades, movidas no mais alto espírito da cidadania e lutando pela liberdade de expressão (aliás, isto está na Constituição, não é?), procuraram e procuram, de forma legal, e respeitando o que determina da Lei, manifestar o interesse em desenvolver tal serviço (rádio comunitária); acontece que o chamado entrave burocrático é superior à boa vontade e paciência de todos. Quantas rádios comunitárias já estão funcionando de forma legalizada? Pouquíssimas, sem dúvida alguma. Em triste compensação, avolumam-se, multiplicando-se dia a dia, os processos parados no Ministério das Comunicações.
Para citar um só exemplo, nos EUA, cada condado tem uma rádio comunitária, onde a livre manifestação e democracia se fazem presentes. Por que é que no Brasil tudo é tão difícil? Estamos em plena era da globalização. O mundo está ‘‘plugado’’; a Internet é uma realidade; entramos no ano 2000; mas o cidadão não tem direito de se manifestar através de uma rádio comunitária. Como em uma final de campeonato podemos vislumbrar, no primeiro tempo de jogo, o seguinte resultado: Burocracia 1 x 0 Democracia. Esperemos que no segundo tempo haja uma virada de jogo, para o bem de todos os torcedores brasileiros.
- JOÃO CARLOS HELLVIG DA SILVA, Ribeirão Claro
Radar
A indústria da multa está cada vez mais modernizada. O governo investe pesado nestes equipamentos (radares fotográficos) porque sabe que o retorno é garantido. Estes radares não educam os motoristas infratores, não pegam assinatura dos condutores e diminuem ainda mais o trabalho dos policiais rodoviários. Apesar de tanta tecnologia, estes equipamentos têm uma única utilidade: aumentar a arrecadação, ou você acha que alguém se preocupa com sua vida?
- SÉRGIO TORERTO, escriturário, Goioerê
Conflito anunciado
Os advogados defensores dos sem-terra e o próprio MST já tinham anunciado anteriormente que haveria confronto no caso da PM tentar a desocupação da Fazenda Sandra, o que foi feito na última segunda-feira. É isto o que mostra notícia publicada na edição da Folha do dia 11 de janeiro. Nela, fica bem claro que os sem-terra iriam se preparar para tentar evitar que a lei fosse cumprida pela PM. Agora, o MST busca em números fantasiosos tentar caracterizar a ação policial como uma atitude arbitrária e violenta. Violência é o que fazem os sem-terra cada vez que invadem uma propriedade, destruindo patrimônio e roubando e matando o gado.
Nesta mesma notícia, os advogados e o MST dizem que a PM apreende as ferramentas de trabalho dos sem-terra. Enxadas, facões e foices são instrumentos de trabalho, quando se verifica que eles foram utilizados para o plantio agrícola, o que não se vê nas propriedades reintegradas. Cabe também uma pergunta: a cartucheira, o revólver e a espingarda, apreendidos com os sem-terra na Fazenda Sandra também são ferramentas de trabalho? Os advogados e líderes dos sem-terra são os únicos responsáveis pelo ocorrido na Fazenda Sandra, já que incitam os integrandes do movimento a resistir a qualquer tipo de ação de cumprimento da lei. Que eles pensem um pouco antes de fazer este tipo de irresponsabilidade.
- MARCOS MENEZES PROCHET, presidente da União Democrática Ruralista do Paraná (UDR) em Paranavaí
Bioética
A bioética surgiu nos anos 70. Potter, que era oncologista, introduziu o neologismo, significando, inicialmente, uma combinação de conhecimentos biológicos aos valores humanos. Era um conceito muito mais ecológico, já que havia grande dúvida em relação à sobrevivência da humanidade, paradoxalmente ao progresso da ciência.
Mas foi com Hellegers, também na década de 70, que o termo assumiu a conotação acadêmica e científica que conhecemos hoje. Ele foi o responsável pela sua interação com a medicina. Portanto, a bioética é uma ciência jovem, com pouco mais de 25 anos de existência. Em razão disso, muitos questionamentos ainda são comuns entre médicos e demais profissionais da saúde.
Durante séculos, os grandes princípios que nortearam a atividade médica foram aqueles contidos no juramento de Hipócrates. A beneficência e a não-beneficência seguiram unidas em toda a História. Pouco se questionava a respeito das condutas impostas em um relacionamento que era quase de forma unilateral. O próprio paciente permitia isso, assumindo atitude mais passiva em relação às decisões tomadas pelos médicos. Esses tinham o papel de salvaguardar a vida e o bem-estar do doente, por meio dos próprios conceitos ou até mesmo preconceitos e limitações.
Essa fase de excessiva liberdade de ação começou a declinar com a divulgação dos experimentos fascistas, na Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, com a Declaração de Helsinque e de Nuremberg. Muitas outras pesquisas, consideradas antiéticas, foram reveladas à opinião pública. Em 1963, por exemplo, no Jewish Chronic Disease Hospital, foram realizadas experiênias em idosos, sem prévio consentimento, injetando-se, nesses enfermos, diversas formas de células tumorais.
Essa sequência de eventos, associada ao grande volume e velocidade de informações que chegam à população, permitiu o aparecimento de um terceiro elemento, bem diverso dos anteriores: a autonomia, que não estava prevista na Medicina Hipocrática. Com isso o paciente passa a ser a figura mais importante dentro das decisões médicas. Bem informado de todos os riscos e benefícios, deve ser capaz de julgar o melhor caminho a ser seguido, não necessariamente de acordo com aquilo que seu médico acreditar ser a melhor alternativa. Começa, assim, a era do consentimento informado e o início dos processos éticos profissionais.
- CICERO DE ANDRADE URBAN, médico, Curitiba
Trânsito
Em resposta à carta intitulada ‘‘Trânsito’’ do leitor Mauro Viecili, publicada ontem: elogiamos a iniciativa do signatário em nos ajudar na verificação dos locais de problemas de trânsito. Posso assegurar que estaremos mandando uma equipe para tomar as providências. Na oportunidade, aproveito para pedir à comunidade que siga o exemplo de Mauro Viecili e nos comunique, através do telefone 194, as irregularidades observadas em nossas ruas, pois estaremos à disposição para resolvê-los dentro de nossas possibilidades.
- Capitão SÉRGIO DALBEM, comandante da Companhia de Polícia de Trânsito, Londrina
Correção
Na página 2 do caderno Folha Gente de ontem (Militão Repórter), o jogador Alex, do Palmeiras e da Seleção Brasileira, foi identificado equivocadamente como Alex Alves.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]
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