O leitor escreve





Vergonha
Há um mês utilizo a rodovia que vai de Cornélio Procópio a Maringá. Fico indignado com essa estrada pedagiada. O trecho de Cornélio a Londrina é uma vergonha. Eles cobram R$ 1,80 para transitar em pista simples, enquanto na pista dupla, de Londrina a Maringá, é R$ 1,10. A rodovia ainda conta com lombadas sem pintura, e quando se chega ao pedágio temos que esperar, pois só há uma cabine para recebimento, algumas vezes duas. E agora querem aumentar o pedágio? Isso só acontece neste Estado. Como diz um grande jornalista, ‘‘isso é uma vergonha!’
- AGNALDO B. NUNES, Cornélio Procópio
Indústrias
Será que Londrina novamente será passada para trás em um empreendimento de grande porte para nossa querida cidade? Onde está a tão festejada fábrica coreana de Pneus Kumho, empreendimento que foi anunciado com foguetório e comentário por toda a cidade e hoje não se ouve falar nada sobre o assunto? No terreno em que seria a fábrica, hoje há uma exuberante plantação de soja. Será possível que teremos uma nova Pepsi?
Acho que falta força política para Londrina trazer um empreendimento deste porte para a cidade. Onde estão os nossos deputados que só aparecem em época de eleição? Tenho orgulho de ser londrinense, mas infelizmente estamos perdendo terreno para outras cidades paranaenses. Se não abrirmos os olhos, logo perderemos a posição de capital do Norte do Paraná. Londrina merece ser representada de acordo com o porte que a cidade tem e não com o descaso que vem sendo tratada por nossos representantes.
- SÉRGIO RICARDO BASTONI, gerente administrativo, Londrina
Cinema
O título ‘‘Paraná tem boa safra de curtas’’ (Folha Dois de quarta-feira) sugere uma reportagem abrangente mostrando a atual situação da produção cinematográfica no Estado. Tal promessa fica só no título, pois o texto frustra o leitor – não pelo conteúdo, mas pela expectativa gerada anteriormente. Sou profissional da área e considero muito importante divulgar a produção de curtas de colegas curitibanos. Tanto que pretendo convidá-los a lançarem seus filmes em Londrina.
No entanto, enquanto londrinense e morador do interior do Estado, é irritante ver um jornal tão conceituado como a Folha cometer um erro desses no título de uma reportagem. A produção de curtas paranaenses não está só em Curitiba. Para sua informação, produzi um curta em Londrina no mês de dezembro (a Folha tratou do assunto em uma página) e no momento estou trabalhando na captação de recursos para um novo curta que foi recentemente aprovado pela Comissão de Avaliação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Também, sou co-produtor executivo do filme do Fernando Severo. Finalizando, é importante lembrar que Umuarama, cidade do Noroeste paranaense, produziu um curta em julho. E, há ainda o trabalho desenvolvido pelo Talício e todo o pessoal de Cascavel.
- CAIO JULIO CESARO, produtor cultural, Londrina
NR: A edição optou pelo título ‘‘Paraná tem boa safra de curtas’’ não por desconhecimento da produção de outras curtas no Estado. Ainda em dezembro, como o leitor-produtor reconhece, dedicamos amplo espaço ao curta produzido por ele, assim como, no decorrer do ano passado, dedicamos páginas inteiras à produção cinematográfica de Cascavel. A intenção foi, simplesmente, descaracterizar o que se pode chamar de ‘‘bairrismo cultural’’ – reforçado pela ênfase que se pode dar à produção ‘‘curitibana’’, ‘‘londrinense’’ ou ‘‘cascavelense’’. Em síntese, a produção é paranaense, o que amplia um conceito em vez de limitá-lo.
Assalto a turistas
É absurdo o que se vê acontecer nas estradas brasileiras com relação a assaltos a turistas, brasileiros e estrangeiros. Quero saber onde está a consciência e a integridade de nossas autoridades, que parecem que dormem ou realmente não são dignos de serem chamados de autoridades competentes. Como pode bandidos circulando com armas de guerra pelas estradas onde o cidadão só tem direito de pagar pedágio e tropeçar em buracos? Onde está a segurança nas rodovias do Paraná? Bandidos armados são guerrilheiros e devem ser procurados como na época da ditadura, quando havia segurança para o cidadão. Ou será que a Polícia tem medo de bandidos?
- HAMILTON CARVALHO, Londrina
Lerner
Sobre a notícia ‘‘Lerner admite estar distante do povo’’, publicada dia 12: o governo está distante do povo e de prioridades sociais, mas está tão próximo dos interesses internacionais. Que o digam Renault, Chrysler e outras. Agora com a derrocada das finanças do Estado sim, o povo é lembrado, com o adiantamento do IPVA. Temos a plena convicção de que este ano, o povo paranaense e, particularmente, o curitibano, responderá à altura, rechaçando o modo lernista, muito semelhante ao malufista, de governar.
- PEDRO PAULO COSTA, Curitiba
Fé e pau da balsa
Dona Nelsa garantiu que se tratava de fato verídico. Na Fazenda Lajeado vivia, encravado numa cama, um jovem vítima de pertinaz doença. João dos Anjos era seu nome, mas, por morar naquela fazenda, era conhecido por João Lajeado. A família de João era pobre. Vivia dos frutos do roçado (arrendado), como dizia o inesquecível Monteiro Lobato. Esmolando aqui, ali, e alhures, conseguiu dinheiro para pagar consultas de um rosário de médicos. Tudo em vão. Nenhum esculápio conseguiu detectar a etiologia da doença.
Zé Pitanga, de todos conhecido pelos seus dotes, adiantou a convicção sobre o fato e lascou. A ciência médica, em geral toda ela, é relativa. Nem sempre, mesmo nas ciências físicas, o resultado é absoluto. Em casos como o do João, quando fica vencida a ciência, há uma alternativa divina, que é o poder da fé, da oração.
Deus tarda, mas não falta, arrematou com o adágio popular. De inopino, chega na casa de Lajeado um velho amigo da família. Trazia num saquinho rústico, farpas de cabreúva, cujas lasquinhas havia tirado do batente da balsa que fazia a travessia do Rio das Antas, entregando-se à mãe de João, com a recomendação de que com elas se fizesse chá para, de gole em gole, João fosse tomando. E Zé Pitanga pediu a todos que tivessem fé e que orassem pela cura de João Lajeado.
No dia seguinte, após muitos goles de chá e oração, eis que tem início o processo de revitalização das minguadas forças físicas de João. Todos sentem que as forças exauridas são recobradas. Milagre é a expressão da alma da família e dos amigos. Razão não faltava a Zé Pitanga, quando convictamente falou da alternativa divina.
De fato, muito antes de Pitanga, Cristo, em vários lances de sua passagem pela terra, falou do valor e do poder da fé, deixando, como lembrança a máxima: ‘‘A fé remove montanhas’’. Por fim, a moral que se pode extrair do fato narrado por Dona Nelsa constitui uma lição de vida e pode ser interpretada e através da frase: ‘‘Mais vale a fé do que o pau (estilha) da balsa, ainda que de cabreúva seja a madeira.’’
- JOSÉ ÁLVARES DELFINO, advogado em Londrina
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