O leitor escreve
O leitor escreve
Abertura do comércio
O Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região congratulou-se com o município de Londrina pelos investimentos por ocasião do Pré-Olímpico e enviou ao prefeito municipal ofício solicitando a livre abertura do comércio durante aqueles jogos. De uma família de cinco pessoas, nem todas irão aos jogos. Dessa forma, o comércio estaria em condições de receber os familiares, tornando-se de fato um acontecimento turístico. Vale lembrar que onde há comércio há turismo. Segundo o presidente em exercício da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, o comércio de Londrina deverá movimentar R$ 5 milhões durante nesta época. Mas não será de portas fechadas que o comércio conseguirá movimentar todo este dinheiro.
Por tudo, precisamos com urgência de um comércio que receba de portas abertas os turistas e a própria população. É importante para o município que o prefeito decretasse a livre abertura do comércio neste período em que o município está ganhando as manchetes dos principais rádios, jornais e telejornais do Brasil. Vale lembrar que o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região atende 7 mil associados.
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Comércio
Responsabilidades
Há poucas semanas, num discurso comovente o senador Pedro Simon admitia sua cota de responsabilidade por nossa condição social precária. Dizia o senador: Será que cada um de nós tem feito aquilo que podia? Será que cada um não pode avançar um pouquinho mais? Eu devo confessar a minha parte: se as coisas vão mal é porque eu também fracassei. Na verdade somos todos responsáveis pela sociedade onde vivemos. Cada cidadão tem um papel a ser cumprido. É preciso pôr fim ao costume de culpar o governo por tudo o que acontece de ruim, como se cada indivíduo não tivesse sua parcela de responsabilidade pelo que aí está. A participação democrática não se realiza a partir da crítica permanente ao governo. Precisamos fazer a nossa parte.
Será que temos comparecido às eleições com um interesse sincero de eleger sempre os melhores? Quantas vezes nos dobramos àqueles políticos que nos oferecem vantagens pessoais e acabamos por esquecer o que é melhor para nosso País? Será que estamos ajudando a cobrar das autoridades um maior empenho na solução das injustiças sociais? O desrespeito às leis de trânsito ou a sonegação de impostos também não condizem com uma postura de responsabilidade social.
Uma nação se constrói a partir da conduta de cada cidadão. Nenhum governo obteve êxito dispensando a participação vigorosa de toda a sociedade no processo de solução das questões sociais. Esta divisão de responsabilidades entre poder público e sociedade civil será a chave para a construção de um país com mais justiça social e dignidade.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Apucarana
Governo Lerner
É de admirar as pretensões políticas do nosso governador Jaime Lerner. Apesar dos absurdos gastos com mídia, ele não soube respeitar o povo paranaense. Infelizmente nos subestimou. Como professor, tenho acompanhado atentamente este governo, tenho observado o seu descaso para com o povo que o elegeu. É comum o governo argumentar que tem dado satisfatórios aumentos salariais aos professores, infelizmente, desde que assumiu o governo, o governador não repôs uma perda sequer. Para que os professores terem um certo reajuste, o mesmo gasta um absurdo em pós-graduação, e para recuperar o investido leva de três a cinco anos, isso sem contar que no ano de 1999, todos que fizeram pós-graduação não tiveram este certo reajuste. Correção sobre inflação, data base etc., é coisa desconhecida para nosso governador.
Jaime Lerner subestimou a todos, algo semelhante ao que fez Álvaro Dias, quando governador, desrespeitando os professores, mandando bater e arrasando nossos salários. Isso não se esquece, é confiança perdida, não tem retorno. Lerner, por outros meios tem feito o mesmo. Está cavando sua sepultura política, pois não importa quanta arbitrariedade ou dinheiro se use tentando mostrar uma falsa imagem, o povo não é bobo e fica mais revoltado pois sabe que o dinheiro usado é do próprio povo.
- FRANCISCO M. ARRABAL, professor, Londrina
Gestos nobres
Barão mesmo ele nunca gostou de ser chamado. Seu Alexandre, como ele preferia, foi uma pessoa extraordinária. Filho do Barão Kurt von Prizelwitz, um dos chefes da maior companhia exportadora de café da época, Theodore Ville, Seu Alexandre foi educado como um nobre. Estudou em São Paulo e depois foi cursar Agronomia na Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Surgiu aí um grande caso de afeição pela escola que o acolheu. Foram quatro anos de grandes descobertas técnicas e intenso convívio humano. Experiências e amigos que ele relembrou durante toda sua vida.
Em 1948, quando se formou, veio para Londrina tomar conta das terras que seu pai havia comprado vários anos antes. Formou suas terras e daqui nunca mais quis sair. Nesta época, nossa região ainda carente de recursos técnicos, as distâncias eram grandes, não existiam as facilidades de telefone, computador, fax. Os vizinhos se conheciam, ajudavam-se. Por ser uma pessoa extremamente simples, sensível, discreto e de um largo coração, Seu Alexandre era um ótimo amigo. Tinha tempo para todos, ouvia cada um com igual interesse, casos pessoais ou não, e principalmente dúvidas sobre o trato com a terra. Ajudava quem buscava ajuda e queria aprender. Veio daí um de seus grandes méritos, o de ensinar o que sabia e ir atrás de dúvidas que amigos lhe traziam. Nunca deixava as pessoas sem uma solução.
Seu Alexandre instruiu no plantio de café, do feijão, no manejo de pragas, da broca, do bicho mineiro, explicou como funcionava a adubação, fez curvas de nível. Ao mesmo tempo, dedicava-se à pecuária, montando um dos melhores rebanhos da região. Introduziu técnicas como o confinamento quando ninguém ainda falava a respeito. E nessa vontade de estar sempre atualizado, frequentava palestras, cursos de atualização, hábito que cultivou por toda a vida.
Na quarta-feira da semana passada, dia 5, perdemos nosso professor. Mais do que isso, perdemos nosso maior incentivador, nosso grande amigo. E ele nos surpreendeu novamente, doando sua fazenda, de porteira fechada, com todo o rebanho, máquinas etc., para que ali se construa um centro de pesquisa agropecuária de ponta. Este legado avaliado em quase R$ 15 milhões deve passar às mãos da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), uma instituição sem fins lucrativos ligada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo.
Ao Seu Alexandre, que Deus reserve um lugar especial. A nós, que tomemos sua vida como exemplo de dignidade e conduta, e que ajudemos a tornar concreto seu grande sonho.
- ANTONIO DE MEDEIROS BULLE, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





