O leitor escreve
O leitor escreve
Brasil, 500 anos
Grande é a expectativa, os preparativos e o regozijo antecipado para a enorme festa dos 500 anos do nosso Brasil. A grande massa de brasileiros, principalmente dos estados nordestinos, está mais uma vez contribuindo para que o entusiasmo não se arrefeça ou está perguntando: Que festa é esta, o que estamos festejando afinal?.
Claro que temos alguns motivos para festejar e que jamais serão esquecidos, como a bravura dos nossos pracinhas na Itália, os feitos heróicos dos brasileiros na Guerra do Paraguai, as lutas desiguais empreendidas pelos Antonios Conselheiros, pelos emboadas e pelos inquilinos anônimos dos quilombos.
Muitos deram suas vidas, como Tiradentes, para ver e sentir um país livre. De todos esses feitos heróicos o que mais nos chamou a atenção foi a raça de muitos brasileiros que lutaram bravamente dando seu sangue na tentativa de abolir da escravidão no Brasil. Mas, na realidade, o que estes heróis do passado conseguiram projetar para os nossos dias, com patriotismo e suas vidas ceifadas, ainda foi muito pouco para ser comemorado.
No Brasil, a escravidão continua presente mas com outros nomes, outros escravos e senhores. Os senhores de engenho, os coronéis, os barões do café não mais existem. Novos senhores foram aumentando em número e ferocidade, introduzidos e entronizados com nomes diferentes e bem mais eloquentes como: grandes potências, países de Primeiro Mundo, ONU, FMI, líderes políticos do Nordeste, tecnocratas e cientistas políticos das grandes cidades e a tão comentada globalização.
Os cientistas modernos também tiveram suas idéias inovadoras: trocaram os escravos de ontem, dando-lhes um apelido mais sugestivo: alforriados. A escravatura tinha terminado mas a escravidão continuava com maior intensidade. Hoje a caça aos índios não mais existe, talvez por termos um número muito pequeno de índios ou porque o esporte ficou meio oneroso. Os negros vindos da África se fundiram com os brancos das favelas. Assim, a escravidão continua, e nós como comumente somos chamados de pacatos e subservientes continuamos fazendo festa e batendo palmas.
O que de fato necessitamos é que acordemos, mudemos de postura e que sintamos de fato nossa grandeza e pujança. Deixemos de engodos e vamos lutar para que em pouco tempo possamos autenticar um pedacinho da carta-testamento de Getúlio e gritar com todas as nossas forças: Não somos mais escravos de ninguém!. Assim, condignamente faríamos nossa festa com samba e futebol, serpentinas e confetes, tudo nas cores verde e amarelo. O Brasil merece festa, mas merece principalmente atitudes patrióticas que transformem as festas de poucos em uma grande festa brasileira.
- WELLINGTON SAMPAIO, aposentado, Londrina
VGD
Sobre a reportagem a respeito do Estádio Vitorino Gonçalves Dias publicada dia 9: nosso velho VGD bem que merece, não só os 15 minutos de fama, como muito mais. Foi palco de muitas jornadas gloriosas, e mora no coração da torcida alvi-celeste.
- PAULO STUCK MORAES, Vitória (ES)
Redação
Mais uma vez, os resultados dos vestibulares revelam a ineficiência dos nossos alunos em relação à escrita. Causa perplexidade verificar tamanho despreparo. Esse é o reflexo do descaso generalizado com o estudo da linguagem. Infelizmente, no Brasil, não há um esforço real de se efetivar um ensino de qualidade. Não é interessante que a juventude se aproprie dos mecanismos linguísticos para fazer deles verdadeiros instrumentos de análise crítica da realidade.
Caso isso acontecesse, o verbo governar não seria conjugado com tanta displicência pelos nossos políticos. Ao lado desse fracasso, está a completa aversão pela leitura. São onze anos de escolarização que antecedem o vestibular. Por que, então, depois de todo esse tempo, ainda há vestibulando da PUC uma clientela privilegiada que teve, provavelmente, acesso a escolas particulares e a cursinhos preparatórios que escrevem barbaridades como meacabei me dando mau? Com certeza, foram onze anos balizados muito mais pelos ratinhos e pelos faustões do que pelos livros.
- PAULO CEZAR BASILIO, professor, Pinhão
Pedágio
Meus irmãos paranaenses: nosso querido governador Jaime Lerner, num ato de amor aos paranaenses, juntamente com os deputados do amém, criaram esse maldito pedágio, beneficiaram uns poucos, em detrimento de muitos. Empresas caça-níqueis enriquecem, enquanto os usuários empobrecem, pagam com sua vida e de seus familiares pela insegurança que oferecem essas rodovias.
Graças a esses gananciosos, resta ao pobre motorista de caminhão ou viajante a seguinte opção: divide o possível lucro em três partes. Uma para as empresas concessionárias do pedágio, outra para a manutenção dos veículos, e a outra... que outra? Não existe outra, faltando dinheiro para alimento, estudo, saúde de seus familiares.
Parabéns, governador! Vendeu Copel, Sanepar, afundou o Estado do Paraná, tudo em virtude de não sabermos votar, acreditando em promessas enganosas. Reelegeu-se, e agora pagamos taxas escorchantes de pedágio e IPVA. Uma vergonha nacional. Proporcionamos ao governador a oportunidade de viajar pelo mundo, privilegiar multinacionais, enfim, viver a vida às custas do erário público. Viva o Brasil!
- MOISÉS DOS SANTOS, Londrina
Anistia parlamentar
Há poucos meses o Congresso aprovou projeto de lei de iniciativa popular contra a corrupção eleitoral, subscrito por mais de 1 milhão de cidadãos, que exprimiram seu anseio por eleições sem distorções prejudiciais à democracia. Alguns setores da sociedade manifestam se decepção com o Congresso que, legislando em causa própria, concedeu anistia aos parlamentares que foram multados por infrações praticadas durante as eleições de 1996 e 1998.
Essa decisão denigre e prejudica gravemente a Câmara e o Senado e é um desrespeito total à Nação. O povo brasileiro deve expressar sua decepção. Ainda bem que o presidente da República, no uso de suas atribuições constitucionais, vetou esta proposta de lei. O povo brasileiro merece viver a esperança de melhores dias, manifestar sua insatisfação pelas arbitrariedades com dignidade e paz, rumo a um novo milênio sem exclusões.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Correção As 30 escolas que serão construídas pelo governo do Estado no primeiro semestre deste ano irão atender cerca de 34 mil alunos e não cerca de 8 mil, como foi publicado na edição de ontem, no caderno Cidades, em texto sob o título RMC terá 30 novas escolas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





